Se você sonha com sua primeira viagem ao Peru, provavelmente Machu Picchu será a grande estrela do seu roteiro. Tudo bem… você vai voltar de lá achando que o país tem muito a oferecer, que a cultura é muito vasta, que as paisagens são lindas e que apenas uma viagem não é suficiente para aproveitar todos os roteiros disponíveis. É natural e mais do que esperado, é um efeito colateral muito bom ;) Por isso não devemos subestimar os sítios arqueológicos de Lima, pois são eles que mostram como as civilizações pré-incas eram constituídas e como eram suas culturas e modos de viver, levando a um entendimento melhor dos próprios Incas.

Para chegar a Machu Picchu, você provavelmente passará por Lima, seja numa rápida conexão ou seja desdobrando a sua passagem e aproveitando para conhecer a capital do país. Além da tão badalada gastronomia, os sítios arqueológicos de Lima e suas ruínas também merecem a sua atenção.

Sítios Arqueológicos de Lima

sitios arqueológicos de lima: Huaca Huallamarca - múmiasitios arqueológicos de lima: Huaca Huallamarca - museusitios arqueológicos de lima: Huaca Huallamarca - máscara

Todas essas informações sobre os povos pré-incas que você vai encontrar ao longo da sua viagem pelo Peru servirão como um grande alicerce de conhecimento para entender melhor a civilização Inca, Machu Picchu e toda a tecnologia desenvolvida e exemplificada por todo o Valle Sagrado.

Neste cenário, Lima tem um papel importantíssimo. Imagine caminhar pela cidade e se deparar com ruínas arqueológicas de locais importantes para as antigas civilizações da região? Note que em Lima você não encontrará vestígios da civilização Inca, mas sim das diversas civilizações pré-incas que ali viveram.

Huaca Huallamarca

Bem no meio do simpático bairro de San Isidro, há um sítio arqueológico de Lima que poucos conhecem: a Huaca Huallamarca.

sitios arqueológicos de lima: Huaca Huallamarca - basesitios arqueológicos de lima: Huaca Huallamarca - lateral

Acredita-se que a Huaca Huallamarca, essa grande pirâmide toda feita de barro, era um templo cerimonial pré-inca.

sitios arqueológicos de lima: Huaca Huallamarca - linha do tempo

Atente para essa linha do tempo que explica a divisão e a formação de povos pré-incas por todo o território peruano. É interessante notar como os povos pré-incas também tinham uma tecnologia bem desenvolvida para aquela época. Na base da pirâmide há um pequeno museu com algumas peças e explicações sobre o templo, não deixe de visitá-lo :)

sitios arqueológicos de lima: Huaca Huallamarca - outra lateralsitios arqueológicos de lima: Huaca Huallamarca - subindo a piramide

Do topo da pirâmide ficamos imaginando como seria a vida ali mesmo em Lima antes desses prédios todos tomarem forma e restringirem o espaço das ruínas a apenas um quarteirão. Se você for passear por San Isidro, não deixe de conferir a Huaca Huallamarca, pois a combinação é perfeita :)

sitios arqueológicos de lima: Huaca Huallamarca - vista de cimasitios arqueológicos de lima: Huaca Huallamarca - topo da piramide

Huaca Huallamarca
Huaca Pucllana

Um dos mais famosos sítios arqueológicos de Lima e o mais visitado pelos turistas é a Huaca Pucllana.

A Huaca Pucllana, também foi construída por povos pré-incas e acredita-se que o local tenha sido usado como templo para sacrifícios de mulheres a fim de acalmar as deusas, que eram consideradas muito violentas. Este era um templo reservado para a elite, sacerdotes e nobres.

sitios arqueológicos de lima: Huaca Pucllana - livrossitios arqueológicos de lima: Huaca Pucllana - parede

O processo de restauração destas ruínas começou apenas em 1981 e, segundo o guia que nos acompanhou pela visita, serão necessário mais 30 anos de intenso trabalho para terminar toda a restauração daquela área. Antes de descobrirem as ruínas, a região era usada como pista de moto-cross, acredite se quiser :(

sitios arqueológicos de lima: Huaca Pucllana - lhamassitios arqueológicos de lima: Huaca Pucllana - reproduçãositios arqueológicos de lima: Huaca Pucllana - trabalho de reconstrução

Hoje, a Huaca Pucllana ocupa apenas um quarteirão, grande é verdade, no bairro de Miraflores, mas os pesquisadores acreditam que essa área era no mínimo seis vezes maior e que deveria ocupar vários quarteirões em todas as direções. Dizem também que a área mais importante ainda está soterrada, pois, por conta da sua proximidade com o mar, esse local era provavelmente utilizado para observar as deusas que ali habitavam.

Uma das explicações que mais me chamou a atenção durante essa visita foi descobrir a “técnica do livro” utilizada nas construções desses locais. Essa técnica foi desenvolvida pelos povos que habitavam a região e é vista claramente na Huaca Pucllana.

sitios arqueológicos de lima: Huaca Pucllana - restauradasitios arqueológicos de lima: Huaca Pucllana -  setores do templo

Graças a essa técnica, eles conseguiram fazer com que suas contruções e templos resistissem aos constantes terremotos que aplacavam a região. Os tijolos de barro eram colocados lado a lado como se fossem livros em uma estante, mas sempre deixando um espaço entre eles, o que dava uma certa “flexibilidade” para os tijolos durantes os terremotos. Por não serem tão colados, os tijolos encontravam espaços entre eles e conseguiam se mover conforme as ondas do terremoto sem destruir nenhuma parede sequer.

É impressionante pensar que eles tinham o domínio completo do seu território, do conhecimento dos eventos naturais e que foram capazes de desenvolver tal tecnologia. Uma prova da eficiência desse sistema é o fato de Lima já ter sido atingida por fortíssimos terremotos que destruiram muitas construções mais modernas, enquanto que a Huaca Pucllana continuou quase intacta, na medida do possível, claro :P

sitios arqueológicos de lima: Huaca Pucllana - sacerdotes

Veja também:

Uma visita a Huaca Pucllana no Idas e Vindas da Carla Portillo

Huaca Pucllana

Pachacámac

Um outro sítio arqueológico de Lima, ou melhor, dos arredores de Lima, que costuma chamar a atenção dos turistas é o Pachacámac, localizado a aproximadamente 40 km da capital. Você pode chegar lá contratando um tour organizado por agências de receptivo ou tentar usar a nossa infalível técnica de negociação de táxis e ir de táxi.

Pachacámac era a cidade sagrada de uma civilização pré-inca chamada Huari (ou Wari) e servia de centro de adoração e peregrinação. Essa região já foi dominada por quatro diferentes povos e seu sítio arqueológico inclui 16 pirâmides, praças, palácios e templos piramidais. Assim como em Huaca Pucllana e Huaca Huallamarca, é importante contar com o apoio e orientação de um guia reconhecido, pois sem as explicações, dificilmente compreenderemos o que estamos vendo e como eram a cultura e modo de vida dos povos que dominavam aquela área.

A Wanessa do Blog Caderno de Viagens falou rapidamente sobre esse tour nesse post e o Edu Luz do DCPV também fala sobre ele aqui.

Veja também:

Nossos posts sobre Lima

Dica de roteiro do Peru

Se a sua intenção é entender melhor a história da civilização Inca e, claro, de Machu Picchu, é preciso entender um pouco sobre as civilizações que vieram antes deles. Por isso eu recomendo que você comece sua viagem por Lima, depois Cusco e região do Valle Sagrado e só então vá a Machu Picchu. Desta forma você entenderá como eram as civilizações pré-incas e como os Incas surgiram, pois um está diretamente ligado ao outro. Sem contar que sua viagem será uma crescente onda de OHHHHHH! :P

Você visitou alguma dessas três ruínas?

Antes ou depois de ir a Cuzco?

Como foi a experiência?

Se gostou do que viu, assine o blog!


    16 Comentários
  1. Que legal…
    Nao imaginava que em Lima existissem um sítio arqueológico assim..

    • Pois é, Oscar!
      Lima, assim como o Peru é uma grande caixinha de surpresa. Eu também não imaginava esse tipo de cenário na cidade. Conheci lendo os blogs da comunidade :D bacana, né?

  2. Natalie, obrigada pela menção!
    Fiquei feliz de saber que você andou lá pelo blog.

  3. Olá, suas dicas me ajudou muito está de parabéns! O sítio arqueológico Huaca Pucllana está um pouco mais caro 12 Soles e estudantes 05 Soles :)

    • Jaqueline,

      Obrigada pelo feedback positivo :) ficamos muito contentes por saber que as informações aqui publicadas são de grande valia.

      E valeu pela informação sobre o valor da entrada. Esses valores costumam ser ajustados com uma certa frequência mesmo ;)

  4. Olá. Eu e meu marido vamos em setembro para Lima-Cusco-Machu Picchu e esse blog tem sido fundamental no nosso planejamento. Dicas ótimas e texto saboroso. Aí, resolvi perder a vergonha e alugá-los um pouco (que provavelmente passará a ser um muito…rsrs). Vcs contrataram os guias nos próprios sítios arqueológicos ou em alguma agência? Obrigada pela atenção. Abraço. Ana

    • Ana,

      Que bom que as informações estão sendo úteis. Por favor, sinta-se a vontade para perguntar sempre que tiver qualquer tipo de dúvida.

      Como queríamos explorar a região do Valle Sagrado com mais calma, acabamos optando por contratar uma agência local indicada pelo nosso hotel em Cusco.

      Em Lima fizemos tudo por conta própria :)

      O Orçamento envolvia:

      3 dias de guia exclusivo + transporte com carro próprio

      1o. dia: Tipón / Pikillacta / Andahuaylillas / Puca Pucara
      2o. dia: Pisac / Sacsayhuamán / Quenqo / Tambomachay
      3o. dia: Salineras de Maras / Chinchero / Moray/ Ollantaytambo (Aqui seguimos viagem para Águas Calientes)

      Trem + ingresso para Machu Picchu/Huayna Picchu + guia particular + van até entrada do parque + hotel em Águas Calientes.
      4o. dia: Machu Picchu – trilha até Huayna Picchu/ Retorno para Cusco (transfer até o nosso hotel em Cusco também estava incluso.)

      Valeu a pena poder elaborar esse roteiro com mais tranquilidade, fugir da correria das excursões e ainda poder contar com o conforto de um guia bem paciente e cheio de explicações.

      Esse três posts também poder ajudar:

      Visitando o Valle Sagrado dos Incas: tirando todas as dúvidas

      Agência de viagem do Peru, qual você indica?

      Recap: nossas dicas e roteiro do Peru

  5. Oi, Natalie. Muito obrigada pela atenção!. Nós também estamos querendo montar um roteiro em que possamos ver as coisas com mais calma. Vamos ter 5 dias pra Cusco/Vale Sagrado (sem contar o dia de chegada e os dias de Machu Picchu _ficaremos dois dias em Águas Calientes). Vou, praticamente, me apropriar do seu roteiro!!!!! Só não devo fechar com agência a parte de Machu Picchu. Devemos ir por nossa conta. Vc sabe me dizer se lá em M.P. nós conseguiremos contratar um guia ou seria preciso contratar ainda em Cusco ou com antecedência? Não quero ir até lá sem um, pq acho que ficaríamos sem muitas informações importantes. Obrigadíssima de novo! Ana

    • Ana,

      pode se apropriar a vontade do nosso roteiro =)

      Tomara que dê tudo certo e que vocês aproveitem cada momento especial ;)

      Quanto ao guia em Machi Picchu, logo na entrada do parque você vai perceber uma aglomeração de profissionais (alguns com crachá oficial, outros nem tanto) oferecendo tours guiados. As informações que são passadas realmente são muito importantes e podem fazer toda a diferença para compreender a estrutura cidade perdida. Como a explicação é relativamente rápida, você ainda pode aproveitar o restante do dia para visitar outros caminhos por conta própria ;) Eu sempre busco guias credenciados. Não gosto de me arriscar porque nunca se sabe se a informação que está sendo passada é legítima ou não.

      Boa viagem e divirtam-se ;)

  6. Olá, Natalie. A gente começa a pesquisar e as dúvidas começam a crescer! rsrsrs! E vcs tem nos ajudado muito! Superobrigada de novo! Um abraço, Ana

Deixe seu Comentário

    Pingback e Trackback
  1. [...] ele é um museu/sítio arqueológico bem no coração do centro histórico de Lima, entre a Plaza de Armas e a Basílica de São [...]

  2. [...] El Niño e La Niña. Tanto é que alguns historiadores acreditam que as ações das Deusas que as civilização pré-Inca adoravam e temiam eram, na verdade, resultado desses fenômenos. Tempestades nas épocas de secas, [...]

  3. [...] cada cultura, tanto pré-inca quanto inca. É legal traçar esse contraste até mesmo com os outros sítios pré-incas que conhecemos em Lima logo no começo da [...]