A 164 quilômetros de Santiago, na estrada internacional que liga o Chile a Mendoza, fica o centro de esqui mais antigo da América do Sul. Portillo não é um resort grande, não tem alameda de lojas e não recebe multidão: o limite é de 450 hóspedes por semana, todos dentro do mesmo hotel amarelo diante da Laguna del Inca. Reuni aqui tudo o que você precisa saber para planejar a viagem, dos valores de 2026 ao que cabe na mala.

Portillo foi o primeiro destino que conheci numa press trip, uma viagem a convite organizada pela assessoria de imprensa para apresentar o complexo a um grupo de jornalistas convidados. Até hoje, guardo Portillo num lugar especial das minhas memórias de viagem. A vista para a laguna é algo deslumbrante e único no nosso continente. Toda a equipe é muito solícita e a infraestrutura é diferente das demais estações no Chile. Abaixo, compartilho os detalhes de cada ponto.

A mais antiga estação de esqui do Chile: Portillo

Índice

  • A estação de esqui de Portillo
  • Quando ir?
  • O que fazer em Portillo?
  • Semanas temáticas
  • Quanto custa?
  • O que levar na mala e como se proteger do frio?
  • Como chegar até Portillo
  • Onde se hospedar?
  • Onde comer?
  • É possível conhecer Portillo e o lago em um dia?

A estação de esqui de Portillo

Portillo funciona na lógica oposta à dos grandes complexos de neve. Em vez de espalhar hotéis, condomínios e restaurantes por um vale, concentra quase tudo em um único prédio a 2,8 mil metros de altitude, com as pistas começando na porta. Some a isso o teto de hóspedes semanais e o número controlado de ingressos vendidos para visitantes de um dia, e o resultado aparece nos meios de elevação: fila é raridade. São 35 pistas distribuídas em cerca de 500 hectares de terreno demarcado, com 14 meios de elevação e um desnível que vai da base até 3,3 mil metros.

Fachada do hotel Portillo - entrada

A escala pequena tem contrapartida: quem vai a Portillo fica em Portillo. Não há vilarejo ao lado, comércio de rua ou alternativa de jantar fora. É um destino para desconectar, e boa parte de quem volta todo ano diz que essa é justamente a graça.

Antes de reservar:
Nenhum esporte de neve deve ser praticado sem um seguro-viagem que cubra esportes radicais. Verifique se a apólice contempla esqui e snowboard.

A história de Portillo

A origem da estação está na ferrovia Transandina, cuja construção começou em 1887 para cruzar os Andes pelo Paso de Uspallata e ligar o Chile a Mendoza. Depois da inauguração da ferrovia, em 1910, esquiadores recreativos passaram a utilizar o próprio trem como meio de elevação entre Caracoles e Juncal, atravessando o que hoje é a área esquiável. O Transandino foi, na prática, o primeiro teleférico do Chile.

No fim dos anos 1930, uma pequena cabana já era chamada de Hotel Portillo e servia de abrigo para os aventureiros que subiam a montanha. O nome ficou quando o edifício atual foi inaugurado, em 1949, com 125 apartamentos. A construção foi obra do Estado chileno, e não de um investidor privado, como costuma aparecer em textos sobre o destino. Só em 1961, após dificuldades operacionais, o governo decidiu privatizar o hotel, uma das primeiras estatais vendidas ao setor privado na história do país.

• Fachada amarela do Hotel Portillo diante da Laguna del Inca congelada

Os compradores foram os norte-americanos Bob Purcell e Dick Aldrich, que já conheciam a região e enxergaram nos Andes chilenos um potencial ainda inexplorado. Logo no primeiro ano da nova administração, eles definiram uma meta ambiciosa: sediar o Campeonato Mundial de Esqui Alpino. O pedido foi aceito pela Federação Internacional de Esqui em 1963, com votos contrários de Alemanha Ocidental, Suíça e Áustria.

O caminho até lá quase deu errado. Em 1965, um ano antes do evento, um temporal com ventos de até 200 quilômetros por hora atingiu a cordilheira. Avalanches destruíram quase todos os meios de elevação recém-instalados e as equipes reunidas para a corrida-teste ficaram presas na montanha. Quando o tempo abriu, tiveram que descer esquiando até a estação de trem mais próxima, a 32 quilômetros dali.

A reconstrução foi feita a tempo. Entre 4 e 14 de agosto de 1966, com a abertura do presidente chileno Eduardo Frei Montalva, Portillo recebeu o Campeonato Mundial de Esqui Alpino. A delegação francesa dominou o pódio e levou 16 das 24 medalhas. Passados 60 anos, segue sendo o único mundial de esqui alpino disputado no hemisfério sul.

Quando ir a Portillo?

A temporada de inverno de 2026 vai até 26 de setembro. Julho e agosto costumam concentrar as melhores condições de neve, enquanto setembro traz temperaturas mais amenas, dias mais longos e tarifas menores. A média histórica de queda de neve fica em torno de 5,1 metros por temporada, e a estação calcula que 80% dos dias sejam de sol.

passeio de caminhada com raquetes - trilha pela Laguna del Inca

E fora do inverno?

O hotel encerra a operação de esqui, mas a montanha não fecha. A temporada de primavera e verão vai de 2 de outubro a 15 de junho, com o restaurante aberto todos os dias das 8h às 20h e cinco chalés disponíveis para hospedagem. A Laguna del Inca segue visitável, e em janeiro acontece o Festival e Academia Internacional de Música de Portillo.

Se você vai dirigir entre Santiago e Mendoza fora do inverno, o restaurante de Portillo é uma das poucas paradas decentes da rota, com vista direta para a laguna.

Semanas temáticas em Valle Nevado

Três semanas se repetem no calendário de agosto e costumam se esgotar antes das demais. Em 2026, as datas são:

vista para a montanha da varanda do quarto em Portillo

Semana do Vinho (1º a 8 de agosto)

Vinícolas chilenas sobem a montanha para degustações e harmonizações. É a semana mais concorrida do calendário.

Friends Week (8 a 15 de agosto)

Voltada aos hóspedes que retornam todos os anos e trazem amigos. A programação social inclui karaokê, música ao vivo e degustações.

Wine Fest (22 a 29 de agosto)

Formato mais técnico que a Semana do Vinho: os enólogos das vinícolas participam das mesas e conduzem as degustações.

As datas mudam a cada temporada, então confirme no site oficial ou com seu agente de viagens antes de comprar passagem.

Nevasca em Portillo
Detalhes da estrada até Portillo

O que fazer em Portillo?

Pistas e meios de elevação

A distribuição das 35 pistas favorece quem já tem alguma bagagem: 15% para iniciantes, 30% para intermediários, 30% para avançados e 25% para especialistas. A descida mais longa tem 3,2 quilômetros. As pistas verdes e azuis passam por manutenção todas as noites; o terreno avançado costuma ser deixado no estado natural, fazendo a neve acumular por dias.

Para quem está começando, Corralito é a área mais fácil, com tapete rolante e inclinação suave perto do hotel. Las Lomas funciona como ponte para o nível azul. Juncalillo é a preferida dos intermediários e recebe sol antes das outras pistas, então rende mais pela manhã. Plateau serve de introdução às pistas pretas.

O capítulo à parte são os meios de elevação Va et Vient, construídos pela francesa Poma. Em trechos íngremes e propensos a avalanches, torres convencionais não funcionam, então a solução foi ancorar polias na montanha e rebocar cinco esquiadores lado a lado, em fila horizontal, de uma vez. É o que dá acesso a Roca Jack, Cóndor, Las Vizcachas e El Cara Cara. A própria estação recomenda o equipamento apenas para esquiadores experientes.

Esquiador descendo pista com a cordilheira dos Andes ao fundo - pistas de esqui portillo

Escola de esqui e snowboard

As aulas em grupo acontecem de domingo a sexta, em dois horários: das 10h30 às 12h ou das 15h às 16h30, para todos os níveis a partir dos 4 anos. Aulas particulares funcionam todos os dias. Há ainda a modalidade de esqui guiado, contratada por hora, meio período ou dia inteiro, para quem quer só ser levado pelo terreno certo, e os ski camps, programas de uma semana com rotina diária de treino.

Boa parte dos instrutores vem de fora e retorna temporada após temporada. Vários falam português. Para quem quer subir de nível, o heliski é oferecido à parte.

Portillo 2026: guia da estação de esqui mais antiga da América do Sul 1

Além das pistas

A programação fora da neve é mais completa do que a dimensão do hotel sugere.

  • Piscina aquecida ao ar livre (entre 31 e 33 graus), jacuzzi (36 a 38 graus) e hot tub, abertos das 12h às 20h, com vista para a cordilheira.
  • Sala de ioga e alongamento, com aulas de sexta a quarta, das 7h às 20h
    Cinema, com sessões todas as tardes para adultos e crianças.
  • Ginásio poliesportivo de piso de madeira, aberto das 16h às 23h, com torneios semanais de futebol, basquete e vôlei entre hóspedes.
  • Fitness center, das 8h às 10h30 e das 15h às 20h30.
  • Salão de jogos com tênis de mesa e parede de escalada.
  • Biblioteca com livros em vários idiomas, das 13h30 às 22h.
  • Discoteca no subsolo, aberta de domingo a sexta a partir das 17h e aos sábados a partir das 19h.
  • Caminhada com raquetes de neve pela Laguna del Inca, em alguns dias da semana, com parada para vinho e queijo.
Detalhes da piscina aquecida ao ar livre e jacuzzi em Portillo

Se é sua primeira vez, o tour guiado pelo hotel, feito nas tardes de sábado, resolve a geografia interna do prédio em meia hora.

Fachada amarela do Hotel Portillo diante da Laguna del Inca congelada
Estação de esqui Portillo vista de longe

Com crianças

Portillo mantém serviço de recreação infantil para crianças de 4 a 7 anos incluso nos pacotes, liberando os pais para esquiar. As Family Weeks têm programação própria, com peças de teatro infantil. Há também a promoção Kids Ski Free em semanas específicas da temporada, que zera hospedagem, refeições e passes para uma criança acompanhada dos pais.

Chegando em Portillo

Quanto custa se hospedar em Portillo?

Os pacotes de hospedagem são all inclusive e vão de sábado a sábado, no caso da Ski Week de sete noites, ou de três a quatro noites, na Mini Week. Incluem quatro refeições diárias, acesso ilimitado aos meios de elevação, uso de todas as instalações e recreação infantil.

Acomodação (7 noites, por pessoa)BaixaMédiaAlta
Inca Lodge (quarto de 4)1,65 mil1,85 mil1,9 mil
Octógono Lodge (quarto de 4)2,25 mil2,9 mil3,07 mil
Apartamento familiar, 1 banheiro2,85 mil3,95 mil4,6 mil
Hotel Portillo, duplo com vista para o vale3,25 mil4,85 mil5,5 mil
Hotel Portillo, duplo com vista para a laguna3,65 mil5,25 mil6,1 mil
Chalé C1 ou C4 (até 4 pessoas)7,95 mil11,55 mil12,6 mil

Fique atento ao que não está incluído: bebidas de qualquer tipo, inclusive refrigerante, aluguel de equipamento, aulas e traslados.

Isenção de imposto para estrangeiros

Hóspedes estrangeiros que pernoitam em Portillo e pagam a conta em dólares ficam isentos do IVA, o imposto chileno sobre valor agregado, de 19%. A regra vale inclusive para o aluguel de equipamento no ateliê de esqui. Vá com o cartão internacional e confirme a forma de pagamento no check-in.

Aluguel de equipamento e roupa de inverno

O ateliê da estação aluga esquis, pranchas, botas, bastões, capacetes e raquetes de neve, em versões padrão e de alto desempenho, por dia ou por semana. O estoque é renovado por temporada, sendo exigido cartão de crédito na retirada.

Uma informação que costuma pegar o brasileiro desprevenido: Portillo não aluga roupa de neve, por questão sanitária. Existe loja no primeiro andar do hotel para quem esqueceu alguma peça, mas o ideal é levar tudo de casa.

Espaço para aluguel de equipamentos de esqui

O que levar na mala e como se proteger do frio?

O sistema de camadas resolve quase tudo. Uma segunda pele térmica junto ao corpo, uma peça intermediária de fleece ou lã e uma jaqueta corta-vento e impermeável por cima. Calça de neve impermeável com segunda pele por baixo completa o conjunto. A vantagem das camadas é poder tirar uma no meio do dia, quando o sol da montanha aquece.

Não deixe de fora:

A altitude merece atenção separada. Em 2,8 mil metros, o sol queima mais rápido, e a neve reflete a radiação de baixo para cima, o que atinge queixo e nariz. Passe protetor a cada duas horas e não pule os dias nublados.

Esquiando em Portillo

Os primeiros sintomas de mal de altitude, dor de cabeça, náusea e cansaço fora do normal, costumam aparecer nas primeiras horas. A recomendação da própria estação é subir hidratado, evitar refeições pesadas antes do trajeto e pegar leve no primeiro dia.

O ar da montanha também é bastante seco: hidratante corporal e ingestão constante de água fazem diferença ao longo da semana.

Como chegar a Portillo

O trajeto começa em Santiago. LATAM, Sky Airline e JetSmart operam voos diretos do Brasil para o aeroporto Arturo Merino Benítez, com cerca de quatro horas de duração saindo de São Paulo ou do Rio de Janeiro.

Do aeroporto até o hotel são 164 quilômetros e quase três horas pela Ruta 60, a estrada internacional que segue para Mendoza. Esse é um ponto a favor de Portillo na comparação com outras estações da região: a via é de padrão internacional, com tráfego de caminhões e manutenção constante. O caminho passa por vinhedos do vale central e permite avistar o Aconcágua.

entardecer em portillo

Traslados oficiais

Curvas - estrada internacional que liga o Chile até Mendoza passando por Portillo

O transporte não está incluído nas tarifas de hospedagem, sendo operado pela Portillo Tours & Travel. Há duas modalidades:

Shuttle compartilhado. Opera às quartas e aos sábados, saindo do aeroporto às 9h e às 15h, e de Portillo em direção ao aeroporto às 14h. O percurso inclui paradas nos hotéis Plaza San Francisco, Ritz e Bidasoa, em Santiago. Custa cerca de 130 dólares por pessoa, por trecho. Crianças de até 4 anos não pagam, uma por família.

Traslado privado. Disponível 24 horas, com valor cobrado por veículo e por trecho: 302 dólares para uma ou duas pessoas, 332 dólares para três a cinco e 440 dólares para seis a nove. Serviços realizados entre 23h e 6h têm acréscimo de 10%.

Os veículos são preparados para transportar esquis e pranchas. Se você viaja com equipamento volumoso ou muita bagagem, avise na reserva.

Em algumas semanas de alta temporada, a estação oferece o traslado regular gratuito para quem reserva uma Ski Week. Vale perguntar na hora de fechar o pacote.

E se a estrada fechar?

A pergunta não é hipotética, como mostrou julho de 2026. Se a autoridade chilena interditar a rota internacional por causa do clima, a estação reprograma o serviço de traslado e mantém comunicação com os passageiros. As condições para hospedagem e tíquetes estão na política de reservas e cancelamento publicada no site oficial.

Estrada que leva até Portillo

Como aliviar o enjoo?

É comum que alguns viajantes tenham enjoos no trajeto até Portillo, mas com essas dicas, será fácil driblar este pequeno desafio:

    • Sente-se no banco da frente do veículo;

    • Não sente no sentido contrário do movimento do ônibus;

    • Fixe o olhar no horizonte ou tente dormir durante toda a viagem;

    • Evite olhar para trás ou movimentar muito a cabeça;

    • Tente não ler ou mexer no celular com o carro em movimento;

    • Evite bebidas alcoólicas e refeições pesadas antes da viagem;

    • Inicie a medicação contra o enjoo no dia que antecede a viagem.

Separamos mais dicas para evitar enjoos em aviões e navios também.

Onde se hospedar em Portillo?

São quatro categorias, todas a poucos passos das pistas e com acesso aos mesmos serviços do complexo.

Hotel Portillo

O prédio amarelo tem 123 apartamentos, entre duplos e familiares, divididos entre os que olham para a Laguna del Inca e os que dão para o vale. Alguns têm varanda. As categorias voltadas para a laguna e as do sexto andar são as mais disputadas e as de maior valor.

A infraestrutura fica toda no mesmo edifício: dois restaurantes, bar, piscina aquecida, jacuzzi, sauna, academia, sala de ioga, cinema, ginásio poliesportivo, salão de jogos, discoteca, loja, escola de esqui, guarda de equipamentos e atendimento médico.

Quarto Portillo

Octógono Lodge

Ao lado do hotel, é a opção intermediária. São 15 apartamentos com quatro beliches e banheiro privativo cada, indicados para grupos de amigos e famílias que não abrem mão das refeições no restaurante principal.

Outras hospedagens mais econômicas em Portillo

Inca Lodge

Em frente ao hotel, funciona no formato de albergue e é a opção mais econômica do complexo. Os quartos comportam até quatro pessoas e os banheiros ficam nos corredores, separados por gênero. Os hóspedes do Inca fazem as refeições no restaurante de autosserviço, e não no salão principal. É a escolha natural de mochileiros, jovens e de quem viaja sozinho.

Chalés

São cinco unidades para quatro a oito pessoas, com dois ou quatro dormitórios, ao menos uma suíte, sala de estar e cozinha privativa. Atendem famílias grandes e grupos que querem mais privacidade sem renunciar aos serviços do hotel. Os chalés não podem ser reservados pelo site: é preciso escrever para [email protected]

Detalhes da fachada icônica do hotel Portillo

Onde comer em Portillo?

A alimentação está incluída na maioria dos programas de hospedagem, com quatro refeições diárias: café da manhã, almoço, chá da tarde e jantar. A adega reúne mais de cem rótulos chilenos.

• Piscina aquecida ao ar livre do Hotel Portillo com vista para as montanhas - piscina portillo

Restaurante principal. No primeiro andar do hotel, serve cozinha internacional com base em produtos chilenos, com destaque para pescados, cortes de carne e pães feitos no forno da casa. Há opções vegetarianas no cardápio.

Bar do hotel. Aberto todas as noites, com petiscos, drinques e música ao vivo. É onde a maior parte dos hóspedes se junta depois das pistas.

Autosserviço. No térreo, atende hóspedes do Inca Lodge e visitantes de um dia, com café da manhã e almoço. Prático para quem não quer perder tempo de neve.

Ski Box. Na base da pista Las Lomas, funciona como parada rápida no meio do dia, com sanduíches, empanadas, chocolate quente, cerveja e vinho.

Tío Bob’s. O restaurante no alto da montanha, com terraço de mesas de madeira voltado para a laguna e a cordilheira. A especialidade são hambúrgueres, carnes e peixes na grelha. Atenção ao detalhe prático: só se chega esquiando, e a descida é recomendada para esquiadores avançados. Quem ainda não tem essa segurança precisa checar se há acesso a pé no dia.

Restaurante em Portillo

Discoteca. No subsolo, com coquetéis, cervejas chilenas e argentinas.

É possível conhecer Portillo e o lago em um dia?

Sim, e a estação estrutura essa visita. A bilheteria funciona das 8h30 às 16h e os meios de elevação das 9h às 17h, com estacionamento em frente ao hotel. Comprando o tíquete pela internet, você chega e já sobe.

Detalhes da Laguna que fica de frente para o hotel em Portillo

Porém, o bate e volta funciona melhor para dois perfis: quem está de passagem pela rota Santiago-Mendoza e quer esquiar um dia, ou quem só quer ver a Laguna del Inca e almoçar com vista. Para um primeiro contato com a neve, com aula, aluguel de equipamento e adaptação à altitude, o dia rende pouco. São cinco horas de estrada somadas, e o relógio da montanha começa às 9h.

Apesar do caminho cansativo, muitas agências de passeios têm oferecido essa opção de tour. Alguns roteiros incluem visita à vinícola, piquenique e paradas em mirantes. Veja as duas opções mais bem avaliadas.

Portillo é para quem?

Há destinos de neve que se visitam e há destinos de neve que se repetem. Portillo é do segundo tipo. O prédio amarelo, o lago congelado embaixo da janela e as mesmas caras no café da manhã não mudam muito de um ano para o outro, e é por isso que tanta gente volta há quatro décadas. Quem procura novidade vai embora achando pouco. Quem procura a sensação de estar longe de tudo, com a cordilheira fechando o horizonte em todas as direções, dificilmente vai uma vez só.

Portillo 2026: guia da estação de esqui mais antiga da América do Sul 2

Valores apurados em agosto de 2026 diretamente no site oficial da estação e sujeitos a alteração. O Sundaycooks viajou a convite da estação de esqui Portillo.

Nos sete bangalôs do hotel-boutique cearense, o dia começa com vento forte e termina com jantar sob teto de palha, a poucos passos do mar.

Cheguei ao Preá após um voo direto de três horas e meia entre Guarulhos e Jericoacoara, e o vento já se anunciava antes mesmo de eu ver o mar.

Foi só descer do carro 4×4 que faz a ligação entre o aeroporto e o hotel para entender por que tanta gente atravessa o Brasil só para sentir essa brisa no rosto.

Casana Hotel na Praia do Preá, Ceará - restaurante

Casana Hotel, um segredo bem guardado no litoral cearense

Inaugurado em 2018, o Casana Hotel fica na beira da praia, num trecho ainda pouco povoado da Praia do Preá, e reúne sete bangalôs onde o dia começa cedo, ao som do mar, e termina devagar, sob teto de palha e luz de vela. Passei três dias por lá e volto com uma lista longa de motivos para recomendar o hotel a quem busca sossego e boa mesa no litoral cearense.

Casana Hotel na Praia do Preá, Ceará - da janela do café da manhã
Casana Hotel na Praia do Preá, Ceará - piscina de fundo infinito

Em maio de 2026, o Casana passou a integrar o Small Luxury Hotels of the World, coleção que reúne hotéis independentes avaliados anualmente por seus padrões de serviço em mais de 100 países. A entrada na SLH reforça algo que já dava para sentir hospedada lá: um hotel pequeno, sem pressa, que aposta tudo no detalhe (destaque para a equipe muito gentil).

Casana Hotel na Praia do Preá, Ceará - piscina infantil

Arquitetura e decoração

Os sete bangalôs do Casana foram erguidos em um terreno de 10 mil metros quadrados de jardim, entre coqueiros e dunas. O conceito da construção busca equilíbrio entre rústico e contemporâneo: teto de palha trançada, estrutura de madeira escura e portas de vidro que se abrem por completo para o mar.

Casana Hotel na Praia do Preá, Ceará - piscina e mar ao fundo

Lá dentro, o mobiliário segue linhas discretas e a decoração aposta em tons neutros que conversam com a paisagem lá fora, tem jeitão de casa na praia daquela amiga com super bom gosto. Gostei do detalhe da automação: pelo painel ao lado da cama, dá para ajustar ar-condicionado, ventilador de teto, luz e cortinas sem sair debaixo do lençol, fazendo diferença após um dia inteiro de kite ou de sol.

Cada bangalô tem terraço amplo com rede, espreguiçadeiras e cama de praia, o cenário certo para o fim de tarde. A brisa que bate ajuda a amenizar a sensação de verão no Nordeste.

Casana Hotel na Praia do Preá, Ceará

Infraestrutura

A vida no Casana gira em torno da piscina de borda infinita, com efeito espelhado em pedra escura e 1,30 metro de profundidade (tem uma versão infantil ao lado, com 30 centímetros). É ali, com uma caipirinha na mão, que boa parte dos hóspedes acompanha o pôr do sol.

Casana Hotel na Praia do Preá, Ceará - recepção

O hotel reúne ainda:

Tudo pensado para quem quer alternar entre o esporte na água e o descanso completo sem sair do terreno do hotel.

Casana Hotel na Praia do Preá, Ceará - sala de reuniões

Suítes

São cinco categorias de acomodação: da Bunk Bedroom, pensada para famílias com crianças e adolescentes, até a Pool Master Suite, a mais espaçosa do hotel, com piscina privativa de borda infinita.

Fiquei hospedada na categoria Suíte, com cerca de 100 metros quadrados nas principais unidades e banheira externa em algumas delas. E a surpresa de entrar no meu quarto e ver uma foto do dia do meu casamento no porta-retrato? Foi jogo baixo, fiquei emocionada com a delicadeza.

A cama tem lençóis de fio alto, os travesseiros são maleáveis o suficiente para escolher a altura certa, e o frigobar já vem abastecido. Toalhas grossas, roupão, chaleira elétrica, máquina de café, chá e cofre completam a lista de amenities. No chuveiro, a linha da Clarins ainda nos abraça, entregando um banho macio e suave. Uma curiosidade: o turndown, aquele serviço de preparar o quarto à noite, é feito diariamente, com direito a um docinho na cabeceira.

Casana Hotel na Praia do Preá, Ceará - amenities
Casana Hotel na Praia do Preá, Ceará - hospitalidade

Quem viaja em grupo pode optar pela Two Bedroom Master Suite, pensada para casais com filhos, com dois quartos independentes sob o mesmo espaço.

Reserve com antecedência as unidades com piscina privativa: são só duas no hotel inteiro e costumam esgotar primeiro.

Casana Hotel na Praia do Preá, Ceará - cama

Wellness Center

Uma novidade que chegou ao Casana depois da minha estadia foi a expansão do SPA, agora com 600 metros quadrados dedicados ao descanso e à recuperação física.

O espaço reúne salas de massagem, lounge, sauna seca, sauna úmida e uma sauna de infravermelho assinada Sunlighten, a primeira do tipo no país. Há ainda terapia de imersão a frio, piscina aquecida, hidromassagem e um Beauty Center para manicure, pedicure e escova.

Nas salas de massagem, o trabalho segue o método Renata França, com protocolos ajustados ao nível de esforço de cada hóspede, o que ajuda bastante após horas seguidas de kite. E aqui confesso que foi uma das melhores massagens que já recebi em SPAs desse tipo.

O Fitness Center funciona como uma boutique gym, com equipamento de última geração e aulas de boxe, muay thai, crossfit, ioga e meditação sob agendamento.

O acesso às áreas térmicas, à piscina e ao fitness está incluído na diária. Já as massagens e os serviços do Beauty Center são cobrados à parte e pedem reserva prévia.

Casana Hotel na Praia do Preá, Ceará - SPA wellness center

Preá: a meca do kitesurf no Ceará

O kitesurf é o motivo que leva boa parte dos hóspedes até o Preá, e o Casana tem parceria com a Duotone para renovar os equipamentos todo ano. Os instrutores têm formação pela IKO (International Kiteboarding Organization) e pela ABK (Associação Brasileira de Kitesurfing), e as aulas partem direto da faixa de areia em frente ao hotel.

Fiz minha primeira aula ali mesmo, com o instrutor segurando a barra por trás enquanto eu aprendia a sentir o vento puxar o corpo. Não é rápido: em média, são precisas quatro ou cinco aulas de duas horas para se soltar sozinho na água, mas a sensação de deslizar pela primeira vez já compensa o esforço.

Casana Hotel na Praia do Preá, Ceará - fim da tarde na praia

Para quem prefere terra firme, o hotel organiza passeios com carros próprios até a Lagoa Azul, a Lagoa do Paraíso, as Dunas da Barrinha de Baixo (o pôr do sol na região é maravilhoso! Veja detalhes no meu vídeo) e a Vila de Jericoacoara. De vez em quando, surge um show ao vivo perto da piscina à noite, e aulas de ioga acontecem conforme a disponibilidade dos hóspedes.

Casana Hotel na Praia do Preá, Ceará fim do dia

Gastronomia

A cozinha do Casana está sob o comando do chef Gian Janjacomo, que chegou ao hotel em 2025 após passagens pelo Notiê e pelo Blu Cozinha do Mar, com destaque na categoria Melhor Cozinha Brasileira da Veja Comer & Beber em três anos seguidos e do Guia Michelin.

O menu muda diariamente, conforme o que chega fresco do mar e da horta orgânica do próprio hotel, e cobre café da manhã, almoço, jantar e snacks, todos inclusos na diária (com exceção das bebidas alcoólicas).

Casana Hotel na Praia do Preá, Ceará - mesa central do restaurante

O restaurante é reservado aos hóspedes, ajudando a manter o clima de casa de praia mesmo nas refeições. Peixe do dia, frutos do mar e verduras cultivadas ali mesmo aparecem com frequência no cardápio, sempre com o cuidado de reduzir o caminho entre a horta, o mar e a mesa.

Uma novidade recente é o cardápio do Bar do Kite, criado pensando em quem sai para velejar: pratos leves, com mais proteína e menos gordura, para dar energia sem pesar antes de uma sessão de duas ou três horas na água.

Casana Hotel na Praia do Preá, Ceará - adega

Localização

O Casana fica na Praia do Preá, cerca de 20 minutos de carro 4×4 do Aeroporto de Jericoacoara (o trajeto final é feito pela areia, e por isso demora um pouco mais do que a distância sugere) e a meia hora da badalada Vila de Jeri. De São Paulo, o voo direto leva cerca de três horas e meia.

Casana Hotel na Praia do Preá, Ceará - por dp spç e kitsurf no horizonte

O Preá é considerado um dos melhores pontos do mundo para o kitesurf. Os ventos alísios (ventos regulares e constantes que sopram dos trópicos em direção à linha do Equador, no sentido de leste a oeste) chegam primeiro por ali, entre julho e dezembro, antes de qualquer outro trecho do litoral brasileiro, e a faixa de areia é longa o bastante para dar espaço a quem está aprendendo e a quem já domina manobras mais complexas. Não é à toa que o hotel virou point de quem quer unir esporte e conforto na mesma viagem.

Depois de quase duas décadas resenhando hotéis pelo mundo, fico feliz em acompanhar de perto o amadurecimento da hotelaria brasileira que vem imprimindo nosso DNA em cada canto. O Casana é mais um exemplo disso.

Natalie viajou a convite do Casana Hotel. Conheça outros hotéis resenhados pela autora na página de hotéis do Sundaycooks.

A imagem do nômade digital não mudou muito desde que a pandemia colocou milhões de pessoas em home office pela primeira vez. O que mudou foi tudo em volta dela: os países correndo atrás desses trabalhadores com vistos próprios, o custo de vida em alta nos destinos favoritos, empresas chamando parte do time de volta ao escritório e um mundo mais instável, com guerras e crises que já obrigaram gente nessa rotina a arrumar as malas às pressas. Hora de conversarmos sobre nomadismo digital e se ainda vale a pena buscar essa vida na estrada.

O termo em si não é novo. Foi cunhado em 1997, ainda no início da popularização da internet, mas ficou restrito a um grupo pequeno de programadores e escritores até a pandemia empurrar parte do mercado de trabalho para essa possibilidade.

Passados cinco anos daquele primeiro boom, dá para fazer um balanço mais frio: quem consegue de fato viver assim, o que os países oferecem agora e onde a promessa de trabalhar de qualquer lugar esbarra na realidade.

Neste texto, vamos abordar:

Nômade Digital

Quantos nômades digitais existem hoje?

Não existe um número fechado e os institutos que pesquisam o tema chegam a resultados diferentes. O Global Digital Nomad Report estimou cerca de 40 milhões de nômades digitais no mundo em 2025. Outro levantamento, feito pela Band em parceria com o Google, aponta 35 milhões, citando ainda uma projeção do Relatório Global de Tendências Migratórias da consultoria Fragomen: o número pode passar de 1 bilhão de pessoas até 2035, caso a tendência de crescimento se mantenha.

O que ambos os levantamentos concordam é a direção: antes da pandemia, as estimativas giravam em torno de 5 milhões de pessoas nesse estilo de vida em todo o mundo. O salto, portanto, foi de muitas vezes esse volume em pouco mais de cinco anos.

Segundo a Nomad List, os Estados Unidos seguem concentrando a maior fatia desses trabalhadores, com cerca de 44% do total mapeado globalmente. Reino Unido, Canadá, Alemanha, França, Brasil, Austrália, Holanda e Espanha, juntos, respondem por outros 26%.

Por que tantos países criaram vistos para nômades digitais?

Se em 2020 apenas um punhado de países tinha algo parecido com um visto de nômade digital, hoje mais de 40 nações têm algum programa desse tipo. O interesse por parte dos governos é direto: atrair gente com renda de fora do país, sem disputar vagas de emprego com a população local.

Do lado de quem pesquisa esses vistos, o movimento também é visível. No mundo, as buscas por digital nomad visas tiveram alta acumulada acima de mil por cento em 2024, segundo a empresa de mobilidade internacional Expatnetwork. No Brasil, o termo nômade digital teve alta de 41% nas pesquisas do Google entre janeiro e junho de 2025.

Nômade digital - como trabalhar fora do país

Espanha, Portugal e as novidades de 2026

Entre os brasileiros, Espanha e Portugal seguem no topo da lista, segundo levantamento da consultoria HAYMAN-WOODWARD, que comparou renda exigida, prazo de análise e regras fiscais em mais de dez países europeus.

Espanha

O visto de teletrabalho internacional passou por reajuste em fevereiro de 2026: a renda mínima exigida do solicitante principal subiu para cerca de 2,8 mil euros mensais (o equivalente a duas vezes o salário mínimo local). Em compensação, o prazo de análise costuma ser rápido, próximo de 30 dias, e o tempo de residência conta para solicitar cidadania espanhola após dois anos.

Portugal

Com o visto D8, exige renda mensal de cerca de 3,7 mil euros e concede residência temporária, com possibilidade de permanência definitiva após cinco anos.

Outros três destinos entraram no radar dos nômades digitais só em 2026:

Coreia do Sul

O visto F-1-D, batizado de workation, passou a valer oficialmente em 30 de junho, com regras mais flexíveis do que o programa piloto testado entre 2024 e maio deste ano. A exigência de renda varia conforme idade e região de destino: quem tem entre 18 e 34 anos e escolhe morar fora de Seul, Incheon ou da região metropolitana precisa comprovar apenas a renda nacional bruta per capita do ano anterior (36,9 mil dólares em 2025), enquanto os demais precisam do dobro. O tempo máximo de estadia subiu de dois para três anos.

Taiwan

Visto de nômade digital, lançado em 2025 com validade de seis meses, passou a permitir estadia de até dois anos a partir de 8 de janeiro de 2026. A renda mínima exigida é de 20 mil dólares por ano para quem tem entre 20 e 29 anos, e de 40 mil dólares para os demais, além de um saldo bancário médio de 10 mil dólares nos últimos seis meses.

Bulgária

O país lançou seu primeiro visto de nômade digital em 20 de dezembro de 2025, exigindo uma renda mínima de cerca de 31 mil euros por ano, a mais baixa entre os países da União Europeia com programa do tipo. Por fazer parte do bloco, o visto também dá acesso à Zona Schengen.

O Brasil também virou destino de nômades

O fluxo não é de mão única. O Brasil tem visto próprio para trabalhadores remotos estrangeiros desde 2022 (o VITEM XIV), com exigência de renda mensal a partir de 1,5 mil dólares ou saldo em conta de 18 mil dólares.

Em outubro de 2025, a Embratur lançou a campanha Brasil, seu escritório dos sonhos, voltada a atrair profissionais remotos de fora do país.

Mesmo com seguro de saúde exigido em boa parte dos vistos de nômade digital, vale reforçar a importância da contratação de um seguro viagem específico antes de qualquer mudança prolongada.

Nômade digital 2026

O que ainda pesa contra esse estilo de vida

A burocracia que travava o nomadismo digital em 2020, como visto de turista sem autorização para trabalhar e cobrança de imposto em dois países ao mesmo tempo, diminuiu bastante com a chegada dos vistos específicos. Mas outras barreiras tomaram o lugar dela.

A principal é o próprio mercado de trabalho. Após anos de expansão do home office, boa parte das grandes empresas endureceu a política de presença física. Segundo levantamento da consultoria Robert Half, 77% das novas vagas divulgadas nos Estados Unidos no primeiro trimestre de 2026 eram totalmente presenciais, contra 19% híbridas e apenas 4% remotas, um recuo em relação ao ano anterior.

Na prática, isso reduz o número de empregos formais compatíveis com a vida na estrada, mesmo com a taxa geral de trabalho remoto nos Estados Unidos seguindo relativamente estável, perto de 22% da força de trabalho, segundo o Federal Reserve de Minneapolis.

Some-se a isso uma onda global de exigências migratórias mais rígidas associada ao avanço de políticas nacionalistas em diversos países… Governos que antes facilitavam a entrada de nômades digitais passaram a solicitar mais documentos, seguros e comprovação de renda, como mostrou reportagem do Estadão sobre brasileiros que decidiram voltar a ter um endereço fixo. Entre os motivos citados pelos entrevistados estão o cansaço de recomeçar do zero a cada mudança e o peso financeiro crescente de sustentar essa rotina.

A questão de quem consegue, de fato, viver assim também segue relevante. Já em 2020, um levantamento do Instituto de Políticas Econômicas dos Estados Unidos mostrava que um em cada quatro trabalhadores brancos no país tinha condições de exercer a função em casa, contra um em cada cinco entre trabalhadores negros e um em cada seis entre hispânicos.

Especialistas em mercado de trabalho continuam apontando esse recorte como estrutural: o nomadismo digital tende a favorecer quem já ocupa cargos de colarinho branco, com formação superior e passaporte que permite circular sem visto por boa parte do mundo.

Ou seja, o nomadismo digital nasceu sobre uma desigualdade que já existia no mercado de trabalho. Some-se a isso o recorte de ocupação e renda: esse estilo de vida tende a favorecer quem já tem cargo qualificado de escritório, formação superior e passaporte que permite circular sem visto por boa parte do mundo.

Nômade digital 2026 - visto e regras

Quando o sonho esbarra na geopolítica

Um texto recente da Fast Company Brasil resume esse ponto cego do imaginário do nômade digital: a videochamada com uma praia ao fundo é ótima até a política externa entrar em cena. O autor descreve o caso de um colega de trabalho hospedado no México que precisou deixar às pressas a região de Jalisco após um episódio de violência ligado a disputas entre facções criminosas. Semanas depois, ataques entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio geraram fechamentos e atrasos nos aeroportos de Doha, Abu Dhabi e Dubai, três dos principais centros de conexão utilizados por quem trabalha remotamente pela região.

O recado por trás dos dois episódios é simples: um passaporte não muda de nacionalidade só porque seu dono está numa outra parte do mundo, e a instabilidade de uma região pode transformar a rotina de trabalho remoto numa corrida por passagens de última hora.

Questões de saúde mental seguem no radar também. Solidão, distância da família, incerteza financeira e dificuldade de separar trabalho de descanso continuam entre as queixas mais comuns de quem já passou meses ou anos nessa rotina.

O preço que os destinos pagam

Até aqui, os problemas descritos são de quem decide virar nômade digital. Mas existe outro lado da conta, pago por quem já mora nesses destinos mais procurados.

O caso mais visível aconteceu na Cidade do México. Em 4 de julho de 2025, um protesto reuniu centenas de moradores dos bairros Roma e Condesa contra o aumento do custo de moradia, atribuído por parte dos manifestantes à chegada maciça de estrangeiros remunerados em dólar ou euro, os chamados nômades digitais.

Segundo reportagem da agência Associated Press, cartazes do ato pediam regulação imobiliária agora; uma parcela dos manifestantes chegou a depredar vitrines e assediar turistas, o que levou a presidente Claudia Sheinbaum a classificar o protesto como xenofóbico, mesmo reconhecendo as críticas ao aumento do custo de vida na região central da cidade.

A raiz do problema é anterior aos protestos. Em 2022, quando ainda era prefeita da capital mexicana, Sheinbaum fechou parceria com o Airbnb e a Unesco para promover a cidade como polo global de trabalho remoto. Um estudo de 2025 da revista acadêmica EURE, da Pontifícia Universidade Católica do Chile, mediu o efeito da política: nos bairros Hipódromo, Condesa, Roma Norte e Roma Sul, o número de imóveis anunciados no Airbnb saltou de 2,9 mil em 2019 para mais de 5 mil em 2023, alta de 74%.

O termo cunhado pelos pesquisadores para descrever o fenômeno é gentrificação transnacional: a chegada de renda estrangeira eleva o preço de aluguel em bairros centrais a um patamar que a população local não acompanha, ainda que o custo de vida médio da cidade siga comparativamente baixo.

O padrão se repete em outros destinos populares entre nômades digitais. Em Medellín, na Colômbia, muros de bairros turísticos foram pichados com frases contra a especulação imobiliária ligada a aluguéis de curta temporada e à chegada de estrangeiros remotos.

Em Portugal, o aluguel em Lisboa e no Porto subiu acentuadamente nos últimos anos, o que já levou o governo português a tentar direcionar parte dos nômades digitais para cidades menores do interior do país, com população mais envelhecida e menos pressão imobiliária.

Nem todo o impacto é negativo, segundo as mesmas fontes: a chegada desses trabalhadores também injeta capital estrangeiro no comércio local e ajuda a recuperar imóveis antes abandonados em áreas centrais.

O ponto de atenção, levantado por pesquisadores e por moradores que foram às ruas protestar, é a distribuição desse benefício: o giro econômico tende a se concentrar em poucos bairros e setores (hospedagem, alimentação, coworking), enquanto o aumento do custo de vida se espalha por toda a cidade.

Glossário: staycation, workcation e bleisure

A popularização do trabalho remoto trouxe junto um vocabulário próprio. Alguns termos seguem úteis para entender as variações desse estilo de vida:

Staycation

Junção de stay (ficar) e vacation (férias). Descreve quem tira um tempo de descanso sem viajar para longe, seja passeando pela própria cidade, seja simplesmente parando em casa por alguns dias sem preocupação com trabalho.

Workcation

Junção de work (trabalho) e vacation (férias). É uma versão em miniatura do nomadismo digital: o trabalhador remoto passa alguns dias trabalhando de outra cidade ou país, cumprindo a rotina normal de expediente, mas com a praia ou a natureza a poucos passos de distância no fim do dia.

Bleisure

Junção de business (negócios) e leisure (lazer). Diferente da workcation, aqui a viagem costuma ser proposta pelo próprio empregador, seja como forma de integração de equipe, seja como dias extras de turismo encaixados numa viagem de trabalho.

Nômade digital: visto

Como pedir visto de nômade digital

Os requisitos mudam com frequência e variam por consulado, então vale sempre confirmar os valores atualizados antes de começar o processo. De forma geral, em julho de 2026, esse é o panorama:

Espanha

Renda mínima de cerca de 2,8 mil euros mensais (o dobro do salário mínimo local). Prazo médio de análise de 30 dias. Residência de até cinco anos, com possibilidade de solicitar cidadania espanhola após dois anos.

Portugal

Renda mínima de cerca de 3,7 mil euros mensais para o visto D8. Concede residência temporária, com caminho para permanência definitiva após cinco anos.

Coreia do Sul

Visto F-1-D (workation), oficial desde 30 de junho de 2026. Renda mínima varia por idade e região: quem tem entre 18 e 34 anos e mora fora da região metropolitana de Seul precisa comprovar a renda nacional bruta per capita do ano anterior; os demais, o dobro desse valor. Estadia de até três anos.

Taiwan

Renda mínima de 20 mil dólares por ano para quem tem entre 20 e 29 anos, e de 40 mil dólares para os demais, além de saldo bancário médio de 10 mil dólares nos últimos seis meses. Estadia de até dois anos, sem caminho para residência permanente.

Bulgária

Renda mínima de cerca de 31 mil euros por ano. Processo em duas etapas: primeiro um visto de longa duração emitido no país de origem, depois a autorização de residência já em solo búlgaro. Validade de um ano, renovável por mais um.

Emirados Árabes Unidos

Renda mínima de 3,5 mil dólares mensais para empregados e 5 mil dólares para donos de empresa, além de seguro saúde válido nos sete emirados. Estadia de um ano.

Brasil

Renda mínima de 1,5 mil dólares mensais ou saldo em conta de 18 mil dólares, com passaporte válido e seguro saúde exigidos na solicitação.

Perguntas frequentes

Quantos nômades digitais existem no mundo em 2026?

As estimativas variam entre 35 milhões e 40 milhões de pessoas, dependendo do instituto de pesquisa, com projeções de crescimento contínuo para a próxima década.

Quais países dão visto de nômade digital para brasileiros?

Espanha, Portugal, Coreia do Sul, Taiwan, Bulgária e Emirados Árabes Unidos estão entre os destinos com programa específico, cada um com renda mínima e prazo de permanência diferentes. O Brasil também emite visto próprio para nômades digitais estrangeiros.

O nomadismo digital ainda está em alta ou já perdeu força?

Cresceu, mas de forma mais madura. O volume global de nômades digitais segue subindo, com o número de países que oferecem visto específico. Ao mesmo tempo, o retorno ao escritório em boa parte das grandes empresas e o endurecimento de regras migratórias em vários países tornaram o estilo de vida mais caro e mais burocrático do que no auge da pandemia.

Para pensar…

Colônia, a duas horas de Montevidéu, tem uma rota que troca o mapa de vinícolas por queijarias, chamada de Ruta Del Queso de Colonia, ou Rota do Queijo no Uruguai, para os mais íntimos.

Entre campos, vacas pastando e queijarias tocadas pela mesma família há gerações, o leste de Colônia guarda um roteiro que ainda escapa do radar do viajante brasileiro. E ele fica ainda melhor com uma taça de Tannat na mão.

Bem longe da badalação de Punta del Este ou da agitação de Montevidéu, o Uruguai guarda uma de suas tradições mais gostosas de descobrir: a produção de queijo. A ideia de reunir as queijarias de Colônia em um roteiro nasceu em 1996, mas só saiu do papel quase 30 anos depois.

Rota do Queijo no Uruguai
Ruta del Queso / Divulgação Ministério Turismo Uruguai

Queijos uruguaios: uma tradição de mais de 160 anos

O queijo chegou à Colônia bem antes de o asado virar sinônimo de Uruguai. Em 1861, imigrantes suíços, alemães, austríacos e alsacianos, fugindo de perseguições religiosas e políticas na Europa, se instalaram no leste do departamento e fundaram colônias como Nueva Helvecia e Colônia Valdense. Eram famílias que já tiravam leite e faziam queijo desde crianças e trouxeram para o campo uruguaio um jeito de trabalhar a terra que atravessou os séculos intacto.

No século XX, a criação do Instituto Nacional de Colonização, em 1948, ajudou a fixar essas famílias e a sustentar a produção ao longo das gerações seguintes. Hoje, o Uruguai soma cerca de 800 produtores de queijo artesanal, a maior parte concentrada nos departamentos de Colônia e San José, a região que a Rota do Queijo atravessa.

Queijo, vinho e doce de leite: o trio é a cara do Uruguai

Os uruguaios têm uma tradição de servir o Queso Colonia, cuja massa semidura tem aqueles “olhos” característicos de fermentação, acompanhado de dulce de membrillo, numa combinação tão clássica que ganhou até nome próprio: o postre Martín Fierro (e lembra um pouco o nosso Romeu e Julieta mineiro). E não para por aí: queijo com doce de leite, espalhado sobre uma torrada ainda quente, é irresistível.

Um Tannat encorpado, uva que virou quase sinônimo do país, casa bem com os queijos mais curados e de sabor mais fechado. Já os queijos mais jovens e cremosos preferem companhia mais leve, como um alvarinho suave. Reserve espaço na mala, porque dessa vez você vai voltar do Uruguai carregando muito mais do que vinho e doce de leite.

Rota do queijo no Uruguai

Rota do queijo: um roteiro que levou quase 30 anos para nascer

A vontade de transformar essas queijarias em roteiro não é de agora: a ideia surgiu em 1996, mas a virada veio em 2023, quando um grupo de produtores da região solicitou apoio à Associação Turística Departamental de Colônia, que chamou o Centro Pyme de Colônia para desenhar essa rota do zero. Em agosto de 2024, a marca Ruta del Queso foi apresentada, batizando oficialmente o que os moradores da região já viviam há gerações.

Quem faz parte da Rota do Queijo no Uruguai

A Rota do Queijo cobre cidades pequenas ao leste de Colônia, como Nueva Helvecia, Colônia Valdense, Rosario, Villa La Paz e Colônia do Sacramento, somando mais de 25 negócios entre queijarias, pontos de venda e serviços de apoio. Entre os nomes que já recebem público estão Landkäse, Naturalia, Nicant, La Positiva, Dufau, Granja 109, La Cremerie, La Cumbre, Los Criollitos, Vinoteca de la Colônia, Honegger, Los Fundadores e La Vigna.

Cada parada tem um jeito de receber. Tem queijaria que abre a produção para uma volta guiada, explica o passo a passo da cura e deixa você provar direto da peça recém-cortada. Tem a que reserva o encontro para uma degustação com pão caseiro, geleias e vinho da região. E tem aquela que serve almoço completo, com o queijo como fio condutor do cardápio, da entrada à sobremesa.

Queijos típicos do Uruguai

Sou uma grande entusiasta da boa mesa e, em 2024, passei quase duas semanas no país visitando diversas vinícolas e restaurantes diferentes. Fiquei muito surpresa por descobrir apenas agora a Rota do Queijo e os queijos típicos uruguaios. Já guarde esses nomes e não deixe de prová-los quando visitar nosso vizinho.

O Queso Colonia é o mais consumido no país e o que melhor representa a região: massa semidura, com aqueles “olhos” que aparecem durante a fermentação, criado ainda em 1861 pelos primeiros colonos suíços.

Já o Queso Yamandú nasceu na Escola de Laticínios de Colônia e viveu seu auge nos anos 1950. Foi a Granja La Cumbre (uma das paradas da rota, em Nueva Helvecia) que tipificou a receita em 1968, e é esse o queijo que acompanha o dulce de membrillo no postre Martín Fierro.

O Queso Zapicán tem formato de paralelepípedo, pesa cerca de 2 quilos sendo feito por queijarias como a Landkäse, em Barrancas Coloradas (outro nome que você já viu na lista de paradas da rota).

Tem também o Queso Chester, de origem inglesa, mas com uma história bem uruguaia: em 2019, um dos herdeiros da Granja La Cumbre encontrou o caderno de receitas do bisavô, de 1921, e resgatou uma fórmula quase esquecida. Levemente picante e cremoso, matura envolto em tecido por pelo menos três meses.

E para quem gosta de sabores mais marcantes, vale procurar os queijos de cabra da região. A La Vigna, também na rota, é uma das queijarias que trabalha com leite caprino, ao lado de nomes como Cerro Negro e La Chèvre Blanche.

Se a viagem render um pouco mais de estrada, vale saber que Paysandú, mais ao norte, tem o Queso Termal maturado nas águas termais salgadas de Almirón, descobertas por acaso nos anos 1940, quando uma perfuração em busca de petróleo encontrou água quente em vez de combustível.

Queijos artesanais do Uruguai
Ruta del Queso / Divulgação Ministério Turismo Uruguai

Como visitar a Rota do Queijo no Uruguai

Onde fica a Rota do Queijo no Uruguai? Entre Nueva Helvecia, Colônia Valdense, Rosario, Villa La Paz e Colônia do Sacramento, a cerca de 120 quilômetros de Montevidéu. (Se a sua viagem começar pela capital, indico o Soho Hotel).

Horário: cada queijaria define seus próprios dias e turnos de visita; a maioria funciona de terça a domingo

Valor: degustações avulsas costumam ficar entre 5 e 15 dólares por pessoa; passeios guiados com refeição têm valor à parte, combinado direto com cada produtor

Transporte: não há transporte público entre as paradas. O mais prático é alugar um carro em Colônia do Sacramento ou Montevidéu, ou contratar um passeio guiado.

Reservas: pelo perfil oficial da rota no Instagram ou direto com cada queijaria, com alguns dias de antecedência

Comidas típicas do uruguai: queijos

Como planejar sua visita

Reserve pelo menos um dia inteiro para o roteiro. Entre uma parada e outra, as estradas de terra e os campos do leste de Colônia já valem a viagem, mesmo antes de você chegar à primeira parada.

Leve dinheiro em pesos uruguaios ou dólares para garantir a compra e a degustação sem contratempo.

O verão puxa o movimento na região, sobretudo de visitantes argentinos, então primavera e outono costumam ser as estações mais agradáveis para rodar de queijaria em queijaria sem pressa.

Como o roteiro ainda está em formação, o caminho mais seguro é confirmar os horários direto com cada produtor antes de sair. Reserve uma noite ou mais em Colônia do Sacramento ou Nueva Helvecia e aproveite o pôr do sol no campo, com queijo, pão e uma taça de vinho por perto.

Se preferir sair do Brasil com tudo organizado, encontrei duas opções de passeios pela região que podem ser reservadas direto com a Get Your Guide:

Colônia de braços dados com o México

Em abril de 2026, esse pedaço de campo uruguaio ganhou um parceiro mais ao norte. Em Colônia Valdense, autoridades uruguaias e mexicanas lançaram o projeto Ruta del Queso de Colônia e Cotija, uma cooperação entre o departamento de Colônia e o estado de Michoacán, no México, unindo duas tradições queijeiras nascidas de histórias parecidas: produção de família, ligada à terra, passada de geração em geração.

Cotija de la Paz é um povoado mexicano reconhecido como Pueblo Mágico e dá nome a um queijo firme, esfarelento e envelhecido, apelidado por lá de parmesão mexicano. A parceria vai bancar a troca de conhecimento entre produtores dos dois países até 2027, com atenção especial à participação das mulheres nas queijarias e no turismo rural das duas regiões.

Do Chile aos Alpes franceses, passando pelo Japão e pelos preparativos para os Jogos Olímpicos de inverno, estações de esqui nos dois hemisférios enfrentam temporadas cada vez mais curtas, mais caras de manter e mais incertas para quem planeja viajar atrás da neve.

Nesta matéria

  • A temporada que não chegou: o inverno chileno de 2026
  • O panorama global: por que a neve está sumindo
  • Hemisfério norte: da Suíça ao Japão, um recuo desigual
  • Hemisfério sul, parte 1: os Andes, entre a crise chilena e o otimismo argentino
  • Hemisfério sul, parte 2: Austrália e Nova Zelândia perdem neve mais rápido que qualquer lugar do mundo
  • Os Jogos Olímpicos de inverno como termômetro da crise
  • Canhões, neve estocada e pistas secas: as apostas da indústria
  • O que isso muda para quem viaja atrás da neve?

A temporada que não chegou: o inverno chileno de 2026

Em julho, no auge do que deveria ser a temporada de esqui no Hemisfério sul, os teleféricos de El Colorado, a menos de uma hora de Santiago, passavam praticamente vazios sobre encostas de terra e pedra. Das pistas de um dos principais complexos perto da capital chilena, 90% seguiam fechadas, de acordo com dados da Aceski, associação que reúne as estações de esqui do país. A neve que restava, fina e majoritariamente artificial, cobria uma fração do que os moradores da região costumam ver por essa época do ano.

O motivo é uma seca que já dura anos, agravada por um inverno particularmente pobre em precipitação. “É neve como a neve natural, mas produzida por turbinas especiais”, explicou à CNN o presidente da Aceski, Michael Leatherbee, ao descrever o sistema de fabricação artificial no qual o setor investiu na última década e meia. O meteorologista Arnaldo Zúñiga, porta-voz da Direção Meteorológica do Chile, calculou que a última grande nevasca da temporada, em 21 de junho, rendeu apenas 24 centímetros de neve: um déficit de quase 60% em relação a um ano considerado normal nos Andes centrais.

O aumento de 2°C na temperatura global já será o suficiente para que 53% das estações de esqui do mundo todo corram o risco de ficar sem neve.

Mais ao norte, nas estações tradicionais de Portillo e Valle Nevado, a escassez de neve obrigou os operadores a adiar o início da temporada de 2026. O impacto se espalhou por toda a cadeia de turismo que vive da neve: hotéis, agências, locadoras de equipamento. A Loja de Neve, empresa que aluga roupas de inverno para turistas brasileiros, chegou a anunciar o adiamento da abertura de suas lojas físicas, justificando que, segundo o monitoramento meteorológico, “não há previsão de neve para os próximos dias na região montanhosa”.

Ainda assim, o setor resiste. Somente em 2025, as estações da região metropolitana de Santiago receberam 1,24 milhão de esquiadores, com um impacto econômico direto de US$ 283 milhões, dos quais US$ 228 milhões vieram de turistas internacionais, segundo a Aceski. É um negócio grande demais para desaparecer muito rapidamente, mas pequeno demais para bancar sozinho a adaptação que a crise climática está impondo.

Passeios de neve em santiago do Chile 05

Nota da editora: dias após a publicação dessa matéria, uma forte frente fria com grandes tempestades tomou conta do Chile. Estações como Valle Nevado, Chillán e Farillones foram tomadas por grandes nevascas. Vamos torcer para o clima continuar assim e não prejudicar o restante da temporada.

O panorama global: por que a neve está sumindo

O que acontece no Chile é sintoma de um problema maior. Estudos publicados na revista Nature mostram que os acúmulos de neve no Hemisfério norte vêm caindo desde a década de 1980.

Andrew Schwartz, cientista-chefe do Central Sierra Snow Laboratory, da Universidade da Califórnia em Berkeley, projeta que, sem redução das emissões de gases-estufa, “uma grande parte do mundo terá invernos sem neve até 2100”. A neve das montanhas funciona como reservatório natural de água doce para cerca de 1,9 bilhão de pessoas; menos neve no inverno também significa solos mais secos e mais vulneráveis a incêndios florestais nos verões seguintes.

O levantamento mais detalhado sobre o impacto direto na indústria do esqui europeia foi conduzido por pesquisadores do Institut National de la Recherche Agronomique (Inrae), da Météo-France e do instituto austríaco Joanneum Research. A equipe analisou mais de 2,2 mil estações de esqui em 28 países europeus e publicou os resultados na Nature Climate Change. Sem produção de neve artificial, 53% dessas estações estariam sob risco “muito alto” de escassez de neve num cenário de aquecimento de 2 °C acima dos níveis pré-industriais. A 4 °C, esse número sobe para 98%.

Um levantamento posterior, publicado em 2024 na revista científica PLOS ONE pela pesquisadora Veronika Mitterwallner e equipe, da Universidade de Bayreuth, na Alemanha, ampliou essa análise para sete das principais regiões de esqui do planeta e chegou a um retrato global: 13% de todas as estações de esqui do mundo devem perder toda a cobertura natural de neve até o fim do século, e outras 20% devem perder mais da metade dos seus dias de neve por ano. Como será visto adiante, esse impacto está longe de ser uniforme entre os hemisférios.

A neve artificial ajuda, mas não resolve. Cobrindo metade das pistas com canhões, o risco cai para 27% e 71% nos mesmos dois cenários. O problema é que fabricar neve consome água e energia justamente quando as duas ficam mais escassas: o estudo projeta um aumento de 8% a 25% na demanda por água a 2 °C de aquecimento, dependendo do país, e uma pegada de carbono que passaria das atuais 80 mil toneladas de CO2 equivalente por ano para até 97 mil toneladas. Ainda assim, os pesquisadores fazem questão de lembrar que o transporte e a hospedagem dos turistas pesam muito mais no total de emissões do turismo de neve do que os canhões em si.

Os números movimentam uma economia considerável: o esqui soma cerca de US$ 30 bilhões em faturamento na Europa e sustenta, direta ou indiretamente, 120 mil empregos só na França.

O que fazer em Park City: onde ficar
Mudanças climáticas nas estações de esqui: a economia do turismo sofre impactos negativos com o aquecimento global

Hemisfério norte: da Suíça ao Japão, um recuo desigual

Na Suíça, a emissora pública SWI swissinfo.ch contabiliza 167 estações de esqui já encerradas, a maioria situada abaixo dos 1.600 metros de altitude, cota considerada crítica porque abaixo dela a neve artificial deixa de compensar: os canhões só funcionam com temperaturas negativas, e essas janelas estão cada vez mais raras nos meses de início e fim de temporada. “Hoje em dia, menos crianças estão aprendendo a esquiar”, constata Monika Bandi, pesquisadora de turismo de montanha citada pela emissora.

Diante do risco de fechamento, os moradores de Flims, Laax e Falera decidiram em votação comprar a própria área de esqui por 94,5 milhões de francos suíços, para evitar que caísse nas mãos de investidores estrangeiros. Na vizinha Áustria, os Alpes estão esquentando a um ritmo quase duas vezes mais rápido que a média global. Segundo dados de campo compilados pela agência de notícias Anadolu, o que já levou as estações a dependerem cada vez mais de neve artificial e trouxe escassez de água a refúgios de alta montanha.

Na França, o efeito já apareceu nas urnas. Em outubro de 2024, moradores de Seyne-les-Alpes votaram em referendo municipal pelo fechamento definitivo da estação Grand Puy, nos Alpes franceses: 71,31% dos votos favoráveis ao encerramento de um complexo de 24 quilômetros de pistas situado entre 1370 e 1800 metros de altitude, que acumulava prejuízos anuais de centenas de milhares de euros. O prefeito Laurent Pascal anunciou planos para reconverter o espaço em trilhas e um lago de pesca, com “atividades esportivas e de natureza que respeitem o meio ambiente”.

Desde a década de 1970, mais de 180 estações fecharam na França, a maioria pequenos complexos de meia montanha administrados por comunidades ou famílias, segundo o pesquisador Pierre-Alexandre Metral, da Universidade de Grenoble.

No Japão, o recuo é mais lento, mas constante. O número de estações de esqui em operação caiu de 698, no pico de 1999, para 417 em 2025, uma queda de 40%, segundo levantamento da Associação Japonesa de Transporte Funicular, citado pela agência Kyodo News. A queda combina dois fatores: menos dias de temperatura negativa, encarecendo a fabricação de neve artificial, e um desinteresse crescente dos próprios japoneses pelo esporte (apenas 2,8 milhões de pessoas disseram ter esquiado em 2024, ante 4,8 milhões em 2015). “Muitas operadoras foram forçadas a fechar as portas devido aos altos custos”, resumiu Makoto Takayanagi, chefe do secretariado da associação.

A leitura muda, porém, se o critério for a confiabilidade da neve em si, e não o número de estações. O SKI Resilience Index, da consultoria imobiliária Savills, que mede a resiliência climática de 62 estações ao redor do mundo, mostrou Niseko e Furano, no Hokkaido japonês, subindo 29 e 26 posições no ranking da temporada 2022/23, impulsionadas por nevascas recordes vindas de massas de ar siberianas.

A própria Savills, porém, classificou a alta como um desvio pontual: na temporada seguinte, as duas estações voltaram a cair no ranking, o que os pesquisadores chamaram de “retorno à tendência”. Isso resume o quadro japonês: por ora, o país tem uma reserva natural de neve que falta a boa parte da Europa, mas a própria Savills alerta que o aumento da temperatura dos oceanos pode comprometer esse padrão nas próximas décadas.

Nos Estados Unidos, a temporada de esqui encolheu entre 5 e 7 dias, em média, entre 2000 e 2019, e o setor já perdeu US$ 5 bilhões nesse período, segundo um estudo de 2024 conduzido por Daniel Scott, da Universidade de Waterloo, no Canadá, e Robert Steiger, da Universidade de Innsbruck, na Áustria. Foram analisadas 226 estações em quatro mercados regionais do país. “Provavelmente já passamos da era dos picos de temporada de esqui”, resume Scott.

O estudo projeta que, até os anos 2050, mesmo com neve artificial, a temporada deve encolher entre 14 e 33 dias num cenário de baixa emissão de carbono, ou entre 27 e 62 dias num cenário de alta emissão, elevando as perdas anuais do setor para algo entre US$ 657 milhões e US$ 1,35 bilhão. A Vail Resorts, dona de complexos como Vail e Breckenridge, já registrou queda de 8% nas visitas na temporada 2023-2024, associada a uma redução de 28% no volume de neve. Máquinas que geravam neve artificial em 41% das estações do Meio-Oeste e do Nordeste americano hoje atendem 89% delas.

No Canadá, a maior estação de esqui de Ontário, a Blue Mountain, vem tocando um plano plurianual e multimilionário de modernização do sistema de fabricação de neve desde 2023, com mais canhões, tubulações e automação para aproveitar ao máximo as janelas de frio cada vez mais curtas. É um retrato do mesmo dilema que aparece da Suíça ao Japão: quanto mais instável fica o clima, mais caro fica abrir a temporada no mesmo calendário de sempre.

No estado de Vermont, um dos polos de esqui do Nordeste americano, o problema não é só a quantidade de neve, mas a instabilidade. A professora Gillian Galford, do Gund Institute for Environment da Universidade de Vermont, explica que os invernos ali esquentaram 2,5 vezes mais rápido que a média anual do estado, criando ciclos de degelo e recongelamento em vez de uma camada estável de novembro a março. Pelas projeções da universidade, até 2080 a temporada de esqui de Vermont pode encolher em um mês, num cenário de altas emissões, ou em duas semanas, num cenário mais contido.

Hemisfério sul, parte 1: os Andes, entre a crise chilena e as duas faces do inverno argentino

Segundo o estudo de Mitterwallner, autoridades chilenas vêm citando uma projeção específica para a cordilheira: até 18% das estações de esqui andinas podem fechar até o fim do século, ante a média global de 13% mencionada acima.

“Os Andes são uma das regiões que mais rapidamente estão perdendo neve”, disse à agência France-Presse o climatologista Raúl Cordero, da Universidade de Santiago. Segundo suas pesquisas, a camada de neve andina encolhe a um ritmo de 10% por década, e a linha de neve sobe, em média, 100 metros a cada dez anos, conforme cálculos do pesquisador Juan Pablo Boisier, do Centro de Ciência do Clima e Resiliência.

A adaptação chilena já começou, com resultados desiguais. Em Nevados de Chillán, 450 quilômetros ao sul de Santiago, canhões de neve artificial mantêm parte das pistas baixas em funcionamento, enquanto no verão o complexo se transforma em trilhas de mountain bike.

Mais ao sul, em Corralco, a estratégia é diferente: em vez de fabricar neve, a estação estoca a que cai durante o inverno, compactando-a em pontos frios para espalhá-la depois, técnica conhecida como snow farming. Já Farellones, a estação de menor altitude da região metropolitana, abandonou praticamente o esqui e se reinventou como um centro de montanha voltado a outras atividades.

Do outro lado da fronteira, a Argentina mostrou como essa variação pode se inverter de uma serra para outra dentro do mesmo país e no mesmo inverno. No norte da Patagônia, o Cerro Catedral, em Bariloche, maior complexo de esqui da América do Sul, abriu no dia 8 de junho com cerca de 40 centímetros de neve acumulados nos setores altos. Isso foi impulsionado por um fenômeno El Niño em fortalecimento, que tende a aumentar as chances de tempestades vindas do Pacífico sobre a cordilheira.

Bem mais ao sul, porém, o cenário se inverteu. O Cerro Castor, em Ushuaia, a estação de esqui mais austral do mundo, teve que adiar a abertura prevista para o fim de junho por escassez de neve e mau tempo. A estação só começou a operar parcialmente em 4 de julho, com as pistas liberadas lentamente conforme a neve artificial e novas nevascas permitiam ampliar a área esquiável.

“Vamos habilitar mais pistas à medida que as temperaturas permitam produzir neve”, explicou à imprensa local o gerente-geral do complexo, Ricardo Peretto. O contraste entre o Cerro Catedral com boa neve e o Cerro Castor com abertura adiada, no mesmo país e no mesmo inverno, ilustra um ponto importante do debate: a instabilidade natural do clima, ligada a ciclos como El Niño e La Niña, ainda pesa bastante temporada a temporada e de uma montanha para outra, mas atua sobre uma base que, ano após ano, fica mais quente e menos previsível.

Montanha com neve no topo em Bariloche
Mudanças climáticas nas estações de esqui: a produção de neve artificial pode piorar o aquecimento global

Hemisfério sul, parte 2: Austrália e Nova Zelândia perdem neve mais rápido que qualquer lugar do mundo

Se um único lugar do planeta resume o problema, é a Austrália. O estudo de Mitterwallner e equipe analisou sete das principais regiões esquiáveis do mundo (Alpes europeus, Andes, Apalaches, Alpes australianos, Alpes japoneses, Alpes do Sul da Nova Zelândia e Montanhas Rochosas) e apontou os Alpes australianos e a Ilha Sul neozelandesa como as duas que devem perder neve mais rápido até o fim do século. Num cenário de altas emissões, o número médio de dias com cobertura de neve deve cair 78% na Austrália e 51% na Nova Zelândia entre 2071 e 2100, as principais quedas entre todas as regiões estudadas.

A dimensão do problema chama atenção: os Alpes australianos cobrem mais de 12 mil quilômetros quadrados e sustentam economias regionais inteiras em torno de complexos como Perisher, Thredbo, Falls Creek e Mount Hotham. Pela regra histórica do setor, uma estação de esqui precisa de cerca de 100 dias de neve por ano, em pelo menos sete de cada dez invernos, com uma cobertura mínima de 30 a 50 centímetros, para se manter viável.

Nos cenários de baixa emissão do próprio estudo, nenhuma das sete regiões analisadas cairia abaixo dessa marca até 2100, o que os autores citam como o principal argumento para reduzir emissões agora, em vez de simplesmente esperar pela adaptação. Parte do setor australiano já se move nessa direção, com mountain bike e outras atividades de verão ganhando espaço mesmo durante o inverno, e o capítulo local da organização Protect Our Winters mobilizando esquiadores e snowboarders em defesa do clima da região.

Os Jogos Olímpicos de inverno como termômetro da crise

Poucos eventos ilustram melhor o problema do que os próprios Jogos Olímpicos de inverno. Para viabilizar a edição de Milão-Cortina, em 2026, as autoridades italianas construíram grandes reservatórios de água perto das principais instalações, somando cerca de 16 milhões de metros cúbicos, destinados exclusivamente a alimentar a produção de neve artificial diante de um começo de temporada abaixo da média na região.

Um estudo conduzido pelos pesquisadores Steven Fassnacht e Sunshine Swetnam, da Universidade Estadual do Colorado, analisou as condições climáticas de 19 edições anteriores dos Jogos de inverno e projetou o que aconteceria com cada sede sob diferentes cenários de aquecimento. Na metade do século, mesmo no melhor cenário considerado pela ONU, cidades históricas como Chamonix (primeira sede, em 1924), Sochi, Grenoble e Garmisch-Partenkirchen deixariam de reunir condições climáticas adequadas para sediar a competição. Se as emissões de gases-estufa continuarem no ritmo atual, Squaw Valley e Vancouver entrarão nessa lista.

Sem neve garantida: como o aquecimento do planeta está redesenhando o turismo de inverno 9
Mudanças climáticas nas estações de esqui – outros pontos durante uma viagem contribuem para a emissão de carbono

Na década de 2080, o clima de 12 das 22 antigas sedes analisadas seria instável demais para os eventos ao ar livre, entre elas Turim, Nagano e Innsbruck. Uma análise à parte do próprio Comitê Olímpico Internacional, citada pela publicação especializada Sportcal, chega a um número ainda mais restrito: até 2040, apenas 10 países no mundo reuniriam condições climáticas para sediar esportes de neve.

O caso mais extremo até aqui foi Pequim 2022, primeira edição a depender de neve 100% artificial, com um consumo estimado em 185 mil metros cúbicos de água só para a fabricação de neve nas pistas. Manter viva a Copa do Mundo de esqui alpino, disputada todo ano em dezenas de estações, também tem custo: preparar uma pista de competição com neve artificial pode consumir entre US$ 500 mil e US$ 3,5 milhões por temporada, segundo estimativas do setor citadas pela Sportcal.

O Comitê Olímpico Internacional já reconhece publicamente que as mudanças climáticas vão condicionar o formato dos Jogos de inverno, que podem se restringir a sedes mais ao norte, como Calgary, ou migrar para altitudes maiores, à medida que o número de locais tecnicamente aptos a receber a competição encolhe.

Canhões, neve estocada e pistas secas: as apostas da indústria

A fabricação de neve artificial não é mágica nem apenas uma questão de baixar a temperatura. O fator decisivo é a chamada temperatura de bulbo úmido, que combina temperatura do ar e umidade relativa e determina se as gotículas de água lançadas pelos canhões conseguem congelar antes de tocar o solo. É por isso que estações nos Alpes, nas Montanhas Rochosas e nos Andes conseguem produzir neve mesmo com o termômetro marcando entre 2 °C e 4 °C: a altitude elevada e o ar mais seco ampliam essa janela técnica de operação. Hoje, mais de 70% das pistas em mercados maduros dependem, total ou parcialmente, de neve fabricada para abrir a temporada.

Outras estações apostam em técnicas mais baratas, como o já citado snow farming de Corralco, ou em alternativas que dispensam neve de verdade. As pistas secas, feitas de escovas plásticas ou tapetes sintéticos, existem desde os anos 1950, quando o instrutor canadense Jacques Brunel patenteou o primeiro modelo. Após perder popularidade nas décadas de 1990 e 2000, o formato vive um novo crescimento: existem hoje mais de mil pistas secas em 50 países, incluindo instalações como a CopenHill, em Copenhague, construída sobre uma usina de incineração de lixo. Nos Estados Unidos, segundo a Agência de Proteção Ambiental do país, a temporada de neve no solo já encolheu mais de 15 dias desde 1955.

Há ainda a diversificação. No Chile, a subsecretária de Turismo, María Paz Lagos, defende publicamente que o setor caminhe para um modelo de quatro estações, onde as montanhas permaneçam ativas o ano todo, e não apenas durante os meses de neve. É a mesma lógica por trás das trilhas de mountain bike em Nevados de Chillán ou da reconversão de Farellones: transformar um negócio dependente de um único fenômeno natural, cada vez mais imprevisível, em algo que resista mesmo num inverno seco.

O que isso muda para quem viaja atrás da neve

Para quem planeja uma viagem de esqui, seja para os Andes, para os Alpes ou para as montanhas do Japão, a lição prática é simples: neve garantida deixou de existir. Estações de maior altitude e equipadas com canhões modernos tendem a manter operação mais estável, mas até elas dependem de janelas cada vez mais estreitas de frio suficiente para fabricar neve. Datas de abertura e fechamento, que antes seguiam um calendário previsível, agora oscilam de um ano para o outro, e cancelamentos de última hora deixaram de ser exceção.

O inverno de 2026 no Chile tem demonstrado como isso se traduz no dia a dia. Em algum ponto entre um inverno perfeito e um inverno seco, o esqui como conhecemos está sendo reescrito, e quem viaja atrás dele vai precisar de mais flexibilidade, e talvez de menos expectativa de encontrar sempre a paisagem branca dos cartões-postais.

Sem neve garantida: como o aquecimento do planeta está redesenhando o turismo de inverno 10
Mudanças climáticas nas estações de esqui – Os turistas devem observar seus impactos a cada escolha durante suas férias

Por que as estações de esqui estão perdendo neve?

Porque o aquecimento global reduz a frequência de invernos frios o bastante para acumular neve natural. Um estudo publicado na Nature Climate Change mostra que, a 2 °C de aquecimento, 53% das estações de esqui europeias correm risco muito alto de escassez de neve; a 4 °C, esse número sobe para 98%.

Vai ter neve para esquiar no Chile em 2026?

O inverno de 2026 começou com déficit de neve na região metropolitana de Santiago (cerca de 90% das pistas fechadas em julho, segundo a Aceski) e com atraso na abertura de Portillo e Valle Nevado. A situação muda a cada semana com as frentes frias; antes de viajar, vale checar a situação atualizada direto com a estação.

E Bariloche, na Argentina, é uma alternativa melhor?

Em 2026, o Cerro Catedral, em Bariloche, teve um começo de temporada mais forte que o Chile, puxado por um El Niño em fortalecimento. Isso não significa que a Argentina esteja livre das mudanças climáticas no longo prazo, apenas que a variabilidade natural do clima ainda pesa bastante temporada a temporada.

Quais regiões do mundo perdem neve mais rápido?

Segundo o estudo mais abrangente já feito sobre o tema (Mitterwallner et al., PLOS ONE, 2024), os Alpes australianos e a Ilha Sul da Nova Zelândia devem ter as maiores quedas na cobertura de neve do planeta até 2100: -78% e -51%, respectivamente, num cenário de altas emissões.

O Japão também está perdendo neve?

Depende do critério. O número de estações em operação caiu 40% desde 1999, principalmente por motivos econômicos e demográficos. Já a confiabilidade da neve em Hokkaido, medida pelo Savills Ski Resilience Index, segue relativamente forte, graças a nevascas vindas de massas de ar siberianas, embora a própria Savills alerte que isso pode não durar com o aumento da temperatura dos oceanos.

Neve artificial resolve o problema da falta de neve?

Ajuda, mas não resolve por completo. A neve artificial só se forma quando a chamada temperatura de bulbo úmido está baixa o suficiente, e sua produção consome bastante água e energia justamente quando as duas ficam mais escassas.

Quais estações de esqui já fecharam por causa das mudanças climáticas?

Na Suíça, 167 estações já encerraram atividades, a maioria abaixo de 1.600 metros de altitude. Na França, a Grand Puy (Seyne-les-Alpes) fechou definitivamente em 2024 após referendo, e mais de 180 estações francesas encerraram atividades desde os anos 1970. No Japão, o número de estações ativas caiu 40% entre 1999 e 2025.

Os Jogos Olímpicos de Inverno estão em risco por causa do clima?

Sim. Estudos citados pelo Comitê Olímpico Internacional apontam que, até 2040, só cerca de 10 países reuniriam clima adequado para sediar esportes de neve, e que cidades históricas como Chamonix e Sochi podem deixar de ter condições para isso já na metade do século.

Destinos de inverno

Uma alma meio brasileira, meio europeia no coração da Serra da Mantiqueira.

Tenho uma teoria sobre hotéis: os melhores são aqueles que te desarmam antes mesmo de você abrir a mala. Foi o que aconteceu durante minhas duas visitas ao Ort Hotel, em Campos do Jordão.

Cheguei com a Anie, enquanto ainda éramos namoradas, um pouco antes do frio pesado subir a Serra da Mantiqueira e voltamos para comemorar nosso primeiro ano de casadas. O hotel nos recebeu com a mesma gentileza: como se soubesse quem éramos e o que precisávamos. Esse tipo de detalhe significa muito.

Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - festival de inverno Campos do Jordão

ORT HOTEL

Abaixo compartilho detalhes sobre esse belo hotel em Campos do Jordão. Mas já adianto: é um lugar que faz a gente querer ficar.

Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - cama confortável

Arquitetura e identidade visual

O prédio principal do Ort foi erguido em 1943, em estilo bávaro, quando Campos do Jordão ainda apostava suas fichas num futuro turístico que levaria décadas para se consolidar. Naquela época, a cidade mais alta do estado de São Paulo já atraía quem buscava o frescor serrano e queria fugir do calor das grandes cidades.

A madeira que contrasta com o jardim, as janelas com molduras escuras e o charme da decoração que insiste em brincar com o vintage e o aconchegante, não são apenas uma questão de nostalgia. É uma proposta arquitetônica que o hotel manteve após a revitalização completa feita entre 2020 e 2021, quando a propriedade passou por sua maior transformação.

A estrutura original foi preservada; o interior ganhou uma leitura contemporânea que convive muito bem com sua herança que me remete aos hotéis que conheci nos Alpes franceses, como o L’Arboisie de Megève.

O que salta aos olhos em cada espaço é o cuidado com a coerência visual. Do lobby às áreas externas, passando pelos corredores e salas de estar, tudo conversa entre si. Madeira, pedra, obras de arte e referências às paisagens de destinos frios formam uma linguagem que o hotel sustenta sem esforço aparente.

Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - arquitetura

Infraestrutura

O hotel guarda 60 acomodações divididas entre apartamentos e chalés privativos, além de uma infraestrutura que daria conta de uma semana inteira sem que você precisasse sair do portão.

O catálogo é longo: piscinas cobertas e externas, academia completa, quadras poliesportivas, sala de cinema com 20 lugares e serviço de garçom, lareira coletiva, salão de jogos com mesa de sinuca, mesa de carteado, air-hockey, pebolim… e a lista não para por aí.

Um observatório para noites estreladas chamado Stern Observatorium, fazendinha com animais, dois vinhedos com mudas trazidas da Itália, mirante com trilha própria, fogos de chão para noites com vinho e fondue e uma loja com produtos artesanais da Casa Ort ainda fazem parte desse pacote.

Quando o frio aperta e o céu de Campos fica cheio de estrelas, reunir todo mundo em volta da fogueira com uma taça de vinho e petiscos é o tipo de cena que não precisa de filtro do Instagram para parecer perfeita.

Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - loja

Suítes e Berg Haus

As acomodações são divididas em categorias que atendem a perfis diferentes. Há desde os quartos da categoria Premier, mais compactos, até as suítes com varanda, com jardim ou com vista direta para a natureza da propriedade. Todas têm amenities selecionadas, pisos aquecidos nos banheiros e aquela cama que, como toda boa cama de hotel de montanha, parece conspirar contra qualquer plano de acordar cedo (mas nem pense em perder o café da manhá do ORT).

Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - suíte com varanda
Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - banheito

O destaque da hospedagem também são os Berg Haus, os chalés privativos da propriedade. O menor começa em 110 m² e o maior chega a 175 m², com capacidade para receber até 8 pessoas. Eles têm sala de estar, varanda com vista para as araucárias, lareira, piso aquecido no banheiro e alguns oferecem cozinha equipada com opção de receber um chef à domicílio.

Para quem viaja com pets, o hotel oferece a categoria Premier Varanda Pet. Para famílias maiores, os apartamentos de 2 e 3 dormitórios chegam a 76 m² e resolvem a logística sem sacrificar o conforto. Reserve o hotel em Campos do Jordão.

Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - sala de estar

Bem-estar: Pureté SPA e wellness

O Pureté SPA oferece uma estrutura própria com quatro salas de tratamento atendidas por fisioterapeutas e massoterapeutas especializadas, com menu que vai de massagem relaxante com pedras quentes a terapias recreativas para crianças. Antes de entrar nas salas, uma jacuzzi é um convite perfeito para o relaxamento.

O espaço Natur é exclusivo para adultos, pensado para quem quer contemplação ao ar livre: uma piscina aquecida revestida de pedras, convés de madeira coberto com lounge, rodeado pela vegetação da Mantiqueira.

Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - SPA com piscina exclusiva
Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - sauna
Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - piscina coberta

Além do SPA, o programa de wellness inclui aulas de ioga nos jardins, pilates, sauna seca e úmida com visão para a piscina coberta, espaço de hidroginástica para até dez pessoas.

O O.lab é uma oficina de cosméticos naturais com ingredientes botânicos da própria Mantiqueira. Lá também é possível fazer oficina de velas e essa é mais uma das atividades diferentes propostas pelos concierges da propriedade.

Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - outono

Atividades e programação

Uma das razões pelas quais o ORT funciona como destino completo é a amplitude da programação oferecida. Não é preciso sair para se divertir, mas se a vontade for de aventura, o hotel cobre esse ponto também.

Arvorismo com tirolesa é uma atração que faz sucesso entre os hóspedes mais jovens e também com os adultos que fingem que estão indo apenas acompanhar as crianças. O percurso passa por cima da fazendinha, onde coelhos, patos, porquinhos da Índia e outros animais circulam livremente.

O hotel também empresta bicicletas para os hóspedes que querem pedalar pelos arredores e oferece passeios guiados por trilhas, como a Pedra do Baú.

Mais tranquilo, o mirante interno da propriedade é destino para café da manhã ao ar livre ou para terminar uma caminhada com vistas para o vale. Os dois vinhedos, ainda jovens, já permitem piqueniques nas bordas dos canteiros.

Embora seja difícil querer sair do hotel e deixar de aproveitar as atividades que ele oferece, se você deseja conhecer um pouco mais de Campos do Jordão, recomendo um tour privativo passando pelos principais pontos da cidade.

Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - folhas coloridas

Gastronomia

O ORT tem quatro opções gastronômicas, cada uma com identidade própria, e duas delas já ultrapassaram os limites do hotel para se tornar referência na cidade.

O Küche é o restaurante principal. Sob o comando do chef Edmar Mendonça, o cardápio celebra a Europa Ocidental com forte influência austríaca, alemã e suíça, sem ignorar o que a Mantiqueira tem de melhor. Spätzle, schnitzel e raclette com queijo produzido na própria serra dividem o menu à la carte com cortes de carne, peixes e ingredientes regionais. O restaurante abre para visitantes que não se hospedam no hotel, fazendo dele um dos endereços mais procurados da cidade.

Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - almoço
Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - restaurante
Onde ficar em Campos do Jordão: Ort Hotel, charme e muita personalidade 11

O café da manhã merece uma menção separada. Ovos, pães artesanais, queijos serranos, bolos, geleias, frutas da estação. É o tipo de café da manhã que inviabiliza qualquer compromisso para antes das 10h.

Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - café da manhã

A Ôpa é a pizzaria do hotel e disputa com o Küche o título de favorita dos hóspedes. Pizza de fermentação natural, forno a lenha, ingredientes selecionados. Faça uma reserva antecipada se quiser aproveitar uma noite por lá.

O Eins é o espaço de alta gastronomia, com menu degustação sazonal e o que o hotel chama de cozinha show: a preparação dos pratos acontece diante dos hóspedes, também comandada pelo chef Mendonça. Funciona em datas específicas e reserva prévia é obrigatória.

Se possível, tente reservar esse jantar com a harmonização de vinhos feita pelo simpático sommelier da casa, o Felipe, e solicite para sentar no balcão. Ver o chef e sua assistente montando esse menu é como ver a São Paulo Companhia de Dança apresentando O Quebra Nozes.

Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - jantar especial com chef

O Arte de Fogo é o churrasco de sábado, com técnica ancestral e cortes preparados no ritmo da montanha. Disponível de maio ao fim de agosto e em datas especiais.

O Musik Bar, com poucos lugares e adega climatizada, recebe shows ao vivo em datas selecionadas. Seu design mistura referências de montanha e europeias, como o resto do hotel, criando um clima ideal para o fim da noite.

Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - bar

Localização

O ORT fica na Rua Engenheiro Gustavo Kaiser, 165, no bairro Vila Natal, a cerca de 170 km de São Paulo. Fica a uns 15 minutos de carro do centrinho agitado de Campos do Jordão, o que é uma vantagem considerável nos meses de alta temporada, quando as ruas da cidade ficam saturadas. Na sua propriedade, a calmaria e o silêncio são uma presença constante (um alívio para mim, que estou estranhando o ruído constante de morar no centro de São Paulo).

O microclima da região de Campos do Jordão garante temperaturas amenas durante todo o ano. No inverno, que vai de junho a agosto, as noites podem passar dos negativos. É a época de maior movimento, mas o ORT funciona 365 dias.

O hotel oferece estacionamento gratuito com serviço de manobrista para os hóspedes. Para quem vai de transporte público, a rodoviária de Campos do Jordão fica na Abernéssia, a cerca de 6 km (aproximadamente 12 a 15 minutos de táxi ou aplicativo até o bairro Vila Natal).

Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - recepção

Quem está por trás desse conceito

O hotel que abriu suas portas originalmente em 1943 atendia pelo nome de Orotour. Em 2020, foi adquirido pelo empresário Fábio Berg, que conduziu uma revitalização completa da propriedade. A área passou de sua metragem original para os atuais 40 mil m². O estilo arquitetônico foi preservado, o conceito de wellness, gastronomia e hospitalidade de alto padrão foi construído do zero.

Hoje, o ORT faz parte de um grupo maior, a Ort Hotéis e Experiências, que tem um segundo projeto em desenvolvimento no litoral norte de São Paulo: o Ozean, à beira-mar, numa reserva florestal de 70 mil m², com expectativa de abertura ainda em 2026 (já estou curiosa para conhecer, ainda mais depois do pequeno spoiler que o chef Mendonça compartilhou sobre o novo menu).

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Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - biblioteca
Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - detalhes quarto

ORT Hotel é para…

Onde ficar em Campos? ORT Hotel em Campos do Jordão, um dos melhores hotéis do Brasil - detalhes da natureza

Para casais que querem uma escapada especial e para famílias que buscam tempo de qualidade juntos (o hotel também tem uma brinquedoteca e espaço para recreação infantil).

E para quem quer se hospedar num lugar que seja LGBT-friendly de verdade, não só no discurso. A Anie e eu não somos tipos que passam invisíveis e em nenhum dos dois momentos que estivemos no ORT sentimos qualquer desconforto. O sorriso da equipe foi o mesmo na primeira visita e na segunda. (Isso importa e muito! Mais do que você pode imaginar). Sempre fomos recebidas com gentileza por toda a equipe.

O hotel é para quem aprecia arquitetura, para os apaixonados por gastronomia, para quem não consegue organizar uma viagem sem movimento, mas também precisa de silêncio. E é, definitivamente, para quem não resiste a uma lareira, a um bom queijo serrano e a um céu que, nas noites limpas de Campos, parece ter sido colocado ali de propósito.

Natalie e Anie se hospedaram no Ort Hotel a convite do hotel. Veja também outros hotéis já resenhados pela Natalie.


Se você está planejando uma viagem para Londres e busca algo além dos pontos turísticos tradicionais, precisa conhecer Little Venice. Durante minha última passagem pela capital inglesa, conheci esse cantinho especial e ele me conquistou logo de cara pela sua atmosfera única e tranquila. Um verdadeiro oásis no meio da agitação londrina.

Little Venice é uma das áreas mais charmosas e menos exploradas pelos turistas brasileiros, e isso é justamente o que a torna tão especial. Localizada no encontro de dois canais históricos, esta pequena região oferece uma Londres diferente daquela que estamos acostumados a ver nos cartões-postais.

O Que é Little Venice?

Little Venice Londres Inglaterra

Little Venice é uma área residencial que fica no encontro do Grand Union Canal com o Regent’s Canal, mais ao norte de Londres. O nome foi popularizado pelo poeta Robert Browning no século XIX, que via semelhanças entre os canais londrinos e os famosos de Veneza.

Diferente da Veneza original, aqui não encontramos gôndolas ou palácios renascentistas. Em vez disso, descobrimos um mundo de casas-barco coloridas e decoradas com flores, cafés flutuantes, apresentações de marionetes e jardins suspensos, tudo emoldurado por casas vitorianas e eduardianas.

A região mantém um ar boêmio e artístico, sendo lar de uma comunidade que escolheu viver sobre as águas dos canais.

Onde fica Little Venice

Little Venice fica entre Paddington e Maida Vale, na zona 2 de Londres. A área principal concentra-se ao redor de Blomfield Road e Warwick Avenue, ou seja: é fácil chegar até lá de transporte público.

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Como chegar em Little Venice

De metrô

De ônibus

A pé

A localização estratégica faz de Little Venice um ponto de partida perfeito para explorar outras áreas de Londres. Dali, você pode seguir para Regent’s Park, Camden Market ou até mesmo fazer uma caminhada pelo canal até King’s Cross.

O Que Fazer em Little Venice

Passeios de Barco pelo Regent’s Canal

A principal atração de Little Venice são os passeios de barco pelo Regent’s Canal. Os cruzeiros familiares de 45 minutos operam em ambas as direções, entre Camden Market e Little Venice, passando pelo Regent’s Park e pelo Zoológico de Londres.

Existem duas principais empresas que operam na região:

London Waterbus Company

Oferece dois tipos de embarcação: os narrowboats históricos com comentários guiados em inglês e os comfort cruisers, embarcações maiores com bar a bordo e música ambiente.

Jason’s Canal Boat Trip

Utiliza um barco original de 1906, proporcionando uma experiência autêntica de transporte pela era vitoriana. O passeio inclui comentários ao vivo sobre a história dos canais.

Os passeios custam entre 23 libras para adultos (preços de 2025) e são uma forma única de ver Londres de uma perspectiva diferente. Durante o trajeto, você passa por áreas residenciais elegantes, o zoológico de Londres e termina no Camden Market.

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Caminhadas ao Longo dos Canais

Para quem prefere explorar por conta própria, as caminhadas ao longo dos canais são gratuitas e encantadoras. O roteiro é bem sinalizado e seguro, oferecendo vistas das casas-barco e da arquitetura londrina.

A caminhada de Little Venice até Camden Market leva cerca de 45 minutos em ritmo tranquilo. Nele, passamos pelo Regent’s Park, pelo Zoológico de Londres e ainda conseguimos observar a vida cotidiana nas casas-barco.

Remington Gardens: O Jardim Secreto

Um dos segredos mais bem guardados de Little Venice são os Remington Gardens, pequenos jardins públicos localizados ao lado do canal. É o local perfeito para um piquenique ou simplesmente para relaxar observando o movimento das embarcações.

Teatro e Arte Flutuante

Little Venice é famosa por suas apresentações culturais. Durante o verão, você pode encontrar teatro de marionetes flutuante, de comédia e até pequenos concertos nas embarcações. É uma experiência londrina que poucos conhecem.

Cafés e Pubs à Beira d’Água

A área também guarda diversos cafés charmosos e pubs tradicionais com vista para os canais. O Waterway, por exemplo, é um gastropub popular que oferece refeições com vista direta para as casas coloridas.

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Dicas práticas para sua visita a Little Venice

Melhor época para visitar

Little Venice é encantadora durante todo o ano, mas o período entre maio e setembro oferece o melhor da região. Durante o verão, os jardins das casas estão floridos, há mais atividades culturais e o clima permite caminhar mais à beira dos canais.

Reserve pelo menos meio-dia para Little Venice. Se você optar pelo passeio de barco até Camden, pode passar o dia explorando ambas as áreas.

Combinando com outras atrações de Londres

Little Venice combina perfeitamente com:

  • Regent’s Park: somente minutos a pé.
  • Camden Market: passeio de barco ou caminhada de 45 minutos.
  • Paddington: para quem está hospedado na região ou chegando de trem.
  • Primrose Hill: ótimo lugar para ver o pôr do sol após visitar Little Venice
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Por que Little Venice vale o passeio?

Little Venice oferece algo que poucos lugares na cidade conseguem: autenticidade sem multidões. É um pedacinho da vida londrina, onde moradores escolheram um estilo de vida alternativo e criaram uma comunidade única.

Para nós, brasileiros, acostumados com o ritmo acelerado das grandes cidades, Little Venice proporciona um respiro necessário. É o tipo de lugar onde você pode sentar em um banco, observar a vida passar e entender por que Londres conquistou tantos apaixonados ao longo dos séculos.

A região também oferece excelentes oportunidades fotográficas. As casas-barco coloridas, os reflexos na água e a arquitetura vitoriana criam cenários perfeitos para suas memórias de viagem.

Passeio diferente por Londres: Little Venice e Camdem Market

Informações Importantes

Little Venice prova que Londres ainda guarda segredos para quem está disposto a explorar além dos roteiros tradicionais. É um lembrete de que às vezes as melhores descobertas de viagem acontecem quando saímos um pouco dos caminhos mais óbvios.

Se você está planejando sua próxima visita a Londres, adicione Little Venice à sua lista. Tenho certeza de que, assim como eu, você se apaixonará por este cantinho especial da capital inglesa.

Percorrer o roteiro dos Beatles em Londres é quase seguir um caminho considerado sagrado para os ingleses.

Beatles. Nenhuma outra banda ou artista remete tanto a Londres e à Inglaterra como a banda de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr, sucesso absoluto nos anos 60, com músicas tão marcantes que são tocadas até hoje em todo o mundo.

O grupo inglês começou carreira em Liverpool, há mais de 350 quilômetros de London Town. Porém, foi na capital da Inglaterra que os Beatles atingiram o nível mais alto do sucesso e sacramentaram uma vaga cativa no hall da fama da música. E com direito.

Qual é a rua famosa dos Beatles em Londres?

Por isso, os lugares onde os Beatles pisaram em Londres são quase um solo sagrado. Abbey Road, as antigas casas dos integrantes, a galeria de arte onde Lennon conheceu Yoko Ono, o local onde a música Yesterday for escrita… são mais de 50 pontos que marcaram a trajetória da banda.

Os tours dedicados que passam por todos esses pontos celebram a Beatlemania e atraem milhares de turistas todos os anos para a Inglaterra. Senhoras e senhores, eu lhes apresento ao palco… o roteiro dos Beatles em Londres. Luzes baixas e som de baquetas.

A história dos Beatles em Londres

Antes de passar pelo roteiro dos Beatles em Londres, o primeiro passo é entender quem foram os Beatles.

Tudo começou em 1957, quando Paul McCartney, então com 15 anos, conheceu John Lennon, com 16 anos. John precisava de guitarrista para sua banda de jazz, The Quarrymen, e Paul de um trabalho.

Pouco depois, George Harrison entrou para o grupo e, em seguida, a formação conhecida e clássicos dos “besouros” foi consolidada em 1962 com a chegada de Ringo Starr.

Ambos substituíram antigos membros que formavam a Quarrymen e, então, estava formado o quarteto mais conhecido da história da música.

O nome “Beatles” passou a ser usado somente em 1960, quase 3 anos após Paul e John terem tocado juntos pela primeira vez.

A ideia com o novo nome, após ter passado por variações como Beatals e Silver Beatles, era apresentar um estilo diferente e mais ousado, deixando de lado o jazz e incorporando o rock (na época, o rock ainda engatinhava e era considerado BEM rebelde).

Estilo esse que atraiu os olhares de Brian Epstein, que viu os Beatles se apresentarem no Cavern Club, em Liverpool. O primeiro agente da banda levou o grupo para gravar suas músicas no Abbey Road Studios, em Londres. E o resto, senhores e senhores, é história.

O que visitar dos Beatles em Londres?

O sucesso foi tão grande que, de 1962 a 1965, a banda tocava toda semana nos estúdios da BBC de Londres.

Dizer que os Beatles foram um grande sucesso ainda é pouco representativo do que foram os anos da Beatlemania, que perdurou de 1962 até 1969.

Até hoje, o grupo detém o recorde de maior número de discos vendidos de todos os tempos, com 183 milhões de unidades vendidas somente nos Estados Unidos, e cerca de 600 milhões em todo o mundo.

Porém, ao contrário de outras bandas que seguiram o sucesso dos Beatles anos depois, a união estável dos quatro membros não durou muito. Após intrigas e disputas internas, a banda teve um fim precoce em 1970.

A última aparição pública da banda aconteceu em janeiro de 1969, em uma apresentação no terraço da Apple Records, a produtora de música fundada pelos Beatles. O show teve a presença do também músico Billy Preston nos teclados.

Apesar de Paul McCartney e Ringo Starr continuarem carreira solo até hoje, com a morte de John Lennon em 1980 e de George Harrison em 2001, uma devida reunião dos Beatles, em toda sua antiga glória e rebeldia dos anos 60, já não é mais possível. (Por favor, não vale recriar esse encontro usando modelos avançados de IA).

O que ficou, além das músicas atemporais, foi um legado, que pavimentou o caminho para outras bandas de sucesso e, peculiarmente, deixou um roteiro dos Beatles em Londres para nós reprisarmos alguns passos da banda.

Roteiro dos Beatles em Londres - abby road studio

O roteiro dos Beatles em Londres

Se você está em Londres e quer percorrer um roteiro musical estrelado, nos lugares onde os Beatles de fato se tornaram o sucesso mundial, então nem precisa ir longe. London Town tem tudo para os fãs.

Para os apaixonados pela história e pela música, esse passeio fica ainda mais rico se feito com um bom guia. Por isso, indico três opções de tours:

O que visitar dos Beatles em Londres?

Se você está a fim de conhecer esses lugares e fazer o roteiro dos Beatles em Londres por si só, fiz um breve descritivo de alguns dos pontos mais marcantes.

A melhor parte é que a maioria deles pode ser visitada sem qualquer custo (além do deslocamento) por serem locais públicos. Ou seja, muitos podem ser visitados de dia ou de noite.

Roteiro dos Beatles em Londres - tour

Abbey Road e Abbey Road Studios

Qual é a rua famosa dos Beatles em Londres? Essa pode parecer óbvia, mas o que seria de um roteiro dos Beatles em Londres sem cruzar a emblemática Abbey Road?

Não só foi no estúdio naquela rua onde a banda gravou seus maiores sucessos a partir de 1962 como também foi capa do algum de mesmo nome em 1969. A verdade é que os Beatles já não estavam em muita sintonia na época. Esse foi o último álbum gravado, apesar de ter sido o penúltimo lançado antes do fim.

Diz a lenda que a tensão já era tão grande no estúdio entre Paul e John que os vocais da música Come Together tiveram que ser gravados separados e mixados juntos depois.

No fim, a foto dos Beatles atravessando a Abbey Road foi tirada em frente ao estúdio e, por ser uma via pública comum, pode ser visitada em qualquer dia e horário.

O problema, obviamente, serão as filas de pessoas que querem recriar a foto histórica. São poucos os lugares no mundo em que vemos filas de pessoas ansiosas para atravessar uma rua.

Roteiro dos Beatles em Londres - abby road

The British Library

Ok. Você deve estar se perguntando: o que raios uma biblioteca tem a ver com um roteiro de Beatles em Londres?

A British Library tem um acervo histórico do grupo. É aqui que estão expostos cartões de aniversário, letras de músicas rabiscadas em guardanapos e escritos completos e originais de letras como Help e Yesterday.

Além disso, o local tem ainda três manuscritos de John Lennon que incluem a letra da música Strawberry Fields Forever (vejam o clipe e, além de suspeitarem que rolou algum entorpecente antes da gravação, fiquem atentos à forma com que o George Harrison corre no início).

O melhor disso tudo é que o museu é um extra para os fãs de Beatles, ficando fora do circuito de muitos tours e ainda tem entrada gratuita.

The British Library
Endereço

96 Euston Road

Horários
  • Segunda a sexta, das 9 às 16h30
  • Sábado e domingo: fechado.
Ingressos
  • Entrada gratuita.

London Palladium Theatre

O London Palladium Theatre foi o palco do nascimento da Beatlemania. Foi aqui que o termo começou a ganhar força após um show da banda em outubro de 1963.

Na época, o Daily Mail estampou o termo na sua capa na manhã seguinte ao show, descrevendo o estado dos fãs que tomaram conta do teatro.

Além disso, esse é mais um dos lugares que acrescentam originalidade ao seu roteiro dos Beatles em Londres. Afinal, assim como a British Library é mais um daqueles lugares fora do circuito dos tours.

Ah, e a arquitetura do teatro é linda. Vale passar lá só para admirar, mesmo não sendo fã de Beatles. Quando não há apresentações no local, é possível fazer uma visita gratuita e ver o palco bem de perto.

London Palladium Theatre
Endereço

8 Argyll St, Soho

O Sundaycooks viajou a convite do Visit Britain e da Norwegian Air.

Agenda Cultural Nova York 2025: esse é um ano rico em programação cultural. Se você está planejando uma viagem, prepare-se para encontrar uma cidade renovada, com museus reinaugurados, exposições únicas e eventos que prometem abalar. Organizei aqui tudo o que você precisa saber para aproveitar ao máximo a agenda cultural novaiorquina.

Museus reinaugurados: arte com cara nova

The Frick Collection volta mais linda

Em abril de 2025, um dos museus mais charmosos de Nova York reabriu suas portas após uma grande reforma. The Frick Collection agora tem 2.500 metros quadrados de novas instalações e, pela primeira vez, o primeiro andar da mansão histórica na Quinta Avenida está aberto ao público.

A coleção permanece intimista, mas agora você pode explorar espaços que antes eram privados, numa oportunidade única de ver como viviam os magnatas norte-americanos do início do século XX.

Reserve pelo menos 2 horas para a visita e aproveite que a localização no Upper East Side combina perfeitamente com um passeio pela Quinta Avenida. (Garanta seu ingresso com a Get Your Guide).

Vermeer em Nova York: momento histórico

Até 31 de agosto de 2025, Nova York se torna o centro mundial dos amantes de Vermeer. The Frick Collection apresenta Vermeer’s Love Letters, reunindo três obras do mestre holandês, incluindo empréstimos especiais do Rijksmuseum e da National Gallery da Irlanda.

O que torna este momento especial é que, com essas três obras, mais cinco no Met e outras duas também na Frick, Nova York abriga temporariamente 10 Vermeers, cerca de um terço de todas as telas conhecidas do artista.

Compre os ingressos com antecedência porque esta é daquelas exposições que marcam época e os tickets costumam esgotar rapidamente.

Metropolitan Museum: nova ala africana e da Oceania

O Metropolitan Museum reabriu em maio de 2025 a Michael C. Rockefeller Wing, que estava fechada desde 2021. A reforma transformou a apresentação das coleções de arte africana e da Oceania, criando galerias amplas com mais iluminação natural e uma curadoria renovada que celebra a história e os movimentos desses povos.

Quais são os melhores museus de Nova York? MET

The Jewish Museum: 30 Anos de renovação

A reinauguração mais aguardada fica para outubro de 2025. The Jewish Museum passa pela sua atualização arquitetônica mais significativa em mais de 30 anos, com novas galerias, mais de 200 obras e um centro de aprendizado renovado. O destaque especial vai para a instalação dramática de lâmpadas de Hanukkah.

Exposições imperdíveis

Amy Sherald no Whitney: retratos que fazem história

Até 10 de agosto de 2025, o Whitney Museum apresenta Amy Sherald: American Sublime, uma exposição que reinterpreta a identidade afro-americana, incluindo o famoso retrato da ex-primeira-dama Michelle Obama. Sherald é uma das artistas mais importantes da arte contemporânea americana, e esta retrospectiva oferece uma visão única sobre questões raciais e identidade nos Estados Unidos.

Novidades espaciais: planetário com Pedro Pascal

O American Museum of Natural History inaugurou Encounters in the Milky Way no Hayden Planetarium. O espetáculo espacial é narrado pelo ator Pedro Pascal e usa dados inovadores da missão Gaia para uma viagem imersiva pela galáxia. É uma experiência que combina ciência com storytelling cinematográfico, perfeita para toda a família. (E todo mundo ama o Pedro Pascal, não é mesmo?)

Garanta seu ingresso para o museu comprando com a Civitatis (você paga em Real e sem cobrança de IOF).

Brooklyn Museum: 200 anos de história

O Brooklyn Museum comemora seu bicentenário com Breaking the Mold: Brooklyn Museum at 200, em cartaz até 22 de fevereiro de 2026. A exposição em três partes destaca o legado do museu por meio de obras criadas no Brooklyn, peças históricas e presentes comemorativos de artistas famosos.

Vale a viagem para o Brooklyn: é uma oportunidade de conhecer um dos museus mais importantes de Nova York fora de Manhattan e a exposição oferece uma perspectiva diferente sobre a evolução cultural da cidade.

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Teatro e espetáculos: o melhor da Broadway e além

Central Park: Shakespeare gratuito volta com tudo

O Delacorte Theater no Central Park vai reabrir em agosto de 2025 com uma superprodução de Twelfth Night, estrelada por nomes como Lupita Nyong’o, Peter Dinklage, Jesse Tyler Ferguson e Sandra Oh.

Durante o verão norte-americano, o festival Free Shakespeare in the Park oferece espetáculos gratuitos dos clássicos shakespearianos. Para conseguir ingressos, você precisa chegar cedo, pois a fila costuma se formar pela manhã para as apresentações que acontecem à noite.

Posso assistir Shakespeare in the Park sem falar inglês fluente? Sim! O teatro físico e a atuação ajudam muito na compreensão e é uma experiência cultural única.

Agenda Cultural Nova York 2025 museus, exposições e Broadway

Broadway Week: ingressos pela metade do preço

Em setembro de 2025 (8 a 21), volta a NYC Broadway Week, oferecendo dois ingressos pelo preço de um para espetáculos selecionados da Broadway.

Em outubro (14 a 26), é a vez da NYC Off-Broadway Week. Para quem viaja com orçamento mais apertado, essas duas semanas são oportunidades incríveis de assistir aos melhores espetáculos pagando muito menos.

Shows da Broadway em Nova York - dicas de ingressos

Eventos esportivos e grandes celebrações

US Open: tênis de classe mundial

De 25 de agosto a 7 de setembro de 2025, o US Open acontece no Billie Jean King National Tennis Center, em Flushing Meadows, Queens. É um dos quatro torneios Grand Slam do tênis mundial e sempre há expectativa pela participação de tenistas brasileiros. A atmosfera é única e, mesmo se não conseguir ingressos para as finais, os primeiros dias têm entradas mais acessíveis.

NYC Marathon: a Maior maratona do mundo

Dia 2 de novembro de 2025, a TCS New York City Marathon deve bater novamente o recorde de 55 mil participantes. Mesmo que você não corra, é incrível ver a cidade se mobilizar para o evento. A maratona é um verdadeiro festival urbano, com vários pontos da cidade ficam fechados, mas a energia é contagiante.

Olhando para 2026

Celebrações do 250º aniversário da independência

De 3 a 9 de julho de 2026, Nova York e Nova Jersey receberão o Sail4th 250, com a maior flotilha internacional de navios de todos os tempos navegando no porto de Nova York. Haverá queima de fogos da Macy’s, apresentação dos Blue Angels e festivais gastronômicos.

Agenda Cultural Nova York 2025 museus, exposições e Broadway

Planejamento Cultural: dicas práticas

A melhor época para visitar é durante a primavera e verão (abril a setembro), quando encontramos mais eventos ao ar livre. No outono e inverno, a temporada forte é de Broadway e exposições especiais.

Para o orçamento, calcule cerca de 25 a 30 dólares por entrada em museus, 50 a 200 dólares para Broadway (mas aproveite as semanas promocionais) e lembre-se de que há muitos eventos gratuitos, como o Shakespeare in the Park.

Quanto às reservas, para exposições especiais como a de Vermeer, reserve com 2-3 semanas de antecedência. Para a Broadway, 1-2 meses para espetáculos populares é o ideal. Para eventos esportivos, quanto antes reservar, melhor.

Roteiro para mulheres lésbicas em NY: highline

Como me locomover entre os eventos culturais?

O metrô é sua melhor opção. Compre um MetroCard ou use o pagamento por aproximação com seu celular.

A programação cultural de Nova York para 2025-2026 está realmente excepcional. Entre museus renovados, exposições únicas e eventos históricos, há motivos de sobra para planejar (ou replanejar) sua viagem. A cidade que nunca dorme preparou uma agenda que promete!

Você já se decepcionou com uma hospedagem que parecia perfeita nas fotos, mas na realidade deixou muito a desejar? A Holmy promete ser a solução para esse problema, oferecendo uma curadoria rigorosa de casas e apartamentos para aluguel temporário no Brasil. Mas será que vale a pena trocar plataformas consagradas por essa nova opção brasileira?

como reservar hospedagem na HOLMY

Vou analisar tudo sobre a Holmy: desde como funciona até se realmente oferece vantagens em relação ao Airbnb e outras plataformas similares.

O que é a Holmy e como funciona?

A Holmy é uma plataforma brasileira de aluguel por temporada fundada em 2020 pelas jornalistas Anna Laura e Tati Sisti. A curadoria cuidadosa das propriedades é seu grande diferencial: somente acomodações que passam por uma rigorosa seleção são aceitas.

Como funciona o processo de reserva:

  1. Pesquise o destino e as datas no site da Holmy
  2. Filtre por tipo de propriedade, comodidades e preço
  3. Analise as fotos e descrições detalhadas
  4. Reserve com pagamento seguro via PIX ou cartão
  5. Receba informações de check-in personalizadas
  6. Aproveite o suporte durante toda a estadia

A empresa foca no mercado brasileiro, oferecendo hospedagens em destinos como Paraty, Campos do Jordão, Serra da Mantiqueira, Cunha, Monte Verde e diversas praias do litoral paulista e carioca.

É seguro reservar pela Holmy?

Holmy vs Airbnb: comparação completa 2025

Para entender se a Holmy é realmente vantajosa, criei uma comparação detalhada entre as duas plataformas:

CritérioHolmyAirBnB
CuradoriaAnálise criteriosa das propriedadesQualquer pessoa pode cadastrar
QualidadePadrão mínimo garantidoQualidade variável
TaxasA menor taxa do mercadoTaxa entre 14 e 16%
Desconto PIX3% de descontoNão oferece
ParcelamentoAté 3x sem jurosÀ vista ou com juros
AtendimentoHumanizado via WhatsAppChat/e-mail automatizado
Idioma100% português brasileiroTradução automática
Foco geográficoBrasilMundial
VariedadeCatálogo menorMilhões de opções
AplicativoSite responsivoApp completo
ExperiênciaFoco em experiências únicasFoco em quantidade

A Holmy é confiável?

Sim, a Holmy é um site seguro e confiável. Aqui estão os fatores que analise:

Segurança de pagamento

Verificação de propriedades

Respaldo legal

Experiências reais da Natie Soares

Já me hospedei em quatro casas diferentes em Campinas, Embu das Artes, Ilhabela e Paraty. Cada hospedagem tinha uma personalidade distinta e o processo de reserva sempre foi muito simples. Precisei alterar a data da minha viagem de núpcias (errei a data do casamento!) e a Concierge me ajudou prontamente.

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Como economizar na Holmy: dicas práticas

1. Aproveite o desconto no PIX

O pagamento via PIX oferece 3% de desconto sobre o valor total da reserva. Para uma estadia de R$ 1.000, você economiza R$ 30.

2. Reserve em períodos de baixa temporada

Evite feriados prolongados e alta temporada. Reservas de domingo a quinta-feira costumam ter preços mais atrativos e fique atento às promoções.

3. Use o atendimento personalizado

A Concierge Holmy pode te auxiliar a achar a casa perfeita para sua próxima viagem. Ela faz uma busca ativa para encontrar a hospedagem que mais combine com seu perfil.

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Perguntas Frequentes sobre a Holmy

Qual a taxa da Holmy para hóspedes?

A Holmy cobra uma taxa de serviço reduzida. Não há custos ocultos e o preço final é transparente desde o início.

Como funciona o cancelamento na Holmy?

A política de cancelamento varia por propriedade, mas geralmente segue três modalidades:

A Holmy tem app para celular?

A Holmy tem apenas o site responsivo e otimizado para dispositivos móveis.

Posso usar a Holmy para viagens em grupo?

Sim! A plataforma tem filtros específicos para propriedades que acomodam grupos grandes, com casas que recebem até vinte pessoas.

Quais destinos estão disponíveis na Holmy?

A Holmy atende principalmente destinos no interior de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e região Sul.

Como entrar em contato com o suporte da Holmy?

O atendimento funciona via WhatsApp, e-mail ([email protected]) e chat no site. O horário de funcionamento é de segunda a domingo, das 8h às 22h.

aluguel temporada Holmy

Principais vantagens da Holmy

Vale a pena usar a Holmy? Conclusão

o que é Holmy?

A Holmy é uma excelente opção para viajantes que priorizam qualidade sobre quantidade e buscam experiências autênticas no Brasil. Se você já teve decepções com hospedagens que não correspondiam às expectativas, a curadoria rigorosa da plataforma pode ser a solução.

Recomendo a Holmy para:

Minha avaliação final:

A Holmy consegue entregar sua proposta de valor: hospedagens especiais com atendimento humanizado. Embora o catálogo seja menor que o dos concorrentes, a qualidade consistente e o foco na experiência do hóspede fazem dela uma opção sólida para viagens nacionais.

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Esse artigo contém links de programas de afiliados. Ao reservar por aqui, você ajuda a custear as despesas fixas do site sem pagar nada a mais por isso.

Antes de seguirmos juntos nessas próximas linhas, preciso te contar um quase segredo: sou aficionada por hotelaria e hospedagens. Gosto de hotéis que contam histórias, que nos abraçam e às vezes até nos tiram para dançar. Graças aos meus quase 17 anos de profissão, tive a dádiva de conhecer um pouco de tudo. Pelo menos era o que eu achava até chegar no Le Grand Mazarin, em Paris.

Então me deixe te apresentar um portal que se escancara para um mundo de realismo fantástico. Ele fica no Marais, em Paris, e atende pelo nome de Le Grand Mazarin. Mais do que uma imersão visual e sensorial, esse hotel é um desafio narrativo para textos de viagem que não carregam a mão em adjetivos. Por lá, eles são apenas superlativos.

Faltava pouco para retornar ao Brasil depois de um mês viajando sozinha pela França, cansada e cheia de malas (pessoal que viaja sem despachar bagagem, me desculpem! É impossível resistir aos mercados franceses), cheguei para fazer o check-in e o concierge me perguntou:

— Onde você chama de casa? Menos de três minutos depois, já tinha uma reserva para jantar e uma garrafa gelada de champanhe me esperando no quarto. Era hora da magia começar.

A primeira impressão que tive, ao abrir a porta, era que fora transportada para o universo do cineasta Wes Anderson. Mas eu não poderia ter sido a primeira pessoa a pensar nessa referência. Não mesmo.

Dito e feito. A própria Condé Nast Traveler, a Vogue do mundo do turismo, definiu o Le Grand Mazarin como “uma atmosfera de salão literário onde Wes Anderson encontra Alice no País das Maravilhas”. Como é mesmo aquele ditado em inglês? Isso mesmo! Great minds think alike.

Le Gran Mazarin e arte de uma história bem contada

Dando um baile de storytelling, o hotel foi inspirado nos salões literários que pipocavam no Marais durante o século XVII. Esses espaços costumavam reunir artistas e pensadores da época para o que hoje chamamos, com muito menos glamour, de “rodas de conversas”.

Arquitetura da alquimia

É impossível pensar no Gran Mazarin e não falarmos sobre arquitetura. O hotel respira a criatividade purgante do designer sueco Martin Brudnizki.

Nas palavras do próprio arquiteto:

“Fomos inspirados pelo conceito de salão, onde figuras da arte, literatura e música se reuniam em residências suntuosas, trocando ideias e pensamentos. Há uma sensação de colecionador em cada espaço (…)”

Engenhosidades maximalistas dão as mãos ao clássico francês banhado de muita cor. Isso teria tudo para dar errado em qualquer outro lugar do mundo, menos em Paris. Seu conceito abraça a história, o mundo das artes e literatura como só um endereço no Marais poderia fazer.

Le Grain Mazarin - recepçao

O escritório de arquitetura se preocupou em trabalhar com muitas empresas classificadas como Entreprise du Patrimoine Vivant (EPV é um selo governamental criado para distinguir as empresas francesas com um conhecimento único e excepcional). E esse resultado fica claro assim que conhecemos mais detalhes sobre a propriedade.

Arte por todos os cantos

Le Grain Mazarin - predio

Quinhentas obras de arte fazem parte do acervo do hotel, sendo integradas magicamente entre as áreas comuns e até mesmo nas suítes. A seleção ficou a cargo da Amélie du Chalard, uma galerista e curadora que trouxe aquela pitada de pimenta para o molho do Gran Mazarin.

As janelas para o pátio foram ilustradas pela artista Sophia Pega, que usou uma técnica chamada trompe-l’oeil que monta uma diferente perspectiva, criando uma sensação de ilusão de ótima. Já os tetos do bar e do restaurante receberam um trabalho exclusivo feito pelo Ateliers Gohard.

Por fim, o destaque vai para o afresco que toma todo o teto e desce pelos pilares que cercam a piscina que fica no subsolo. É algo único. O trabalho foi assinado por Jacques Merle e foi inspirado em Jean Cocteau, um artista francês multifacetado que marcou o século XX.

Le Grain Mazarin - SPA

Le Grain Mazarin: sonho de uma noite de verão

Suíte

Um dossel dramático dita o tom do meu quarto, que consegue destacar símbolos históricos excêntricos e ainda dialoga com itens de bem-estar modernos. Ele lembra o estilo de tapeçaria Aubusson, tradição nascida na cidade francesa homônima. As luminárias foram feitas sob medida e muitos itens de decoração foram garimpados em feiras de antiguidade, deixando todo o conceito ainda mais original.

Le Grain Mazarin - detalhes da decoração do quarto

Outro detalhe me chamou a atenção: o cuidado com a seleção das marcas que complementam o ambiente da suíte. Por exemplo: o café oferecido para os hóspedes nos quartos é da marca Joyeux, uma rede de cafeterias francesa que empresa pessoas com deficiência. E quando o assunto são as amenities, nomes cobiçados como Diptyque, Tata Harper e Augustinus Bader dão seus shows na hora do banho.

Nunca uma noite num hotel passou tão rápido quanto aqui.

Gastronomia

Espaço muito cobiçado pelos próprios parisienses, o restaurante Boubalé oferece um menu assinado por Assaf Granit, chef israelense premiado. Inspirado nos pratos típicos da culinária judaica do Leste Europeu, também conhecida como cozinha Ashkenazi, ele trabalha com ingredientes frescos e apresentações diferentes que nos levam para sabores inesperados.

O Le Bar também é outro ambiente disputado. Aqui, drinks autorais e aperitivos deixam a noite mais perfeita. E de quinta a sábado, ainda é possível aproveitar as apresentações de músicas no Library Bar, um lugar quase secreto no hotel.

Le Grain Mazarin - restaurante

Infraestrutura

Inaugurado em 2023, o Gran Mazarin fica num prédio histórico do século XIV e tem apenas 61 quartos. Nem hotel-boutique, nem hotel de rede. Ou seja, na medida ideal para ser reconhecida pela equipe e não se perder pelos corredores.

Além das suítes, do restaurante e do bar, o hotel ainda tem um SPA, uma academia, jacuzzi, hammam e uma piscina coberta, raridade em Paris.

A academia merece seu destaque: é difícil ter a oportunidade de praticar atividade física num ambiente tão cheio de personalidade. Até eu, a rainha envergonhada do sedentarismo, fiquei com vontade de aproveitar as bicicletas de spinning.

Le Grain Mazarin - academia

SPA

Sob a abóboda mais artística da Europa desde a pintura da Capela Cistina, o SPA divide uma área no subsolo com a academia, jacuzzi e a piscina. O espaço de relaxamento é famoso por oferecer massagens que seguem o método Anne Cali, uma profissional na área de bem-estar que desenvolveu técnicas especiais de massagem e drenagem linfática (confesso que fiquei com vontade de testar).

Le Grain Mazarin = piscina

Serviços

Pode parecer que estou rasgando seda, mas preciso falar sobre o nível de serviço do Le Grand Mazarin. Impecável, ao mesmo tempo, amigável e cortês. E por que isso vale uma nota de destaque? Muitos hotéis de altíssimo padrão criam um ambiente quase opressor, um lugar de não pertencimento, cujos funcionários chegam a soar aristocráticos. E aqui o oposto acontece.

Atenção máxima aos detalhes (me atrasei para o jantar e, quando cheguei na recepção, o concierge já tinha avisado o restaurante) até um jesto de simpatia espontânea da equipe durante o café da manhã. Quisera eu encontrar esse tipo de cuidado em outros lugares.  

Le Grand Mazarin e famílias

Eclético e singular, o Gran Mazarin também está bem-preparado para receber famílias com crianças e bebês pequenos. Ursinho de pelúcia, berço e até ammenities infantis fazem parte da atenção aos detalhes. O melhor de tudo? O concierge está pronto para oferecer sugestões de Paris para os petits.  

Le Grain Mazarin - amenidades

Localização

O hotel nos proporciona uma vivência quase extravagante de história e arte bem no coração do Marais, um bairro clássico de Paris. Ele fica na esquina da Rue des Archives e Rue de la Verrerie, próximo de marcos da capital francesa como o Museu Picasso, o Museu Carnavalet, o Centro Pompidou e a Tour Saint-Jacques. A Rue de Rivoli e o Hôtel de Ville (a prefeitura da cidade) ficam a um quarteirão de distância.

O Marais é meu lugar favorito para se hospedar em Paris. É onde Paris encontra Paris. Entre galerias, antiquários, vitrines de estilistas e bistrôs, é puro charme. É um bairro com alma boemia e DNA francês. O Le Grand Mazarin não poderia ter escolhido endereço melhor para chamar de casa.

Maisons Pariente: o nome por trás do conceito

O Grand Mazarin é o quarto hotel do Maisons Pariente, um grupo hoteleiro que eleva o conceito de hospitalidade francesa a novos patamares. Completam esse quarteto o Crillon-le-Brave em Provence, Le Coucou em Méribel e Lou Pinet em Saint-Tropez.

A título de curiosidade, o restaurante do hotel leva o nome de Boubalé que em iídiche (língua germânica das comunidades judaicas da Europa Central e Oriental) quer dizer “minha bonequinha, minha queridinha”. Essa era a forma carinhosa como as cofundadoras do grupo costumavam ser chamadas por suas avós.

O Grand Mazarin é para…?

Ele é o meu número. Criativo e diferente, o Grand Mazarin é perfeito para quem gosta de design, de ouvir uma história bem contada e para quem busca a essência de Paris que vai muito além da Fashion Week. Não vejo a hora de poder voltar.

Le Grain Mazarin - suite

Natalie ficou hospedada no Grand Mazarin a convite do hotel.

O centro histórico de São Paulo é uma região muito rica em pontos turísticos interessantes. Nessa área, é possível visitar diversos lugares a pé cuja entrada é gratuita, aumentar a conexão entre a cidade e seus frequentadores, ouvir sotaques do Brasil e do mundo inteiro e ainda conhecer lugares que passam desapercebidos para quem tem pressa. 

De museus, bares, centros culturais, estabelecimentos comerciais de tradição a adaptações de espaços públicos, o centro histórico de São Paulo vem passando por um longo e tumultuado processo de revitalização para as pessoas poderem frequentar mais a região. Várias iniciativas privadas têm surgido nos últimos anos, mas algumas ações governamentais seguem sendo mal aplicadas, o que pode aumentar ainda mais a sensação de insegurança.

A lista de lugares para visitar o centro histórico de São Paulo é bem extensa, mas começamos com 17 atrações que visitamos recentemente e mais 3 que já publicamos. Reunimos em um só lugar tudo que esta área pode nos oferecer e, claro, com dicas de segurança para você voltar de lá com boas histórias para contar. (O texto com nossos bares e restaurantes favoritos vai ficar para 2025, prometo!)

Uma rápida passagem pela história de São Paulo 

A região conhecida como centro histórico de São Paulo ou centro velho de São Paulo é uma área central de aproximadamente 185.000 m² onde aconteceu sua fundação em 25 de janeiro de 1554 pelos jesuítas. 

A partir de 1860, a agricultura cafeeira começava a expandir, principalmente com a construção da ferrovia The São Paulo Railway (SPR), que ligava Santos a Jundiaí para transportar o ouro negro, como era chamado o café na época. 

Durante a virada de século, o centro histórico de São Paulo recebeu iluminação pública a gás e construções de viadutos, como o viaduto do Chá (1892) e o da Santa Efigênia (1913), alguns palacetes e os automóveis começam a surgir. 

Em 1920, o processo de verticalização no centro histórico de São Paulo começou com a construção do edifício Martinelli (1929)

A expansão do Plano Avenidas, feito em 1940, tinha o intuito de aumentar o número de ruas e avenidas para outras partes da cidade, mas até os anos 1970 o centro histórico de São Paulo era uma das principais regiões financeiras.

Em 1980, as avenidas Paulista, Faria Lima e Berrini entram na concorrência pela disputa da concentração de atividades econômicas.

E assim começa o esvaziamento do centro em relação às atividades econômicas em 1990, com moradores se mudando para outras partes da cidade, surgindo os primeiros sinais de degradação.

Em 1991, um movimento poderoso entre os comerciantes da região chamado Associação Viva o Centro ganha forças, pressionando o poder público para atender às expectativas de retomar os negócios para revalorização do centro de São Paulo. 

A partir de 2000, as Leis 10.257/2001 e 16.050/2014 implementam vários planos de revitalização para valorizar a função coletiva do espaço e estimular a diversidade funcional da região. 

Algumas curiosidades

1826: 26.020 habitantes.

1960: 3.781.466 habitantes (tornando-se a cidade mais populosa do Brasil).

2022*: 11.451.245 habitantes (entre eles, estão cerca de 360 mil estrangeiros morando legalmente na cidade, segundo dados da prefeitura).

Segundo o manual do centro histórico de 2022, da prefeitura de São Paulo, circulam em média 600 mil pessoas por dia na região.

*Censo Demográfico divulgado pelo IBGE.

Arquitetura e urbanismo no centro histórico de São Paulo

O centro histórico de São Paulo é um verdadeiro templo de monumentos de grandes mestres da arquitetura como Ramos de Azevedo, Oscar Niemeyer, Gregori Warchavchik e Marcos Cartum.

Veja uma lista com alguns desses projetos arquitetônicos mais emblemáticos que ficam no centro de São Paulo:

Ramos de Azevedo Oscar Niemeyer Gregori Warchavchik Marcos Cartum 
1897: Pinacoteca do Estado 1950: Edifício Montreal 1953: Edifício Cícero Prado 2012: Praça das artes 
1903: Teatro Municipal 1951: Edifício Copan   
1911: Palácio das Indústrias (Museu Catavento) 1955: Edifício Triângulo e Edifício e galeria Califórnia   
1914 a 1938: Companhia Estrada de Ferro Sorocabana (Memorial da resistência de São Paulo) 1956: Edifício Eiffel   
1920: Palácio dos Correios    
1928: Mercado Municipal de São Paulo    
1937: Edifício Sete de Abril    

O centro histórico de São Paulo foi construído e reconstruído algumas vezes, mas ainda conseguimos visualizar algumas passagens históricas importantes.

Entre 1875 e 1930, a região central de São Paulo foi ocupada pela elite cafeicultora paulista, entre as ruas São Bento, Quinze de Novembro e Direita.

Neste momento, a Praça da Sé e do Patriarca, Vale do Anhangabaú e Viaduto do Chá começam a ser construídos inspirados em bulevares parisienses, após a desapropriação e demolição de diversos cortiços.

Roteiro pelo centro histórico de São Paulo: 22 atrações para visitar 13
Centro histórico de São Paulo – A sombra das árvores faz desta calçada um lugar bem gostoso de caminhar. Estávamos a caminho da Galeria Metrópoles

Havia regras de urbanização do centro histórico de São Paulo que impunham respeitar larguras, formas de ruas e praças que deixavam bem claro a intenção de afastar a população de menor renda naquela região, por exemplo: era proibido oferecer serviços às classes mais baixas naquele perímetro em respeito aos Códigos de Postura e os Códigos sanitários do século XIX.

Depois do auge da produção cafeeira, durante as décadas de 30 a 50, a economia de São Paulo focou na industrialização e esse plano de embelezamento começou a provocar questionamentos sobre a inexistência de foco na infraestrutura urbana.

Roteiro pelo centro histórico de São Paulo: 22 atrações para visitar 14
Centro histórico de São Paulo – Vista da sacada da Galeria Metrópole, na República

Nesse período, iniciou-se o processo de verticalização do Centro Histórico de São Paulo, devido aos altos preços dos terrenos e dificuldades de circulação, tendo em vista que as indústrias estavam se mudando para o centro. E é neste momento que surgem os famosos edifícios como o Guinle (1916), Sampaio Moreira (1924), Martinelli (1929) e Altino Arantes (1947).

Com os movimentos de revitalização do centro histórico de São Paulo, nota-se o alto valor histórico, cultural e arquitetônico. Este trecho foi tombado em 2007 e inclui uma lista que inclui 149 edificações, 7 praças, 20 obras de arte em ruas e 4 viadutos relacionados à memória e à identidade da cidade e da população de São Paulo. 

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    Quais são os bairros do centro histórico de São Paulo?

    A cidade de São Paulo está dividida em 5 zonas diferentes: zona central, zona norte, zona sul, zona oeste e a zona leste. Cada uma dessas regiões é composta por um grupo de bairros. O centro de São Paulo ou a zona central é composta por oito bairros:

    Bela Vista Liberdade 
    Bom Retiro República 
    Cambuci Santa Cecília 
    Consolação Sé 

    O conceito do termo centro histórico de São Paulo é normalmente ligado a uma pequena área entre os distritos da Sé e República, onde fica o maior grupo de prédios históricos. Entretanto, atrações que contam a história da cidade não se limitam a esses dois lugares, se estendendo a outros bairros da região central.

    Rua consolação com prédios graffitados ao fundo em dia ensolarado. Um dos passeios mais legais para fazer no centro histórico de São Paulo
    Centro histórico de São Paulo – Arte urbana traz cores para os prédios próximos a praça Roosevelt

    Bela Vista: um dos bairros ítalo-paulistanos onde a maioria dos moradores era imigrante, mas seu nome “Bela Vista” foi registrado apenas em 1910. Antes, a região era conhecida como “Campos do Bexiga” devido às várias propriedades do Antônio José Leite Braga, conhecido como Bexiga, e gradualmente foram mudando esse nome para Bixiga, grafia que permanece até agora.

    Bom retiro: o bairro fica entre os rios Tietê e Tamanduateí. No século XIX, ali ficavam chácaras e sítios, como a “Chácara do Bom Retiro” uma propriedade famosa usada na época como retiro de fim de semana pelas famílias mais ricas de São Paulo. Hoje é uma região com imigrantes gregos, italianos, portugueses, judeus e sul-coreanos.

    Cambuci: o nome do bairro surgiu porque era bem comum avistar várias árvores da fruta cambuci na região. Ainda na época de São Paulo de Piratininga, a área era usada como trilha para seguir a rota do Caminho do Mar para chegar a Santos. Na década de 40, foi erguido o primeiro conjunto habitacional da cidade: o Conjunto Habitacional Várzea do Carmo, que existe até hoje.

    Consolação: o bairro surgiu a partir da capela, erguida por volta de 1779, em homenagem à Nossa Senhora da Consolação. Aliás, nessa época, a cidade terminava exatamente onde a igreja está. Era uma região cheia de chácaras onde começava a estrada para Sorocaba e Itu. Com o surgimento da avenida Paulista, em 1891, lentamente a região deixou de ser uma fronteira e se tornou parte da região central.

    Vista para Rua Galvão Bueno, na Liberdade
    Centro histórico de São Paulo – Aos finais de semana, a rua Galvão Bueno fica repleta de visitantes

    Liberdade: no século XIX, o distrito era chamado de Bairro da Pólvora e era ocupado majoritariamente por pessoas negras. O largo da liberdade era conhecido como Largo da Forca, pois era o lugar onde escravizados fugitivos eram mortos. Durante a demolição realizada perto da Capela Nossa Senhora dos Aflitos, foram encontradas ossadas que acreditam ser do Cemitério dos Aflitos, que foi construído em 1774. Em 1912, famílias de japoneses começam a ocupar as casas da rua Conde de Sarzedas e aos poucos começou o crescimento da comunidade japonesa na região, tornando-se a maior comunidade de japoneses fora do Japão.

    grafite em um muro com a frase "quero te ver bem"
    Centro histórico de São Paulo – Entre o Copan e a Galeria WG, nos deparamos com essa arte que mais parece um abraço

    República: o surgimento do bairro se iniciou em 1892, após a construção do viaduto do chá. Antes disso, a região teve nomes como “Largo dos Curros”, devido às touradas e cavalgadas que aconteciam lá e “Praça das Milícias”, quando havia treinamentos militares. Em 1889, após a Proclamação da República, bairros e ruas foram renomeadas e a região ganhou seu nome definitivo. Este é um dos menores bairros da cidade.

    Santa Cecília: em 1860, a região tinha grandes loteamentos com chácaras e fazendas.

    O Hospital Central foi inaugurado em 1884 e ainda é sede de um dos hospitais mais importantes de São Paulo: a Santa Casa de Misericórdia. Em 1961, foi inaugurado um “templo a Santa Cecília”, santa padroeira dos músicos. Este é um bairro mais residencial, se comparado aos outros da região central, e onde se concentra uma grande comunidade de judeus.

    carros estacionados em vagas públicas ao lado da ciclofaixa
    Centro histórico de São Paulo – Ao caminhar pela Santa Cecília, você vai se deparar com essas vagas de estacionamento público ao lado da ciclofaixa

    Sé: a Sé está intimamente ligada à fundação de São Paulo em 1554. Foi aqui que jesuítas, incluindo José de Anchieta, realizaram a primeira missa no povoado de São Paulo de Piratininga, lugar onde hoje fica o Pateo do Collegio. Foi implantado em 1934 o marco zero da cidade, que é referência das distâncias das residências, CEP e rodovias.

    Nossas sugestões de hospedagem no Centro de São Paulo

    Se você quiser ter uma experiência ainda mais imersiva no centro de São Paulo, vale alugar o Apartamento 605, na Holmy (e você ainda pode parcelar no cartão sem juros).

    Já no quesito hotéis, fiquei apaixonada pelo novo Sooz Hotel Collection que fica num prédio lindo na Avenida São João. Já o Ibis Style é sempre uma escolha certeira. O Nacional Inn Jaragua e o Slaviero São Paulo Downtown são mais antigos, mas ficam em ruas movimentas e de fácil acesso a diversos restaurantes e pontos interessantes no centro.

    Atrações no centro histórico de São Paulo 

    A lista de atrações no centro histórico de São Paulo é vasta, mas separamos 22 pontos interessantes entre clássicos, novos e escondidinhos para você conhecer várias versões dessa região que está sempre nos surpreendendo.

    Museu de arte sacra de São Paulo

    O nosso passeio pelo centro histórico de São Paulo começa pelo Museu de Arte Sacra. Este espaço é voltado para peças projetadas para o culto sagrado, principalmente para o cristianismo, mas não se trata de um museu sobre a religião e sim sobre os estilos artísticos que potencializavam a narrativa cristã e que conectavam o fiel à energia divina.

    Ele foi instalado numa construção projetada por Frei Antônio de Santana Galvão, o primeiro santo nascido no Brasil, que foi canonizado pelo Papa Bento XVI em 2007, que acolhia mulheres em situação de vulnerabilidade.

    Fachada do Museu de Arte Sacra (MAS)
    Centro histórico de São Paulo – Fachada do Museu de Arte Sacra (MAS)

    Suas atividades como um museu começaram nos anos 70 graças à coleção do primeiro arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva, que recolhia obras de igrejas e capelas demolidas. Hoje são mais de 18 mil peças no acervo e a exposição principal chama-se a Arte Sacra através dos Séculos que nos apresenta obras desde o século XVI ao XX, expostas em ordem cronológica.

    A peça mais antiga do museu é uma moeda do século II que não estava exposta no dia da nossa visita. Ao caminhar entre os séculos, podemos observar a evolução das técnicas artísticas e materiais utilizados, principalmente no movimento das roupas e no olhar dos personagens.

    Jesus carregando a cruz nas costas
    Centro histórico de São Paulo – Fiéis doavam mechas de cabelo em agradecimento a um pedido realizado
    Estátua de São Jorge com sua armadura.
    Centro histórico de São Paulo – olhos de vidro são inseridos nas obras para dar um ar mais realista

    O silêncio no espaço nos faz desconectar instantaneamente do barulho da grande avenida Tiradentes.

    jardim interno do museu de arte sacra com sua fonte
    Centro histórico de São Paulo – Ao caminhar pela exposição, não deixe de observar o jardim interno. O único barulho que você vai ouvir será do som da fonte
    Roteiro pelo centro histórico de São Paulo: 22 atrações para visitar 15
    Centro histórico de São Paulo – O presépio do museu mostra várias pessoas de culturas diferentes compartilhando o mesmo espaço

    Além dessa exposição fixa, há três espaços para mostras temporárias que também dialogam com o contexto do espaço. Todos os anos há uma exibição que mostra como são montados os presépios em várias partes do Brasil e do mundo. Saindo do espaço do museu, há uma exposição fixa de um presépio natalino gigantesco, com mais de 1.600 peças que mostram o Natal em diversas culturas pelo mundo.

    Há também uma capela, um café, um pequeno estacionamento gratuito, um jardim nos fundos que abre para o público para eventos programados e uma loja para comprar itens religiosos, inclusive as famosas pílulas de Frei Galvão, que são pequenos papéis de arroz com a oração escrita por ele.

    O museu também tem uma “Sala MAS Metrô Tiradentes”, que fica na estação de metro Tiradentes. Ela é feita de vidro com uma pequena área de leitura que recebe exposições temporárias.

    Você pode conhecer o museu sozinho, inclusive em algumas obras há QR Codes com informações complementares de algumas peças.

    Para enriquecer seu passeio, aos sábados, o espaço oferece dois horários de visita guiada para conhecer o museu e suas obras, sempre às 10 horas e 15 horas para grupos de até 20 pessoas. Essas visitas são gratuitas e não precisam de agendamento prévio, basta se inscrever com 15 minutos de antecedência na bilheteria do museu.

    Há muitas atividades que o museu de arte sacra oferece aos visitantes, como cursos, encontros temáticos, apresentações musicais, café teológico, cine debate, palestras, coral e até cursos com visitas fora do país, por isso recomendamos que acompanhe a programação do museu.

     

    Museu de arte sacra de São Paulo
    Endereço

    Avenida Tiradentes, 676 (Acesso pela Rua Jorge Miranda, 43) – Luz 

    Horários

    De terça a domingo, das 9h às 17h. Fechado às segundas. 

    Valores

    De R$3 a R$6. Gratuito para crianças até 7 anos e acima de 60 anos. Todos os sábados a entrada é grátis para todos os visitantes. 

    Como chegar

    Metrô: estação Tiradentes

    Ingressos

    Os ingressos para o MAS — Museu de Arte Sacra de São Paulo — podem ser adquiridos na bilheteria do museu ou antecipadamente pelo site. 

    Pinacoteca de São Paulo

    • A 600 metros de distância do Museu de Arte Sacra de São Paulo está a Pinacoteca de São Paulo, que já falamos por aqui. São três espaços: Pina_Luz, Pina_Contemporânea e Pina_Estação para apreciar a arte brasileira desde o século XIX até hoje. 
       
      Planeje a sua visita para a Pinacoteca de São Paulo. 

    Estação da Luz

    A Estação da Luz é uma das estações ferroviárias mais movimentadas do centro histórico de São Paulo. Segundo dados da prefeitura, ela recebe uma média de 250 mil passageiros por dia útil.

    Ocupando 7,5 mil m² do Jardim da Luz, a construção com detalhes neoclássicos da estação da Luz é tombada desde 1982 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico (Condephaat) e sua história começa em 1867 quando foi inaugurada a linha ferroviária que ligava Santos a Jundiaí, pela empresa São Paulo Railway. A parada dessa linha na cidade de São Paulo era justamente na estação da Luz.

    Roteiro pelo centro histórico de São Paulo: 22 atrações para visitar 16
    Centro histórico de São Paulo – Relógio da Estação da Luz

    A construção original funcionou de 1867 a 1888. Com o rápido crescimento da população, a construção precisava de mais espaço e assim foi projetada a estação na forma que conhecemos hoje, que foi inaugurada em 1901. A construção de 123 anos reflete o momento histórico que evidencia o progresso do café para a expansão da cidade.

    Projetada pelo arquiteto britânico Charles-Henry Driver, a maioria do material da construção veio da Inglaterra, desde os pregos até a estrutura de aço usada na cobertura. Suas torres foram inspiradas na Abadia de Westminster e o relógio lembra o Big Ben de Londres.

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    Centro histórico de São Paulo – Detalhes da estrutura que ainda remetem à São Paulo Railway
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    Centro histórico de São Paulo – Plataforma da CPTM (trem) na estação da luz é uma das mais movimentadas da cidade

    Em 2006, foi inaugurado Museu da Língua Portuguesa em uma parte da construção, aumentando a oferta de cultura e lazer na região histórica de São Paulo.

    E a estação da Luz não para de surpreender: em 2022 foi inaugurado o boulevard João Carlos Martins, uma passagem de 210 metros iluminada e com bancos que liga a plataforma 1 da estação, normalmente que atende a linha 7 Rubi da CPTM, até o estacionamento que dá acesso ao Memorial da Resistência, Sala São Paulo e Pina_Estação. É bem mais rápido e seguro do que ir para estes espaços pelas ruas. A saída funciona das 7h às 23h30, sendo controlada por uma catraca.

    Boulevard e escadas que liga a estação da Luz com as atrações culturais
    Centro histórico de São Paulo – O boulevard garante passagem rápida e segura entre a estação da Luz e as atrações culturais da região
    Estação da Luz
    Endereço

    Av. Prestes Maia, 925 – Luz

    Horário

    Todos os dias, das 4h40 à meia-noite

    Valor

    Para visitar a estação é gratuito. Ao passar pelas catracas será cobrado R$4,40

    Como chegar

    Metrô ou trem: estação da Luz 

    Site oficial

    Para dúvidas, entre em contato com o metrô  ou a CPTM

    Memorial da resistência de São Paulo

    O Memorial da Resistência de São Paulo, antigo Memorial da Liberdade, é um ponto de visita mais atual do que nunca e guarda um passado sofrido que não devemos esquecer.

    Ele foi mantido no antigo prédio tombado em 1999, onde funcionava o Departamento Estadual de Ordem Política e Social (DEOPS/SP). Entre 1940 e 1983, o espaço foi palco dos atos de tortura mais brutos da nossa história.

    Infelizmente, mesmo tendo tamanha importância para entendermos como a tortura funciona em sistemas ditatoriais, muitas vezes ele é esquecido e pouco visitado perto de outras atrações da cidade.

    Roteiro pelo centro histórico de São Paulo: 22 atrações para visitar 19
    Centro histórico de São Paulo – Fachada do Memorial da Resistência

    Perguntamos para Ana Pato, diretora técnica do Memorial da Resistência de São Paulo, qual a importância deste espaço para os dias atuais e ela declarou que:

    “manter viva a memória das repressões políticas e dos movimentos de resistência neste prédio e para além dele, nos permite também refletir e compreender que a Ditadura não é um fim em si; tem precedências e continuidades. Nesse sentido, o Memorial da Resistência de São Paulo, sendo o primeiro lugar de memória institucionalizado no Estado de São Paulo para tratar das violações de Direitos Humanos durante o período da Ditadura Civil-Militar, tem uma importância ímpar nas discussões sobre repressão, resistência, patrimônio e Direitos Humanos.”

    Pina_Estação e Memorial da Resistencia dividem a mesma entrada, mas há regras diferentes. Fique atento!

    Ainda sobre o prédio, é importante ressaltar que o memorial da resistência compartilha o espaço com a Pina_estação, inclusive a bilheteria na entrada, mas os bilhetes de acesso são adquiridos separadamente. A entrada do memorial fica ao lado direito da bilheteria, com exposição que apresenta uma linha do tempo de lugares de memória onde houve repressão e resistência na cidade e no estado de São Paulo.

    No térreo, é possível visitar 4 celas e o corredor onde eles tomavam banho de sol. Para recriar estes espaços como da época do DEOPS, foram convidados ex-prisioneiros para reescreverem algumas mensagens nas paredes.É impossível não se entristecer lendo essas mensagens.

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    Centro histórico de São Paulo – Um das celas do memorial
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    Centro histórico de São Paulo – Este é o corredor onde os prisionairos tomavam sol
    mensagem escrita em uma das paredes das celas: "pegaram meu bebê para me ameaçar" Rose Nogueira
    Centro histórico de São Paulo – As mensagens nas paredes das celas foram reescritas por ex-prisioneiros

    No primeiro andar funciona o Centro de Referência do Memorial, onde eles guardam as coletas regulares de testemunhos, tanto da época da ditadura quanto das repressões violentas atuais. São mais de 900 itens e 600 documentos e 200 relatos, mas este espaço é acessado apenas por agendamento, pelo e-mail [email protected].

    No terceiro andar ficam as exposições temporárias que ajudam a complementar a história durante a ditadura e nos momentos atuais.

    Roteiro pelo centro histórico de São Paulo: 22 atrações para visitar 22
    Centro histórico de São Paulo – No natal de 1969, Elza Lobo ganhou da sua família um bolo e um ramo de cravo vermelho. A prisioneira compartilhou o bolo e as flores com seus companheiros de cela. Isso significou a possibilidade de ver a natureza novamente e os encheu de esperança.

    Além das exposições, o Memorial oferece oficinas, atividades com jogos pedagógicos, lançamento de livros, contação de histórias, cursos, debates e as visitas educativas.

    Roteiro pelo centro histórico de São Paulo: 22 atrações para visitar 23
    Centro histórico de São Paulo – Fotos de pessoas que contribuíram com seus testemunhos sobre a ditatura

    Para acompanhar a programação, basta acessar o site para receber atualizações sobre a programação. As visitas guiadas têm uma hora de duração, sendo preciso agendar sempre na primeira segunda de cada mês, direto no site. Elas costumam acontecer nos seguintes horários:

    Uma dica que deixo para este espaço no centro histórico de São Paulo é ir com mais tranquilidade para absorver toda essa história e que tenha tempo para refletir sobre o passado e a atualidade. Outra dica é usar o boulevard entre o memorial e a estação da Luz ao invés de entrar pelo Largo General Osório.

    Memorial da resistência de São Paulo
    Endereço

    Largo General Osório, 66, Santa Ifigênia

    Horário

    De quarta a segunda, das 10h às 18h. Fechado às terças.

    Valor

    Entrada gratuita 

    Como chegar

    Metrô ou trem: estação da Luz 

    Site oficial

    Sampa SKY 

    A um km do Memorial da Resistência de São Paulo está o Sampa SKY, que também já mencionamos por aqui. Há muitos mirantes na cidade, mas já imaginou ver São Paulo debaixo dos seus pés? Conheça o mirante de vidro do Sampa Sky para você ter a sensação de flutuar em pleno centro histórico de São Paulo.

    Planeje a sua visita para o sampa Sky 

    Mosteiro de São Bento

    O Mosteiro de São Bento foi fundado em 1598, pelo monge Mauro Teixeira, em um local que antes era a taba do cacique Tibiriçá. A versão do complexo que conhecemos hoje, de estilo Beuron (alemão), foi finalizado em 1922 e abriga algumas atrações:

    Basílica Abacial de Nossa Senhora da Assunção: são realizadas missas diariamente, mas aos domigos a cerimônia é acompanhada por um coral e pelo órgão de 7 mil tubos de 1954.

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    Centro histórico de São Paulo – altar do mosteiro de São Bento

    Mosteiro: hospedou o papa Bento XVI durante sua visita ao país, em 2007.

    Teatro: fundado em 1903, o espaço comporta 253 pessoas e é aberto apenas para receber eventos agendados, como palestras, concertos e eventos corporativos.

    Colégio e faculdade de São Bento: fundada em 1908, esta foi a primeira faculdade de Filosofia do Brasil com cursos reconhecidos pelo MEC em 1940. Hoje ela oferece cursos do ensino superior. O acesso é por catracas, então caso queira entrar para visitar, entre em contato via telefone: (11) 3328-8796.

    Padaria e loja: por lá são vendidos pães, doces, geleias e até cervejas artesanais preparadas por monges. Há também lembrancinhas relacionadas ao mosteiro.

    Biblioteca: esta é a biblioteca mais antiga da cidade, com 421 anos de história e mais de 115 mil livros escritos desde 1598.

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    Centro histórico de São Paulo – detalhes do mosteiro de São Bento

    Há atividades como o brunch de domingo e aulas gratuitas de canto gregoriano.

    O acervo tem uma infinidade de obras raras, incluindo uma Bíblia de Gutenberg de 1496 e uma Bíblia em alemão de Lutero, de 1656. O acesso à biblioteca é restrito aos monges para conservar o acervo.

    O brunch do Mosteiro de São Bento é oferecido desde 2010 e acontece todo último domingo do mês. Primeiro é celebrada a missa, depois é servido o brunch e as atividades são encerradas com uma visita guiada por alguns espaços do complexo. A visita termina entre 15h30 e 16h.

    Não há restrição de idade para participar e as reservas finalizam quando o grupo atende 160 pessoas. É um programa muito concorrido na capital e costuma esgotar rápido. Para reservar o brunch, entre em contato via WhatsApp.  

    Mosteiro de São Bento de São Paulo
    Endereço

    Largo de São Bento, s/nº – Centro

    Horários

    Basílica: o espaço fica aberto todos os dias das 7h às 18h.

    Missas:
    – De segunda a sexta: 7h, 13h e 17h30
    – Sábados: 5h50
    – Domingo: 8h e 10h

    Brunch todo último domingo do mês, das 10h às 16h.

    Valores

    O acesso é gratuito, mas para o brunch é cobrado R$ 357 por pessoa e inclui bebidas. Gratuito para crianças até 5 anos. 

    Site oficial

    Acesse a programação oficial do Mosteiro de são Paulo

    Museu da Bolsa do Brasil – MUB3

    Em um prédio histórico de 1940, cuja fachada é tombada, foi inaugurado um museu interativo no centro histórico de São Paulo em 2022. Ele surpreende com instalações modernas e dinâmicas. O Museu da Bolsa do Brasil nos apresenta a trajetória do mercado de capitais e mostra como funciona a bolsa de valores, de maneira didática, criativa e usa os cinco sentidos para tornar essa apresentação mais interessante.

    Roteiro pelo centro histórico de São Paulo: 22 atrações para visitar 25
    Centro histórico de São Paulo – Recepção do Museu da Bolsa do Brasil

    E o mais legal é que ele fica no mesmo lugar onde funcionava a bolsa de valores, o famoso pregão, antes de se tornar 100% eletrônico.

    Roteiro pelo centro histórico de São Paulo: 22 atrações para visitar 26
    Centro histórico de São Paulo – Neste espaço funcionava o antigo pregão

    A exposição fica no primeiro andar, apresentada como uma linha do tempo. Iniciamos o tour em um espaço que remonta à praça do comércio no século XIX, com vozes encenando o que acontecia nas ruas de São Paulo na época. Era negociado a compra e venda de produtos agrícolas, faziam-se transações comerciais ali na rua mesmo, com “dinheiro vivo”.

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    Centro histórico de São Paulo – Estes eram os primeiros corretores de São Paulo que faziam negociações nas ruas
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    Centro histórico de São Paulo – Depois, eles começaram a ter escritórios e passaram a oferecer mais privacidade durante as negociações

    Depois passamos para o final do século XX, onde as negociações aconteciam em um escritório mercantil para trazer mais segurança e privacidade. Neste espaço dá para interagir com as peças, inclusive usar a cartola para tirar fotos!

    Durante o auge da mineração, para todo ouro que saísse do Brasil era cobrado um imposto chamado “quinto” que cobrava o pagamento de 20% de imposto sob o peso do ouro. E foi assim que surgiu a expressão “quinto dos infernos”.

    A exposição segue com maquetes do pregão viva-voz que aconteceu entre 1937 até 2009. Os corretores começaram a usar telefones até chegar no “telefone do pregão”, nos anos 80, que só funcionava dentro do espaço.

    Curiosidade: Pregão vem da expressão apregoar, que significa falar em voz alta. Aqui há exposto café e algodão, um dos principais produtos negociados.

    Roteiro pelo centro histórico de São Paulo: 22 atrações para visitar 29
    Centro histórico de São Paulo – A criatividade em usar elementos interativos não tem limites neste museu

    O Museu da Bolsa do Brasil é um ambiente de educação sobre a história da bolsa no Brasil e, além dessa exposição cronológica, promove atividades de laboratórios gratuitos e contação de histórias sobre temas variados que se conectam com o mercado financeiro. Para acompanhar a programação de eventos do espaço, fique atento a página de atividades do museu. 

    Para quem gosta de visita guiada, elas ocorrem todos os sábados em dois horários: das 10h às 11h e das 15h30 às 16h30. 

    Museu da Bolsa do Brasil – MUB3
    Endereço

    Rua XV de Novembro, 275 – Centro

    Horário

    Todos os dias, das 9h às 17h

    Valor

    Gratuito

    Como chegar

    Metrô: estação São Bento 

    Site oficial

    Mesmo gratuito é preciso fazer a reserva de ingresso pelo site

    Farol Santander

    A cem metros do Museu da Bolsa do Brasil está o Farol Santander, um espeço especial com um dos mirantes mais famosos da cidade. Lá ficam vários andares de atrações desde exposições, pista de skate e até alguns dos bares mais cobiçados da capital.

    Edifício Martinelli

    Este prédio no centro histórico de São Paulo, idealizado por Giuseppe Martinelli, começou a ser construído no início do século XX. Por muitos anos, o edifício Martinelli com seus 30 andares foi considerado o maior da cidade de São Paulo.

    Roteiro pelo centro histórico de São Paulo: 22 atrações para visitar 30
    Centro histórico de São Paulo – Fachada do Edifício Martinelli

    Com os três tons de rosa do Martinelli, São Paulo já foi chamada por Oswald de Andrade de “cidade bolo de noiva”. O prédio já recebeu em seus andares partidos políticos, clubes, sindicatos, restaurantes, bares, cinema e muito mais. O edifício viveu momentos gloriosos até 1933 quando foi vendido para o governo da Itália devido a grandes dívidas.

    Em 2023, o contrato de concessão de quatro andares no topo do edifício (25°, 26°, 27° e 28°) e a parte térrea foi assinado entre a prefeitura de São Paulo e o Grupo Tokyo.

    Roteiro pelo centro histórico de São Paulo: 22 atrações para visitar 31
    Centro histórico de São Paulo – Os andares superiores do Edifício Martinelli então em reforma.

    A previsão de reabrertura como mais uma opção cultural do centro de São Paulo está prevista para 2026. 

    Edifício Martinelli
    Endereço

    Rua São Bento, 405 – Centro

    Como chegar

    Metrô: estação São Bento

    Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB

    O prédio com estilo arquitetônico francês foi construído em 1901 e foi comprado pelo Banco do Brasil em 1923 para ser uma agência. Este foi o primeiro imóvel próprio da empresa, devido à sua localização e a versatilidade do espaço.

    No térreo e primeiro andar funcionava a agência bancária e os outros quatro andares eram alugados para outras empresas da época. A agência bancária funcionou até 1996 e em 2001 foi inaugurado o CCBB – Centro Cultural Banco do Brasil – como parte de um plano de revitalização do centro histórico de São Paulo. Este é um dos lugares que mais recebem visitas na capital.

    Roteiro pelo centro histórico de São Paulo: 22 atrações para visitar 32
    Centro histórico de São Paulo – visitamos o CCBB em período de desmontagem de exposição e pudemos ver o espaço de outra maneira
    Roteiro pelo centro histórico de São Paulo: 22 atrações para visitar 33
    Centro histórico de São Paulo – Mesmo sem exposição, conseguimos observar melhor os detalhes da construção

    O espaço recebe exposições temporárias e a cada período toda a programação de atividades é voltada ao tema apresentado, desde apresentações musicais, palestras e oficinas educativas. O espaço também preserva um cinema, um teatro e uma cafeteria, ou seja, é um lugar para passar algumas horas.

    As atividades são gratuitas ou com preços econômicos mediante reserva de ingresso pelo site.

    Quando o CCBB está em período de desmontagem e montagem de uma exposição o espaço fica aberto para visitação espontânea ou guiada. Fique atento à programação.

    Até aqui falamos sobre o espaço da Rua Álvares Penteado, número 112, conhecido como prédio principal, mas se seguir pelo tapete azul até o outro lado da rua conhecerá um espaço novo do CCBB que foi inaugurado em junho de 2023.

    Por lá há 300 metros quadrados divididos em dois andares que podem apresentar uma extensão da exposição do prédio principal ou exposição independente. Normalmente abriga temas com mais apoio tecnológico, com projeções por todo o prédio e interações digitais. 

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    Centro histórico de São Paulo – Por aqui as exposições têm projeções, telas, sons e até cheiros

    Os prédios têm ingressos separados, mas são adquiridos pelo site, na bilheteria ou nos totens de atendimento. 

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    Centro histórico de São Paulo – Este é o transporte identificado que leva os visitantes gratuitamente até o CCBB

    Para chegar ao CCBB você pode usar o transporte gratuito que funciona todos os dias, das 12h às 21h, exceto às terças. A van parte da Rua da Consolação, n° 228 e deixa na porta do Centro Cultural Banco do Brasil. Para sair do CCBB com este transporte, basta solicitar no balcão de atendimento. 

    Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB
    Endereço

    Rua Álvares Penteado, 112 – Centro

    Horário

    De quarta a segunda, das 9h às 20h. Fechado as terças.

    Valores

    Cinema: R$5 (meia entrada) e R$10 (inteira)
    Teatro: de R$5 a R$30
    Ao realizar pagamento com ourocard, você terá 50% de desconto nos ingressos e até no café.

    Como chegar

    Metrô: estação São Bento

    Site oficial

    Para acessar os dois prédios garanta seus bilhetes pelo site 

    Teatro Municipal de São Paulo

    O Teatro municipal de São Paulo é uma obra do escritório Ramos de Azevedo de 1911 que mistura Renascentismo com o Barroco e Art Noveaue no coração do centro histórico de São Paulo.

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    Centro histórico de São Paulo – Teatro Municial de São Paulo também foi palco de diversos protestos e movimentos populares

    Este foi o primeiro edifício a ter energia elétrica na cidade. Nesses 113 anos de história, seu palco teve grandes apresentações como Villa-Lobos, Duke Ellington, Ella Fitzgerald e eventos da Semana da Arte Moderna de 1922, onde iniciou o Movimento Modernista no Brasil.

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    Centro histórico de São Paulo – Este espaço impressiona seus visitantes. Até mesmo aqueles que estão indo pela segunda ou terceira vez (euzinha).

    Para conhecer o teatro há duas maneiras: sete tipos de visitas guiadas agendadas gratuitas ou adquirindo ingressos para apresentações. Para garantir os ingressos das visitas guiadas é preciso ficar de olho no site do teatro, pois cada uma delas é reservada de maneira diferente e são muito concorridos.  

     Ingressos Duração Quando Idade 
    Visita educativa em português  ingressos no site disponível no dia anterior à visita, a partir das 10h. 75 minutos De Quartas, quintas e sextas, às 11h, 13h, 15h ou 17h e aos sábados, às 11h, 13h ou 14h Todas as idades 
    Visita educativa para grupos 20 a 50 participantes, o agendamento deve ser feito previamente pelo e-mail [email protected] 75 minutos De Quartas, quintas e sextas, às 10h ou às 14h. Todas as idades 
    Visita educativa em inglês Agendamento presencial, com 30 minutos de antecedência a visita com identidade e passaporte 75 minutos  De quartas, quintas e sextas, às 13h e aos sábados, às 11h. Todas as idades 
    Linha, Forma e Cor (Famílias e crianças) Visita, jogos e brincadeiras. Ingressos no site disponível no dia anterior à visita, a partir das 12h. 90 minutos Uma vez por mês, ao sábado, às 14h30. Todas as idades 
    Mãos na massa: Quem faz o Theatro Municipal? (Famílias e crianças) Visita e brincadeiras. Ingressos no site disponível no dia anterior à visita, a partir das 12h.  90 minutos Uma vez por mês, ao sábado, às 14h30. Todas as idades 
    História Viva: experiências com jogos de interpretação Ingressos no site disponível no dia anterior à visita, a partir das 12h.120 minutos Uma vez por mês, ao sábado, às 10h. acima de 14 anos 
    (re)entorno: um percurso de descoberta do entorno do Theatro Municipal Ingressos no site disponível no dia anterior à visita, a partir das 12h. 120 minutos Uma vez por mês, ao sábado, às 10h. acima de 10 anos 
    Teatro Municipal de São Paulo
    Endereço

    Praça Ramos de Azevedo, s/nº – Sé 

    Horários

    Conforme programação dos espetáculos e horários das visitas guiadas agendadas: de quarta à sábados, em diversos horários. Segundas, domingos e feriados não tem visitações.

    Valores

    Há atividades gratuitas e ingressos pagos a partir de R$15 

    Como chegar

    Metrô: estação Anhangabaú 

    Site oficial

    WG Galeria 

    Caminhando pela Rua Araujo, bem pertinho do Copan, você vê uma tímida placa de galeria de arte que fica na lateral de um estacionamento. Ao subir as escadas temos uma agradável surpresa em pleno centro histórico de São Paulo! 

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    Centro histórico de São Paulo – A Galeria fica ao lado de um estacionamento. Procure por esta plaquinha e suba as escadas

    Essa galeria novinha em folha tem um ar de aconchego principalmente pela simpatia da Cris Genaro, uma das sócias que nos recebeu durante a nossa visita.  A WG Galeria no centro histórico de São Paulo e surgiu em 2023 como expansão do ateliê em Atibaia, do casal de artistas, Mariana e André Weigand. 

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    Centro histórico de São Paulo – No terraco da galeria acontece festas e bate bapo com os artistas

    O lugar tem vista para o Copan e uma varanda muito convidativa que costuma receber diversas festas, encontros com artistas e oficinas abertas ao público. Segundo a Cris, a proposta da galeria WG é ser aberta para a diversidade, novos artistas e para o público, tirando a ideia de que arte não pode ser acessível para todos. 

    Galeria WG
    Endereço

    Rua Araujo, 154 – República 

    Horário

    De quarta a sexta, das 13h às 19h. Sábados, das 12h às 18h. Fechado de domingo a terça.

    Valor

    Gratuito

    Como chegar

    Metrô: estação República

    Site oficial

    Acompanhe a programação da Galeria WG pelo Instagram e fique atento à períodos de montagens de exposição.  

    Elevado Presidente João Goulart (Minhocão)

    Desde a inauguração do Elevado Presidente João Goulart em 1971, o famoso Minhocão já causou polêmica no centro histórico de São Paulo. A ideia era desafogar o trânsito da Avenida São João fazendo uma nova via expressa elevada.

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    Centro histórico de São Paulo – Observar os grafites incríveis também faz parte do seu passeio.

    Após manifestações de moradores que já moravam ali nos prédios no entorno dessa barulhenta via, algumas mudanças de horários em que os carros poderiam utilizar o Minhocão foram implementadas até chegar nas regras de hoje: fechado para carros de segunda a sábado, das 21h30 até as 6h, e o fechamento totalmente aos sábados e domingos.

    Em 2017 o projeto “Parque Minhoão” foi lançado para garantir que ele se torne oficialmente um parque aos finais de semana até sua desativação.

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    Centro histórico de São Paulo – programão para o final de cenada na cidade

    Quando o elevado está fechado para carros, ele se torna um lugar muito democrático recebendo pessoas de todas as idades praticando atividades físicas, tirando fotos ou caminhando com cachorrinhos muito fofos.

    Sua infraestrutura garante cinco postos com banheiros químicos acessíveis, puffs, xadrez, tapetes de ioga, cadeiras de praia e arquibancadas de madeiras ao longo da via, e até uma área reservada para skatistas. Embaixo do minhocão há bicicletas do Itaú para empréstimo próximo à praça Roosevelt e na entrada da Santa Cecília.

    Há programação de atividades, como cinema noturno ao ar livre durante o verão, corridas e muito mais!

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    Centro histórico de São Paulo – No minhocão você pode caminhar e parar para jogar xadrez ou damas
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    Centro histórico de São Paulo – Os banheiros estão distribuídos ao longo do elevado e há banheiros acessíveis para cadeirantes.
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    Centro histórico de São Paulo – As obras de Felipe Morozini estão presentes no Minhocão

    Conversamos com o artista, ativista em prol do Parque Minhocão, Felipe Morozini, e perguntamos como seria o projeto perfeito do elevado e ele nos respondeu que “seria como ele é hoje: cheio de pessoas e com árvores. O mais importante do parque são as pessoas e ao longo dos anos o uso por elas definiu o que ele seria”. Felipe Morozini mora ao lado do Minhocão há 20 anos num apartamento que pertenceu à sua bisavó.  

    Para sua visita, deixamos uma dica de um frequentador que nos alertou que sábado (dia da nossa visita) é bem mais tranquilo do que domingo. 

    Elevado Presidente João Goulart (Minhocão)
    Horários

    De segunda a sábado, das 21h30 até as 6h, e o fechamento total aos sábados e domingos. 

    Como chegar

    Acesso 1: Praça Roosevelt (Rua da Consolação) – Metrô: estação de Metrô Higienópolis-Mackenzie
    Acesso 2: Largo do Arouche com acesso por meio de escadas.
    Acesso 3: Largo da Santa Cecília (Rua Ana Cintra) – Metrô: estação Santa Cecília
    Acesso 4: Praça Marechal Deodoro – Metrô: estação Marechal Deodoro
    Acesso 5: Barra Funda (Avenida Francisco Matarazzo) cerca de 1km do Metrô: estação Barra Funda

    Copan

    O Copan é um dos cartões postais mais famosos do centro de São Paulo e foi inaugurado em 1951 como um dos maiores projetos do arquiteto Oscar Niemeyer e foi inspirado no Rockefeller Center, de Nova York, o condomínio une residências e comércios.

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    Centro histórico de São Paulo – Em cada entrada você terá o apoio dessas placas para saber onde você está.

    Hoje o edifício tem 1.160 apartamentos que estão distribuídos em 6 blocos com mais de 2 mil moradores. A área comercial fica no térreo com 72 lojas entre restaurantes e até uma igreja.

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    Centro histórico de São Paulo – As curvas do Copan estão cobertas devido a reformas

    A visitação ao terraço do Copan está suspensa até o fim dessas obras intermináveis. Todos os comércios seguem funcionando. Durante a nossa visita, conversamos com dois comerciantes e uma coordenadora institucional de uma galeria de arte por lá que nos receberam com muito carinho.

    Existe Flor em SP

    Conversamos com a Cristina Omura, uma ex-publicitária que fundou a floricultura bem colorida do Copan em 2021. Ela sempre morou no centro histórico de São Paulo, mas só se tornou moradora do Copan no mesmo ano em que abriu seu comércio por lá.

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    Centro histórico de São Paulo – A fachada da floricultura fica bem no cantinho e encanta antes mesmo de entrar

    Quando perguntamos sobre a escolha desse edifício, Cris disse que “é o maior condomínio da América Latina e eu sou, vivo e moro no centro. A ideia sempre foi valorizar cada vez mais essa regão”.

    Cristina Omura vende produtos de criadores do Copan e dos arredores, sempre priorizando a escolha de empreendedoras mulheres. Ela nos contou que há um espírito de colaboração entre os moradores e comerciantes por lá que sempre estão se ajudando.

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    Centro histórico de São Paulo – Esta é uma parte dos produtos que a Cris também vende
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    Centro histórico de São Paulo – Fiquei impressionada com a quantidade de flores bem diferentes
    Existe Flor em SP
    Localização

    Loja 9 

    Horário

    De segunda à Sábado, das 12h às 18h

    Site oficial

    Video Connection

    Quem disse que alugar DVD ou VHS é coisa do passado? O Paulo Sérgio Pereira está com sua locadora firme e forte desde 1986 no Copan e guarda quase 25 mil títulos! Ele não é um morador do Copan, mas escolheu esse endereço por ter o maior número de moradores em um único espaço.

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    Centro histórico de São Paulo – O Sr. Paulo na sua recepção imerso em vários títulos de filmes

    Perguntamos para o Sr. Paulo como ele mantém este comércio mesmo diante de tantas opções de streamings e ele nos respondeu que ” a maioria (dos clientes) são saudosistas, colecionadores, que querem assistir algum filme que não acham na interet” ele reforça também que a maioria do seu público vem de outros bairros e até de outras cidades.

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    Centro histórico de São Paulo – Acomapnhamos o processo de transformação do conteúdo saindo da fita VHS para o DVD

    Por lá você pode comprar ou alugar filmes e transformar seu VHS em DVD ou passar para um pendrive ou HD externo. O aluguel custa R$ 11 cada e você fica com o produto por uma semana sem limites de quantidades. O serviço de transformar o VHS em DVD ou arquivo digital custa R$30 para cada 2 horas de conteúdo.

    Durante a nossa visita, nos deparamos com vários clientes indo até o Sr. Paulo para conversar sobre filmes. Muito além de um comércio, a Video Connection é um bom lugar para quem ama cinema.

    Video Connection
    Localização

    Loja 30 

    Horário

    De terça a sábado, das 11h30 às 20h

    Site oficial

    Pivô

    Pivô é uma associação cultural que recebe propostas artísticas há 12 anos no Copan. Idealizado pela Fernanda Brenner, o espaço foi transformado para atender diversas exposições nos seus dois andares.

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    Centro histórico de São Paulo – O amplo espaço do Pivô te faz “se perder” entre as obras

    Ao entrar no Pivô, você será recepcionado por um espaço pequeno no térreo que normalmente tem exposições ou parcerias com algumas lojas. Ao subir as escadas, será recepcionado por exposições. A associação tem um programa incrível de residência de artistas. A entrada é franca.

    Questionamos a Jéssica Gonçalves, coordenadora institucional do Pivô, sobre o que mais gosta no Copan e elas nos disse que “o que mais cativa é a maneira como o edifício se estabelece como um verdadeiro ponto de encontros e interações. Nos seus corredores movimentados, nos terraços, os moradores se reúnem para conversar e nos cafés e lojas que animam seus espaços térreos, há uma energia palpável de conexão humana.”

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    Centro histórico de São Paulo – Fachada do Pivô
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    Centro histórico de São Paulo – No terraço dá pra observar de perto as curvas do Copan
    Pivô
    Localização

    Ao lado da livraria MegaFauna 

    Horário

    De quarta a sábado, das 13h às 19h e domingos, das 12h às 18h. Fechado às segundas e terças.

    Valor

    Gratuito

    Galeria Metrópole

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    Centro histórico de São Paulo – Fachada da Galeria Metrópole

    A Galeria Metrópole inaugurou seus 8 mil metros quadrados nos anos 60 e foi projetada pelos arquitetos modernistas Salvador Candia e Gian Carlo Gasperini. Infelizmente, em 1970 a galeria ficou um pouco abandonada, sem personalidade e poucas lojas seguiram devido a insegurança.

    Em 2021, com a iniciativa do designer Paulo Alves, criativos começaram a instalar seus ateliês, tornando a Galeria Metrópole um lugar para encontrar lojas de design de interiores, galerias, livraria, escola, cafés, restaurantes e padaria. Todas as quintas, sextas e sábados, há feira de criatividade pelos corredores.

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    Centro histórico de São Paulo – Entre as lojas tem esse lindo jardim
    Galeria Metrópole
    Endereço

    Avenida São Luís, 187 – República

    Horário

    Cada estabelecimento tem seu horário de funcionamento. O espaço geral da galeria funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h. Fechado aos domingos. 

    Biblioteca Mário de Andrade

    A Biblioteca Mário de Andrade (BMA), fundada em 1925, é uma das bibliotecas públicas mais importantes do Brasil. É a maior da cidade e a segunda maior do país (a primeira, é a Biblioteca Nacional).

    A mudança para o atual endereço no centro histórico de São Paulo aconteceu em 1942, após seu rápido crescimento do acervo, muitos deles raros e especiais. Atualmente há mais de 53 mil livros.

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    Centro histórico de São Paulo – Vale destacar também este terraço maravilhoso

    Em seus andares, as coleções de estudos estão separadas por salas para facilitar o acesso. Cada sala tem suas regras, horários e telefone para contato:

    Seção Circulante: literatura (tanto brasileira quanto estrangeira). Esta é a única que faz empréstimo de livros. Se não tiver a carteirinha de alguma biblioteca do Sistema Municipal de Bibliotecas, basta levar um documento com foto e um comprovante de endereço recente, físico ou digital.

    Sala de Artes Sérgio Milliet: livros, revistas, catálogos e cartazes sobre artes.

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    Centro histórico de São Paulo – Esta é a sala de Artes Sérgio Milliet

    Coleção Geral: por aqui há muitas edições raras e esgotadas de Filosofia, História, Sociologia, Literatura e humanidades em geral, grandes autores nacionais e estrangeiros.

    Coleção São Paulo: esta sala é dedicada à história da cidade de São Paulo, além de livros, revistas e materiais audiovisuais, também é possível manusear alguns mapas.

    Arquivo Histórico: espaço dedicado a reunir o patrimônio da Biblioteca Mário de Andrade.

    Obras Raras e Especiais: esta sala guarda manuscritos, fotografias originais, gravuras, moedas e muitos outros objetos raros.

    Mapoteca: espaço reservado para mapas e cartas geográficas.

    Hemeroteca: por aqui temos acesso aos jornais e revistas da atualidade. Além das salas de estudos, há exposições e sala com mesas para levar seu notebook e trabalhar de lá.

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    Centro histórico de São Paulo – Neste espaço você pode levar seu notebook para trabalhar de lá. Há tomadas, cadeiras confortáveis, mas o wifi não é muito bom.

    Não é preciso de cadastro para acessar os espaços, mas se quiser fazer uma visita monitorada, deve agendar com antecedência pelo e-mail [email protected]

    Biblioteca Mário de Andrade
    Endereço

    Rua da Consolação, 94 – República

    Horário

    De segunda a sexta, das 9h às 21h. Sábados, domingos e feriados, 9h às 18h.

    Valor

    Gratuito

    Como chegar

    Metrô: estação Anhangabaú 

    Site oficial

    Catedral da Sé

    Inaugurada em 25 de janeiro de 1954, ela é o quarto maior templo neogótico do mundo com capacidade para 8 mil pessoas. Com mobiliário e esculturas italianas, ela também guarda o maior órgão da América do Sul com cinco teclados manuais e 12 mil tubos, também no estilo gótico.

    Roteiro pelo centro histórico de São Paulo: 22 atrações para visitar 60
    Centro histórico de São Paulo – A Catedral da Sé está em frente ao marco zero da cidade

    Além das missas, que acontecem de segunda a sábado, às 12h, e domingo, às 9h, 11h e 16h, há 3 tipos de atividades para visitantes:

    Tour completo na Catedral da Sé: nesta visita guiada de duas horas de duração você irá conhecer o altar, órgão de tubos, coro, sinos holandeses, cúpula e cripta (se estiver disponível no momento da visita).

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    Centro histórico de São Paulo – Durante a visita guiada conseguimos ter uma vista incrível da cidade

    Esse passeio custa R$60 e está disponível de segunda a sexta, às 14h, sábados, às 9h45 e 14h e domingos, às 12h30 e 14h, com duração de 2 horas. Para participar, agende seu passeio somente pela internet.

    Nesse tour os visitantes passam por 250 degraus bem estreitos, fechados em formato espiral entre o térreo até a cúpula.

    Visita à Cripta da Catedral da Sé: aqui conhecemos a capela subterrânea onde estão os restos mortais dos bispos da catedral e, personalidades da nossa história, como o Cacique Tibiriçá (1470-1562), líder do povo indígena que habitava a antiga vila de São Paulo.

    A visita guiada custa R$12 e também está disponível de segunda a sexta, das 9h às 17h e domingos, das 12h30 às 16h15 e tem 30 minutos de duração. Lembre-se de agendar com antecedência pelo site.

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    Centro histórico de São Paulo – Este é o salão principal da Cripta. Por aqui costuma-se ter missas e até casamentos

    Brunch na Catedral: todo sábado, às 13h, e domingos, às 12h, há um buffet com mais de 20 opções para seu brunch, incluindo sete tipos de sobremesas e vinhos, espumantes, sucos, refrigerantes à vontade e tour guiado pela Catedral. O valor do passeio é de R$390 e as reservas são realizadas via WhatsApp 11 984969702. O brunch da Catedral da Sé é tão disputado quanto o brunch do Mosteiro.

    Catedral da Sé
    Endereço

    Praça da Sé – Sé

    Como chegar

    Metrô: estação da Sé

    Livraria Fonomag

    A livraria Fonomag é uma empresa familiar que começou sua história vendendo discos e fitas (K7 e VHS) de artistas japoneses. Ao ver crescer a procura por livros de autores japoneses e a queda no interesse por discos e fitas, Enio, mudou o foco da empresa que segue firme até hoje, após 40 anos da sua inauguração.

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    Centro histórico de São Paulo – Ao procurar por essa livraria, fique atento, pois não há placas externas

    Com foco em coleções e livros de literatura japonesa em versão pocket escritos em japonês, a livraria que fica na Liberdade é procurada por estudantes do idioma, descendentes nipônicos que moram nas redondezas e brasileiros fãs de HQs.

    Por estar tanto tempo centro histórico de São Paulo, Enio nos conta orgulhoso que ” um antigo cliente chegou até a loja e disse que levara o filho com 12 anos para conhecer os mangás em japonês e hoje, já mais velho, ele está no Japão estudando o idima“.

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    Centro histórico de São Paulo – A maioria dos livros por aqui são de literatura japonesa em sua versão pocket
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    Centro histórico de São Paulo – Entre as prateleiras estão alguns folhetos de eventos da cultura japonesa pelo bairro

    Quem passa pela rua e vê a fachada discreta da livraria Fonomag não imagina a imensidão de histórias que já passaram por ali. Então, durante o seu passeio pelo centro histórico, que tal fazer uma pausa para folhear algumas páginas por lá?

    Livraria Fonomag
    Endereço

    Rua da Glória, 299 – Liberdade

    Horário

    De segunda a sexta, das 9h às 18h. Sábados, das 9h às 17h e domingos e feriados, das 10h às 17h.

    Como chegar

    Metrô: estação Liberdade

    Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil

    O museu foi inaugurado em 1978 e é totalmente dedicado à história da imigração japonesa no Brasil. Ele ocupa três andares do edifício bunkyo, onde se concentra a sociedade paulistana de cultura japonesa, no centro histórico de São Paulo.

    No térreo, você adquire o bilhete e deve guardá-lo com cuidado, pois precisará escaneá-lo para acessar o 7º, 8º e o 9º andar. Cada um dos andares representa uma fase da imigração dos japoneses no nosso país e guarda mais de 97 mil itens pertencentes aos imigrantes japoneses.

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    Centro histórico de São Paulo – Réplica do navio Kasato Maru que aportou em Santos trazendo os primeiros imigrantes japoneses para o Brasil

    7º andar: apresenta em breve história do Japão e de registros, objetos e maquetes que fizeram parte dos primeiros grupos de imigrantes que vieram no navio Kasato Maru para trabalhar em lavouras em 1908.

    8º andar: continua a história entre 1930 a 1958 com a diversificação das atividades agrícolas, a Segunda Guerra Mundial,a discriminação contra nipo-brasileiros e projetos de empresas japonesas no Brasil.

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    Centro histórico de São Paulo – Esta é uma cabana em tamanho real das moradias dos japoneses nas fazendas de café.
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    Centro histórico de São Paulo – Alguém aí lembra dos nomes deles?

    9º andar: nos apresenta a narrativa de 1958 até os dias de hoje. Esse andar foi inaugurado em 2022 e mostra a imigração pós-guerra, artistas japoneses, voo inaugural entre Brasil e Japão em 1968 e a cultura pop com mangás e seus personagens famosos.

    Nessa parte há um café e uma pequena loja. Para visita monitorada é preciso agendar com antecedência pelo e-mail [email protected]. A duração é de 1h para grupos de até 40 pessoas. O custo dessa visita é de R$150 por grupo m ais os valores dos ingressos.

    Além dessa exposição fixa, o Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil oferece atividades, eventos e exposições temporárias em outras áreas do edifício e uma biblioteca no 3º andar.

    Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil
    Endereço

    Rua São Joaquim, 381 – Liberdade

    Horário

    De terça a domingo, das 10h às 16h. Fechado às segundas.

    Valores

    De 12 anos a 59 anos: R$16
    De 5 a 11 anos e acima de 60 anos: R$8
    Gratuito às quartas.

    Como chegar

    Metrô: estação Liberdade

    Site oficial

    Museu da Imigração

    Em um lugar silencioso com pássaros cantando em meio ao agito do Brás e da Mooca, temos este espaço que foi a antiga hospedaria de imigrantes do Brás. O prédio foi construído no final do século 19, com o objetivo de receber imigrantes recém chegados ao Brasil que iam trabalhar na lavoura cafeeira e depois nas indústrias de São Paulo.

    Roteiro pelo centro histórico de São Paulo: 22 atrações para visitar 69
    Centro histórico de São Paulo – Entrada principal do museu

    Este endereço no centro histórico de São Paulo abrigou os primeiros imigrates em 1887. De 1887 até 1978, a hospedaria recebeu três milhões e meio de pessoas de mais de 70 nacionalidades diferentes, inclusive brasileiros.

    O espaço funcionava como uma minicidade: dormitórios com capacidade de 2 a 3 mil pessoas, refeitório, hospital, enfermaria, agência de empregos, posto policial, agência de correios, telégrafo, estação ferroviária (Porto de Santos ao Museu). Em 1895 chegou a receber 10 mil pessoas em um dia só.

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    Centro histórico de São Paulo – Nesta sala os beliches estão organizados como na época da hospedaria

    Você sabia que até hoje o local recebe imigrantes?

    Hoje o espaço está divido em 70% para hospedaria que é administrada pelo Arsenal da Esperança e 30% para o museu. Eles atuam no mesmo endereço, mas são entidades separadas.

    O Museu da Imigração existe desde 1993 e apresenta uma exposição fixa de objetos usados durante o funcionamento da hospedaria no auge da imigração e itens pessoais doados por imigrantes que passaram por lá. Além disso, há mostras temporárias, cursos, diversos eventos, passeios de maria fumaça e centro de pesquisa para que todos os visitantes possam procurar familiares.

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    Centro histórico de São Paulo – Uma das coisas mais divertidas por lá é procurar seu sobrenome nesse painel gigantesco
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    Centro histórico de São Paulo – Eu encontrei o da Natie, mas não localizei o meu ou do fred 🙁

    Quais são os três países únicos países do mundo que não existem brasileiros morando atualmente?

    Afeganistão, Líbia e São Vicente e Granadinas, uma ilha no Caribe.

    Este museu é um mergulho na história de São Paulo no auge do seu crescimento e mostra a importância que os imigrantes tiveram para a construção do DNA da cidade.

    Museu da Imigração
    Endereço

    Rua Visconde de Parnaíba, 1.316 – Mooca

    Horários

    De terça a sábado, das 9h às 18h. Domingo, das 10h às 18h. Fechado as segundas.

    Valores

    Adultos: R$16
    De 8 a 16 anos e acima de 60 anos: R$8
    Crianças até 7 anos: gratuito
    Gratuito aos sábados para todos os públicos

    Como chegar

    Metrô: estação Bresser-Mooca

    Site oficial

    Acompanhe a programação do Museu da Imigração pelo site

    SESCs no centro histórico de São Paulo

    Com objetivo de proporcionar bem-estar para trabalhadores e familiares dos setores de comércio de bens, serviços e turismo, o SESC foi idealizado em 1946 e até hoje oferece lazer, cultura, esporte, alimentação e saúde em cada unidade. Com 18 unidades na cidade de São Paulo, cinco delas estão no centro histórico de são Paulo e, em breve, será presenteado com mais uma unidade. Destacamos o diferencial de cada unidade:

    SESC Florêncio de Abreu: a unidade mais antiga do SESC em São Paulo foi inaugurada em 1947. Por aqui é realizado até procedimentos odontológicos.

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    Centro histórico de São Paulo – Esta escada ao lado da recepção do SESC tem fotos de prédios históricos do centro

    SESC do Carmo: esta unidade abriu em 1960 e hoje o Zózima Trupe, um grupo de teatro que usa um ônibus urbano como palco, costuma se apresentar convidando todos a para participar dessa atividade lúdica.

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    Centro histórico de São Paulo – Este SESC fica bem escondidinho, mas oferece uma grande programação que vale a visita

    SESC Bom Retiro: inaugurada em 2011, essa unidade tem objetos e mobiliários que convidam o visitante a interagir, desde os bancos próximos à entrada, sem divisórias entre elas, aos amplos corredores que dão acesso aos espaços de brincadeiras.

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    Centro histórico de São Paulo – Olha essa brinquedoteca!

    SESC 24 de maio: inaugurado em 2017, no antigo prédio da loja de departamentos Mesbla que funcionou até 1998, fica uma das piscinas mais famosas do SESC, pois ela fica na cobertura e oferece uma vista panorâmica do centro de São Paulo.

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    Centro histórico de São Paulo – No andar da lanchonete, além de apreciar os prédios ao redor você pode molhar os pézinhos nessa mini piscina

    SESC 14 Bis: a mais nova unidade que surgiu em 2023 e fica no mesmo prédio que sediava a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). Por lá você encontra o SESC Memórias, o teatro Raul Cortez e o Centro de Pesquisa e Formação do SESC.

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    Centro histórico de São Paulo – O Sesc 14 Bis tem uma das fachadas mais coloridas

    E as novidades não param! Está previsto para o final de 2027, o SESC Praça Ramos, que vai funcionar no antigo do Mappin e Casas Bahia, em frente ao teatro municipal.

    Construímos um mapa com todas as atrações citadas neste roteiro do centro histórico de São Paulo para que te ajudar durante esse passeio:

    Dicas de segurança para visitar o centro histórico de São Paulo

    Caminhar pelo centro histórico de São Paulo pode nos reservar muitas surpresas agradáveis, mas é importante manter a atenção e cuidado pelas ruas, assim como em qualquer outra metrópole do mundo.

    Durante nossa visita para construção deste roteiro, fizemos a maior parte do trajeto utilizando o metrô e percorrendo caminhos curtos a pé. Notamos a presença constante de muitos policiais nas áreas visitadas, o que deu mais tranquilidade em relação à segurança.

    A lista de atrações para visitar no centro histórico de São Paulo é vasta, mas iniciamos com atrações que estão em lugares mais seguros para os nossos leitores. Mesmo com a região relativamente mais tranquila, vale deixar algumas dicas de segurança para tornar o passeio mais agradável.

    Fique atento em tudo ao seu redor

    Ao caminhar pelo centro histórico de São Paulo, você irá observar que o ritmo é frenético ao seu redor.

    As ruas são mais estreitas em relação ao resto da cidade e ainda terá pessoas entregando mercadorias com carrinhos de cargas empurrados na mão, algumas te abordando para vender ouro e outros produtos, obras acontecendo em fachadas, calçadas e ruas, passagem de automóveis em algumas calçadas… uma loucura! Então não deixe de redobrar a atenção ao seu retor.

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    Centro histórico de São Paulo – Tome cuidado para evitar acidentes

    Evite sair ou retornar em horário de pico em São Paulo

    O horário de pico em São Paulo é o horário em que há um maior fluxo de pessoas no transporte público e nas ruas, de segunda à sexta. É onde normalmente a cidade fica com pouca mobilidade em qualquer tipo de transporte.

    Há dois horários em que isso acontece:

    Durante o horário de pico, normalmente há mais aglomerações que podem resultar em furtos, sem mesmo que a pessoa perceba de imediato que perdeu algo de valor.

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    Centro histórico de São Paulo – A movimentação de pessoas no transporte público varia em alguns horários

    Durante o final de semanas o fluxo da cidade melhora, mas as atrações turísticas tendem a ficar mais cheias. E mesmo se planejando para aproveitar a cidade mais vazia, lembre-se de sair com antecedência, pois há sempre regiões ou trechos interditados devido a obras (muitas vezes sem aviso prévio), alguns picos de trânsito ou o metrô pode ter problemas.

    Evite o uso do celular nas ruas

    Não dê bobeira com o celular nas mãos enquanto caminha. Deixe-o bem guardado e, se precisar usá-lo, entre em algum estabelecimento mais tranquilo e seguro.

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    Centro histórico de São Paulo – Redobre a atenção ao usar o celular nas ruas

    Um truque que me ajuda muito ao caminhar pelo centro histórico de São Paulo é usar um dos fones de ouvido bluetooth conectado ao Google Maps enquanto caminho. Dessa forma, eu consigo ouvir as instruções de direção e não preciso mexer no celular. O uso de apenas um dos fones é para que você não deixe de ouvir os barulhos ao seu redor, pois isso também é importante para sua segurança.

    Se tenho que deixar o celular guardado, como devo agir quando quiser tirar fotos pelo caminho? Antes de tirar a foto, sugiro que observe a área ao seu redor, veja se não há muita muvuca e espere por um momento em que não tenha tantas pessoas por perto e tire fotos rapidamente. Fique de olho nos bandos que andam de biciclete. Esse tipo de grupo costuma ser chamado de “gangue das bikes” e fazem muito estrado nessa região de São Paulo.

    Planeje com antecedência seu trajeto

    Essa estratégia vale tanto para sua segurança quanto para a otimização de tempo do seu dia. Use o recurso do street view para analisar as possibilidades de trajeto e escolha caminhos que pareçam mais seguros.

    Se estiver com dúvidas, antes de sair da estação de metrô, procure ajuda de um dos funcionários do metrô que ficam nas catracas. Eles podem indicar caminhos mais seguros também.

    Faça esse planejamento mesmo se for usar carros de aplicativos, pois a maioria das “ruas” no centro histórico de São Paulo, na verdade, são calçadões que não permitem a entrada de carros não autorizados. Em muitos casos, chegar até a atração de metrô pode ser mais fácil do que ir de carro.

    Para manter a segurança durante os passeios pelo centro histórico de São Paulo é essencial que você esteja atento nas ruas, combinado?